terça-feira, fevereiro 05, 2013

Falácia do Planejamento

A questão da aeronave da Boeing, o 787 Dreamliner, é tratado de maneira interessante por James Surowiecki (Requiem for a Dreamliner?, New Yorker, 4 de fevereiro de 2013). Como bem lembra Surowiecki, este é mais um exemplo de cost overrun. Este é um conceito relacionado a falácia do planejamento. Em geral os gestores são otimistas nas projeções de prazos e orçamentos. Isto já foi observado tanto na área pública (olimpíadas, por exemplo), quanto na iniciativa privada.
A Boeing, quando projetou a aeronave, imaginava que seu produto seria revolucionário. Uma das razões foi a terceirização da sua produção, algo inédito na indústria aeroespacial. A figura acima (fonte: aqui) mostra diferentes países que participaram da construção (clique na imagem para visualizar melhor). Mas a terceirização também diz respeito a outras áreas que não aparece na figura: engenharia, desenho, etc.  Surowiecki estima que menos de 40% do avião foi construído pela própria empresa. A empresa considerou que isto revolucionaria a fabricação de aeronaves, significando um custo menor de fabricação. Entretanto, terceirização exige coordenação e fiscalização. E isto falhou.

Boeing trabalhou com cinquenta parceiros diferentes. Uma cadeia de suprimentos mais complexa torna maiores as chances de que algo saia errado, e a Boeing teria menos controle do que se a operação tivesse sido em sua casa.

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terça-feira, outubro 09, 2007

A Falácia do Planejamento

A falácia do planejamento procura explicar a razão dos atrasos em obras públicas, em tarefas pessoais, etc. Um link faz um levantamento interessante sobre obras e situações onde ocorre esta falácia:

=> O aeroporto de Denver foi inaugurado 16 meses depois, a um custo de 2 bilhões

=> A Opera de Sidnei, Austrália, estava prevista para se inaugurada em 1963 por 7 milhões. Foi completada em 1973, por 102 milhões

Um estudo interessante, de Buehler et. al. (1995), questionou aos estudantes qual a previsão para completar um trabalho acadêmico. A maioria errou sua previsão.

Uma possível justificativa para este problema talvez seja a idéia das pessoas substituirem o "cenário possível" pelo "melhor cenário" no planejamento.

Outra pesquisa, de Buehler et. al. (2002), estudou os estudantes japoneses e perguntou quanto tempo esperavam finalizar um trabalho. A média da resposta foi 10 dias antes da data final. O valor real: 1 dia.

Outra experiência fez uma pergunta sobre a data da compra dos presentes de natal. O resultado foi basicamente o mesmo.

Acabou a história de que "brasileira deixa tudo para o último dia". Agora é "a falácia do planejamento".

Referências

Buehler, R., Griffin, D. and Ross, M. 1994. Exploring the "planning fallacy": Why people underestimate their task completion times. Journal of Personality and Social Psychology, 67: 366-381.

Buehler, R., Griffin, D. and Ross, M. 1995. It's about time: Optimistic predictions in work and love. Pp. 1-32 in European Review of Social Psychology, Volume 6, eds. W. Stroebe and M. Hewstone. Chichester: John Wiley & Sons.

Buehler, R., Griffin, D. and Ross, M. 2002. Inside the planning fallacy: The causes and consequences of optimistic time predictions. Pp. 250-270 in Gilovich, T., Griffin, D. and Kahneman, D. (eds.) Heuristics and Biases: The Psychology of Intuitive Judgment. Cambridge, U.K.: Cambridge University Press.

Newby-Clark, I. R., Ross, M., Buehler, R., Koehler, D. J. and Griffin, D. 2000. People focus on optimistic and disregard pessimistic scenarios while predicting their task completion times. Journal of Experimental Psychology: Applied, 6: 171-182.

Wikipedia. http://en.wikipedia.org/wiki/Planning_fallacy

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