quinta-feira, março 27, 2008

Ilusão da Medida

Um exemplo interessante sobre a ilusão que uma medida pode provocar nas pessoas foi contada por Justin Wolfers em "Nominal Illusion: A Mistake or a Choice?".

Betsey chega em casa e diz que correu 8 quilômetros. Wolfers, depois de fazer algumas tarefas, disse que iria percorrer cinco milhas. O interessante é que Betsey é norte-americana e está acostumada com milhas, enquanto Wolfers é europeu, familiar a quilômetros. Wolfers perguntou a Bestsey por que mediu sua corrida em quilômetros. A resposta: para parecer que correu mais. Wolfers provavelmente falou em milhas para convencer seu corpo que a corrida não seria muito longa.

Este fenômeno já foi estudado em finanças comportamentais e diz respeito a ilusão provocada por uma medida. As magnitudes parecem diferentes quando usamos unidades diferentes. Uma derivação disto é a ilusão monetária. Se o governo concede um aumento de 3% no salário mínimo, quando a inflação foi de 5%, na realidade não ocorreu nenhum aumento real do salário. Mas se o governo decide cortar 2% do salário mínimo quando a inflação é zero a notícia parece muito pior. Na realidade é praticamente a mesma coisa.

Realizei, juntamente com Ludmila Souza, uma experiência sobre isto. Aqui para ter acesso a esta pesquisa.

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

SG, os Cartões de Crédito do Governo Lula e as Finanças Comportamentais

Os problemas de controle interno no Societe Generale foram analisados sob diversas formas. Uma forma interessante de ver o que ocorreu neste banco é através das finanças comportamentais. Um estudo realizado nos Estados Unidos com estudantes que deveriam resolver uma lista de questões de matemática, mostrou algo interessante sobre a questão ética da desonestidade e a presença do dinheiro (moeda). Para o grupo de controle (1/3 dos alunos) a média de resolução das questões foi de 3,5 questões (o tempo era muito curto para resolver todas as questões). No segundo grupo, onde os pesquisadores permitiram que os alunos fossem desonestos e receberiam em dinheiro por sua desonestidade, a média de respostas corretas foi de 6,2 questões. Esta diferença mostra que estes alunos desonestos eram capazes de fazer trapaças para ganhar mais. Ao terceiro grupo, os pesquisadores permitiram também a trapaça, mas o "prêmio" não era em dinheiro, mas um substituto. Neste grupo os alunos responderam 9,4 questões.

Ou seja, com dinheiro, o aumento na desonestidade foi significativo. Mas com um ganho através de itens não monetários o aumento foi ainda maior.

Isto poderia ajudar a explicar o comportamento de pessoas que geralmente não acham desonesto tomar uma caneta emprestada e esquecer de devolver, mas consideram reprováveis atitudes como pegar dinheiro emprestado e não devolver.

O funcionário do Societe Generale talvez se enquadre nesta situação. O ministro de Estado que paga suas contas com o cartão corporativo do governo talvez não ache isto reprovável.

Aqui esta discussão é mais detalhada. Mais: aqui .

Mas destaco um trecho relevante sobre as conclusões da pesquisa:

"quando lidamos com uma moeda mais abstrata nossa moralidade é menos capaz de proteger-nos contra a desonestidade (...)"


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