quarta-feira, janeiro 30, 2013

Ilusão do Fim da História


Quando uma garota decide tatuar o nome do namorado, ela acredita que o amor entre os dois irá permanecer o mesmo ao longo dos anos. Já uma pessoa quando se casa, faz juras eternas de fidelidade e afeição. Um casal, quando se estabelece numa cidade, pensa em comprar uma casa, onde ficarão até a velhice. Em todas estas situações as pessoas acreditam que o presente não sofrerá alterações do tempo. Mas se perguntarmos as estas pessoas se ocorreram grandes mudanças no passado, provavelmente todos irão dizer que sim.

As pessoas acreditam que muitas mudanças ocorreram no passado, mas que poucas irão ocorrer no futuro. Isto é denominado de “ilusão do fim da história”. Em outras palavras, a pessoas pensam que o futuro não irá trazer grandes alterações nas suas vidas.

Um texto publicado na revista Science de janeiro deste ano mostrou uma pesquisa com mais de 19 mil pessoas onde isto foi realmente comprovado. Usando pares de pessoas com diferença de dez anos de idade, perguntaram-se as mudanças na personalidade, nos valores e preferências das pessoas. Assim, as respostas das pessoas com 18 anos foram comparadas com as de 28 anos. Isto permitiu que os pesquisadores tivessem uma confrontação estatística entre as crenças que tenho hoje e que terei em uma década. E a resposta mostra a comprovação da ilusão do fim da história: as pessoas subestimam as mudanças que irão ocorrer na sua vida futura. É esta a razão que faz com que a garota faça a tatuagem com o nome do namorado: ela acredita que o amor irá durar para sempre.

A pesquisa encontrou que a ilusão do fim da história é maior entre os mais jovens. Mas ela também existe entre as pessoas que já viveram mais de meio século. Assim, antes de tomar aquela decisão definitiva – uma tatuagem, o casamento, a compra de uma casa, a mudança de um emprego – lembre-se que a história não acaba ali.

Leia mais em QUOIDBACH, Jordi; GILBERT, Daniel; WILSON, Timothy. The End of History Illusion. Science. 4 january 2013, p. 96-98

terça-feira, janeiro 29, 2013

Macacos rejeitam a desigualdade

O vídeo abaixo mostra um experimento simples com os macacos capuchinos. O pesquisador colocar um objeto (cor clara) e o macaco entrega para o pesquisador, ganhando um prêmio (cor escura). Mas o macaco da esquerda fica revoltado (1:50 minuto de vídeo) quando não recebe o prêmio. 

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quarta-feira, janeiro 16, 2013

Gato

O investidor de faro mais aguçado em 2012, para o jornal britânico “The Observer”, é ruivo, tem olhos verdes e bigodes longos. Para escolher as ações do portfólio, ele usa um método simples: atira o seu rato de brinquedo preferido na direção de um número aleatório que representa uma empresa.

O gato Orlando foi colocado pelo "The Observer" em competição contra dois times: um formado por profissionais de investimento das firmas das corretoras Seven Investment Management, da Killick & Co e da Schroders, e de alunos da escola John Warner, da cidade inglesa de Hertfordshire. O mago felino das finanças obteve rendimentos melhores do que os dos concorrentes.

Cada grupo investiu 5 mil em cinco companhias do índice FTSE All-Share no início do ano. Após três meses, eles podiam trocar de ações, escolhendo outras que compõem o índice. Ao fim de um ano, Orlando conseguiu elevar o montante a 5.542, enquanto os investidores chegaram a 5.176 e os alunos perderam dinheiro, ficando com 4.840.

O desafio teve como objetivo investigar a hipótese do “caminhar aleatório”, popularizada pelo livro do economista Burton Malkiel, segundo a qual os preços das ações sobem de modo completamente aleatório, tornando as bolsas de valores totalmente imprevisíveis. Desta forma, é possível que novatos no mundo das ações consigam obter desempenhos melhores do que profissionais com décadas de experiência em suas apostas.

O prêmio de Orlando foi uma coleira nova, vermelha, dada por sua dona, a ex-editora de Dinheiro do “Observer”, Jill Insley.

 Gato britânico mostra faro para investimentos - O Globo - 14 de janeiro de 2012 (dica de Claudilene)

 O caso serve para mostrar a hipótese do random walk é forte. Mas é também interessante notar que no último livro de Kahneman, o autor relata encontro com investidores profissionais onde - usando o conceito de reversão à média - ele afirma que estes funcionários não conseguem bater a média do mercado.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Hábito

A maioria das atitudes de um ser humano rotineiras. O cérebro tenta, sempre que possível, economizar energias para as tarefas mais difíceis. Assim, a nossa mente criar uma série de atalhos, que facilitam nossa vida. A primeira vez que dirigimos um automóvel nossos gestos ainda não estão automatizados e usamos muito nossos neurônios para a difícil tarefa que é passar uma marcha. À medida que acostumamos com isto, tudo fica mais simples; fazemos a troca de uma marcha num automóvel de maneira automática. Este é um exemplo onde os seres humanos são programados para reduzir os esforços nas tarefas corriqueiras.
O livro “O poder do hábito”, do repórter do New York Times Charles Duhigg, foca na relevância das tarefas usuais na vida das pessoas. O livro está dividido em três partes. Na primeira parte, Duhigg trata do hábito das pessoas, mostrando como ele funciona e como mudar nossas rotinas. A segunda parte discute os hábitos nas organizações. E a terceira parte, os hábitos na sociedade.
É uma obra fácil de ler, com uma ideia central, rodeada de uma série de casos que ocorreram. Os exemplos surgem no livro na medida em que o autor reforça sua ideia de que compreender os hábitos é fundamental para a vida das pessoas, das organizações e da sociedade: Starbucks, Target, o boicote aos ônibus de Montgomery, entre outros. O embasamento e as fontes são deixados para o final, evitando poluir o texto com academicismo desnecessário.
Vale a pena? Pela leitura fácil e diante da possibilidade de mudar nossos hábitos ruins, sim.

Evidenciação: Este blogueiro adquiriu a obra numa livraria, não tendo sido induzido a fazer esta postagem pelas partes interessadas.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Fator Sorte

Lendo o livro de Daniel Kahneman (Rápido e Devagar), o mesmo comenta que a sorte é fundamental e geralmente é desprezada na análise do "sucesso" das pessoas. Outro autor da área comportamental, Michael Mauboussin, estimou o efeito "sorte" em diversos esportes:

Observe que 53% do desempenho no hockey se deve a contribuição da sorte.