quinta-feira, dezembro 19, 2013

Celular e Etiqueta

Durante os dois últimos semestres letivos eu fui testado pelos meus alunos sobre o uso de celular durante a sala de aula. Apesar de escrever claramente no programa das disciplinas que o uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula não seria recomendado, por diversas vezes flagrei alunos “passando” o dedo sobre seus celulares. Isto para não falar das ocasiões em que os telefones tocaram durante a aula.

Talvez seja um problema meu a dificuldade de continuar expondo um assunto quando estou vendo que um aluno está verificando as mensagens. E também reconheço que verificar mensagens é um vício, que algumas pessoas possuem.

Uma pesquisa (via aqui) mostrou que a intolerância ao fato de que uma pessoa esteja usando o celular pode estar associada ao gênero e a idade.  Pesquisadores perguntaram a diferentes pessoas se era apropriado verificar e-mail, responder a uma chamada de celular ou escrever e mandar mensagens durante uma reunião de negócios informal. Os homens parecem ser mais tolerantes que as mulheres. Enquanto 59% dos homens afirmaram ser apropriado verificar a existência de mensagens durante uma reunião, somente 34% das mulheres eram tolerantes a esta atitude. Metade dos homens considera aceitável responder uma chamada, mas somente 26% das mulheres. E escrever mensagens foi considerado razoável para 43% dos homens e 23% das mulheres.



A geração mais nova parece ser mais condescendente com o uso de celular durante uma reunião. Oitenta por cento das pessoas com até 30 anos de idade acham apropriado verificar os e-mails em reunião, enquanto somente 33% daqueles com idade acima de 50 anos acharam isto aceitável.



Talvez isto explique um pouco os problemas que tive durante o semestre. E você? Acha aceitável usar o celular numa reunião ou em sala de aula?

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segunda-feira, maio 16, 2011

Por que o pagamento através do celular é uma péssima notícia?

O número de transações pagas através do telefone celular, em lugar de dinheiro, cheque ou cartão, aumentou para 78 bilhões de dólares. A projeção é que em 2016 o valor dos pagamentos através do celular deve chegar a 618 bilhões de dólares. A vantagem, anunciada pelos promotores do pagamento através do celular, é que o custo de transação seria 50 vezes mais barato que o método tradicional (Celular ganha espaço na carteira do cliente - 09/05/2011- Valor Econômico - Assis Moreira, via aqui) .

Péssima notícia para o consumidor. Em 2001 dois pesquisadores do MIT, instituição de ensino e pesquisa dos Estados Unidos, fizeram uma experiência com bilhetes de jogos do time de basquete do Boston Celtics. Os ingressos foram leiloados; metade do grupo poderiam pagar com cartão de crédito e a outra metade não. O lance médio daqueles que podiam usar o cartão foi muito superior aos daquele que não podiam usar. Em outras palavras, as pessoas que usam cartão de crédito consomem de forma mais descontrolada.

Em razão disto, uma dica de finanças pessoais para aqueles que desejam economizar é deixar o cartão em casa quando forem sair. É possível pensar numa pessoa saindo de casa sem o cartão de crédito, mas nos dias de hoje é impossível imaginar alguém saindo de casa sem seu celular.

Se você concorda com isto, certamente é razoável supor que o pagamento através do celular significa, para as empresas, que todas as pessoas irão sair de casa com um meio de pagamento que facilita as compras. E as dívidas também. Conforme as palavras de Lehrer (The High Cost of Easy Payments, Wired, 31 de março de 2011), o pagamento através do celular reduz a fricção do pagamento. Ou seja, é mais fácil gastar de maneira irresponsável.

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