sábado, dezembro 24, 2022

Meta-análise e a insignificância do empurrão

Recentemente um estudo analisou as pesquisas realizadas com a técnica do empurrão (ou cutucada ou nudge, em inglês). A conclusão do artigo é que talvez o empurrão não apresente um ganho expressivo em termos de resultados. 

Logo após a premiação do Nobel de Economia para Kahnemann, a atenção do mundo acadêmico voltou-se para a área comportamental. Cerca de cinco anos depois surgiu um livro, com o título de Nudge, de co-autoria de Richard Thaler e Cass Sunstein. O livro fez sucesso e sua proposta era mostrar os benefícios da forma sobre a essência e como isto poderia ser usado em políticas públicas. 

Um exemplo famoso do livro é o caso do aeroporto que resolveu colocar uma pequena mosca pintada nos mictórios masculinos. O índice de acerto dos homens aumentou e a quantidade de sujeira dos banheiros diminuiu. Há diversos exemplos sobre o poder da forma como uma questão é apresentada e alguns governantes leram o livro e ficaram entusiasmados com a possibilidade de adotar o enfoque comportamental para resolver alguns problemas de gestão.



O governo britânico, por exemplo, criou uma equipe de trabalho que sugeriu diversas abordagens para algumas políticas públicas. Mas será que o empurrão realmente funciona? Pesquisas e mais pesquisas foram publicadas, algumas apresentando bons resultados, outras com resultados decepcionantes. 

Em 2019, um estudo agrupou o conjunto de pesquisas realizadas na área através de uma técnica chamada meta-análise. O resultado foi, segundo seus autores, que o empurrão não funciona. Imediatamente os críticos da área comportamental divulgaram os resultados que seria uma grande crítica para os pesquisadores. Em 2021 outro estudo chegou a mesma conclusão. (Outro estudo, de 2022, chegou em uma resposta positiva)

Agora o DataColada, um site que investiga a fundo as pesquisas acadêmicas, fez uma crítica severa a pesquisa que "derrubou" o empurrão. Em dois posts o site argumenta que a meta-análise não faz sentido uma vez que os estudos incluídos apresentam uma agregação de resultados que não podem ser agregados. 

A técnica da meta-análise é um grande avanço na ciência e já salvou vidas. Ben Goldacre, em Ciência Picareta, capítulo 4, mostra isto. Mas uma condição relevante para este tipo de estudo é que a pesquisa seja realizada com um grupo de estudos similares e comparáveis. O DataColada considera que isto não foi seguido nas duas pesquisas que rejeitaram a importância no empurrão na decisão humana. Sua posição é mais radical - e contrária a Goldacre - que indicar que é uma análise que não faz sentido. 

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terça-feira, fevereiro 10, 2009

O Empurrão

O destaque dos últimos dias em finanças comportamentais tem sido a questão do empurrão. O livro Nudge, de Thaler e Sunstein, despertou discussões, mas tornou-se destaque mesmo quando Obama, o atual presidente dos EUA e também professor da Universidade de Chicago, levou para o governo Sunstein.

A situação que melhor ilustra o empurrão é o caso do banheiro masculino do aeroporto de Amsterdã. Um dos problemas dos sanitários masculinos é a dificuldade que certos homens possuem em acertar o alvo. O aeroporto de Amsterdã conseguiu melhor o nível de acerto desenhando nos vasos uma pequena mosca. Este desenho atrai a atenção do usuário e melhora sua pontaria.

Particularmente prefiro a questão da doação dos órgãos, que pode ser melhorada num país alterando o default. Hoje, quando um brasileiro morre, os seus órgãos somente são utilizados quando existe a autorização expressa da família ou do indivíduo. Este é o default. A proposta é alterar para tornar automático a doação, a não ser que a família ou indivíduo se oponha.

Em When Humans Need a Nudge Toward Rationality (New York Times, 7/2/2009), Jeff Sommer faz um breve resumo da questão do empurrão. Sommer destaca muito a evidenciação, como um papel chave no processo.

Já em Online Competition Searches for ´Nudges´ That can lead to better health (States News Service, 9/2/2009) anuncia-se um concurso interessante: a Pioneer Portfolio da Robert Wood Johnson Foundation (RWJF) e a Ashoka’s Changemakers lançaram uma pesquisa para encontrar nudges que ajudem as pessoas a tomarem decisões corretas.

(Entre os jurados, Wellington Nogueira Santos, fundador dos Dotores da Alegria.)

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