sábado, dezembro 24, 2022

Meta-análise e a insignificância do empurrão

Recentemente um estudo analisou as pesquisas realizadas com a técnica do empurrão (ou cutucada ou nudge, em inglês). A conclusão do artigo é que talvez o empurrão não apresente um ganho expressivo em termos de resultados. 

Logo após a premiação do Nobel de Economia para Kahnemann, a atenção do mundo acadêmico voltou-se para a área comportamental. Cerca de cinco anos depois surgiu um livro, com o título de Nudge, de co-autoria de Richard Thaler e Cass Sunstein. O livro fez sucesso e sua proposta era mostrar os benefícios da forma sobre a essência e como isto poderia ser usado em políticas públicas. 

Um exemplo famoso do livro é o caso do aeroporto que resolveu colocar uma pequena mosca pintada nos mictórios masculinos. O índice de acerto dos homens aumentou e a quantidade de sujeira dos banheiros diminuiu. Há diversos exemplos sobre o poder da forma como uma questão é apresentada e alguns governantes leram o livro e ficaram entusiasmados com a possibilidade de adotar o enfoque comportamental para resolver alguns problemas de gestão.



O governo britânico, por exemplo, criou uma equipe de trabalho que sugeriu diversas abordagens para algumas políticas públicas. Mas será que o empurrão realmente funciona? Pesquisas e mais pesquisas foram publicadas, algumas apresentando bons resultados, outras com resultados decepcionantes. 

Em 2019, um estudo agrupou o conjunto de pesquisas realizadas na área através de uma técnica chamada meta-análise. O resultado foi, segundo seus autores, que o empurrão não funciona. Imediatamente os críticos da área comportamental divulgaram os resultados que seria uma grande crítica para os pesquisadores. Em 2021 outro estudo chegou a mesma conclusão. (Outro estudo, de 2022, chegou em uma resposta positiva)

Agora o DataColada, um site que investiga a fundo as pesquisas acadêmicas, fez uma crítica severa a pesquisa que "derrubou" o empurrão. Em dois posts o site argumenta que a meta-análise não faz sentido uma vez que os estudos incluídos apresentam uma agregação de resultados que não podem ser agregados. 

A técnica da meta-análise é um grande avanço na ciência e já salvou vidas. Ben Goldacre, em Ciência Picareta, capítulo 4, mostra isto. Mas uma condição relevante para este tipo de estudo é que a pesquisa seja realizada com um grupo de estudos similares e comparáveis. O DataColada considera que isto não foi seguido nas duas pesquisas que rejeitaram a importância no empurrão na decisão humana. Sua posição é mais radical - e contrária a Goldacre - que indicar que é uma análise que não faz sentido. 

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quarta-feira, junho 29, 2022

Cutucadas não resolvem tudo


O comercial acima é da década de setenta. Mostra um índio diante do problema da poluição. A partir deste comercial, Tim Harford chama a atenção para os limites do Nudge, a teoria do empurrão/cutucada de Richard Thaler e Cass Sunstein. Por esta teoria, pequenas mudanças na forma de apresentar uma informação ou uma decisão podem ser relevantes para a solução do problema final. O livro Nudge foi um sucesso e trouxe a criação de equipes comportamentais no governo. Mas existem dois problemas aqui.

Em primeiro lugar, nem sempre o empurrão funciona. Em situações extremas, como na pandemia, há sérios limites para a teoria de Thaler e Sunstein, embora possa ser útil de uma maneira geral

O segundo problema é que há interesses que podem comprometer a ideia. Postamos aqui que Sunstein chegou a criticar o excesso de medo das pessoas em fevereiro de 2020 e não reconheceu seu erro para não perder um cargo na OMS. Os políticos gostam de soluções "simplistas" e fáceis, que podem evitar o compromisso de tentar efetivamente uma solução.

O comercial acima parece colocar nas pessoas a culpa pela poluição, evitando constranger os governos e as empresas que produzem o lixo. É uma forma de mudar de assunto. O mesmo está ocorrendo com a questão climática? Será que exigir que as [algumas] empresas divulguem relatórios sobre o impacto ambiental é suficiente? 

A ciência comportamental é uma ótima maneira de encontrar pequenos ajustes que podem fazer uma diferença substancial no comportamento. Os ajustes ajudam se o comportamento resolver um problema, mas isso não pode ser tomado como garantido. É fácil ter uma visão comportamental perfeitamente sólida e transformá-la em uma política mal feita.

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terça-feira, junho 21, 2022

Alerta perigoso

Intervenções comportamentais envolvem sugerir gentilmente que as pessoas reconsiderem ou mudem comportamentos indesejáveis específicos. Eles são de baixo custo, fáceis de implementar e ferramenta cada vez mais comum usado pelos formuladores de políticas para incentivar comportamentos socialmente desejáveis.

Exemplos de intervenções comportamentais incluem contar às pessoas como o seu uso de eletricidade se compara aos vizinhos ou enviando mensagens de texto lembrando as pessoas a pagarem multas.

Muitas dessas intervenções são expressamente projetadas para “aproveite a atenção das pessoas”No momento em que eles podem tomar a ação desejada. Infelizmente, atrair a atenção das pessoas pode excluir outras considerações mais importantes e até sair pela culatra com conseqüências individuais e sociais caras. Uma dessas intervenções comportamentais nos pareceu estranha: vários estados dos EUA exibem estatísticas de fatalidade no ano (número de mortes) nos sinais dinâmicos de mensagens nas estradas (DMSs). A esperança é que estes mensagens preocupantes reduzirão as falhas de tráfego, uma das principais causas de morte de crianças de cinco a 29 anos em todo o mundo. Talvez por causa de seu baixo custo e facilidade de implementação, pelo menos 28 estados dos EUA exibiram estatísticas de fatalidade pelo menos uma vez desde 2012. Estimamos que aproximadamente 90 milhões de motoristas foram expostos a essas mensagens.

Como pesquisadores acadêmicos com formação em divulgação de informações e política de transporte, nos unimos para investigar e quantificar os efeitos dessas mensagens. O que encontramos nos assustou.

Ao contrário das expectativas dos formuladores de políticas (e nossas), descobrimos que exibir mensagens de fatalidade aumenta o número de acidentes.

Estudamos o uso dessas mensagens de fatalidade no Texas. O estado fornece um laboratório útil para estudar essas mensagens, pois possui 880 DMSs, 17 milhões de motoristas e, infelizmente, 3.000 mortes relacionadas à estrada por ano. O aspecto mais vantajoso dessa amostra, no entanto, é que, de agosto de 2012 até o final de nossa amostra, em 2017, o Departamento de Transportes do Texas mostrou essas mensagens de fatalidade apenas por uma semana por mês - uma semana antes da reunião mensal da Comissão de Transportes do Texas.

Esse recurso institucional nos permitiu comparar, por exemplo, o número de acidentes que ocorrem em torno de uma DMS durante a semana em que mensagens de fatalidade estão sendo mostradas, em relação a colisões no mesmo segmento da estrada durante as outras três semanas do mesmo mês. Além disso, fomos capazes de controlar a hora do dia, dia da semana, condições climáticas e feriados. Nós descobrimos isso houve dois a três por cento mais acidentes dentro de um a 10 quilômetros de cada DMS durante a semana em que foram mostradas mensagens de fatalidade. Isso sugere que essa intervenção comportamental específica saiu pela culatra no Texas.

(...)

Com base em nossas descobertas, hipotetizamos que essas mensagens de fatalidade causam mais falhas porque deixam os motoristas ansiosos e os distraem. Nossa pesquisa encontrou várias evidências que apoiavam essa hipótese.

Primeiro, descobrimos que quanto maior o número exibido de mortes (uma mensagem plausivelmente mais chocante e perturbadora), maior o aumento de acidentes. Contagens mais altas de fatalidade estão associadas a significativamente mais falhas, enquanto contagens mais baixas de fatalidade estão associadas a menos acidentes.

Mensagens relacionadas e fatais causam o maior aumento de acidentes em janeiro, quando a exibição mostra o total do ano anterior no Texas. Por outro lado, há um número marginalmente menor de acidentes em fevereiro, quando a contagem de fatalidades é redefinida e é a mais baixa.

Segundo, o aumento de acidentes está concentrado em segmentos rodoviários mais complexos, onde o foco na estrada é provavelmente mais importante e o custo de uma distração mais grave. (...)

Nossa pesquisa mostra que exibir mensagens de fatalidade não resulta em direção mais segura e menos acidentes. Além do argumento mais óbvio de que exibir mensagens de fatalidade pode ser contraproducente, nossas descobertas destacam duas questões mais amplas.

Primeiro, embora as intervenções comportamentais devam chamar a atenção, isso pode ser levado longe demais e ter consequências caras. Segundo, é vital avaliar políticas e seus resultados ao longo do tempo, pois mesmo boas intenções podem não necessariamente levar aos resultados desejados.

Fonte: aqui

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sábado, abril 09, 2022

Cutucadas e pandemia

O conceito da cutucada (nudge) foi popularizado no livro de 2008, de co-autoria de Richard Thaler e Cass Sunstein. A cutucada é algo que altera o comportamento das pessoas sem alterar os incentivos econômicos, mas focando na “forma” para fazer esta mudança.

O exemplo que tornou-se popular foi um problema no Aeroporto de Amsterdã, onde os banheiros masculinos estavam sujos. A administração do aeroporto decidiu pintar cada mictório com uma “mosca”. Este simples desenho melhorou a pontaria dos homens, reduzindo a sujeira dos banheiros.

A popularização da ideia foi tamanha logo assim que o livro Nudge foi lançado. Diversos governos decidiram criar uma unidade que envolvesse o estudo da forma como as opções são apresentadas ao usuário. Sunstein foi trabalhar para o governo Obama, onde procurou incentivar o uso das cutucadas na formulação de políticas federais. A Inglaterra criou um unidade comportamental, onde tal estratégia contribuiu para redução na prescrição de antibióticos pelos médicos de família. O fisco inglês conseguiu um aumento no número de contribuintes, através de uma mensagem para alguns deles.

As críticas não demoraram a aparecer. Algumas delas focavam na “manipulação” das cutucadas. A chegada da pandemia trouxe algum prejuízo para as pesquisas na área. Em primeiro lugar, alguns defensores das cutucadas se posicionaram de forma polêmica: o chefe da equipe inglesa na área, David Halpern, foi acusado de ser contra medidas enérgicas. Um investigação subsequente mostrou que a opção do governo Johnson por medidas mais brandas partiu da suposição que as pessoas não iriam fazer o bloqueio.

O problema é que uma pandemia seria um evento extremo e as cutucadas foram “criadas” para situações corriqueiras. A questão é saber se as cutucadas poderiam funcionar nas condições apresentadas após março de 2020. As pesquisas realizadas desde então parecem estar mostrando que as cutucadas não foram relevantes nestes casos. Um experimento na Itália mostrou que a maioria das pessoas já sabia o que seria necessário fazer e estavam seguindo as ordens, sem a necessidade das cutucadas.

Pensar que cutucadas podem solucionar os problemas do mundo é uma atitude inocente. Imaginar toda intervenção terá resultado também. As cutucadas funcionam sob certas condições e pandemia ajudou a lembrar disto.

Sobre este assunto, recomendo a leitura do artigo da UnDark, The Subtle Psychology of Nudging During a Pandemic

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sexta-feira, janeiro 07, 2022

Cutucadas (Nudges) funcionam? Uma meta-análise parece indicar que sim


Desde que o conceito de cutucão (nudge) apareceu no livro de Thaler e Sunstein, diversas aplicações foram realizadas e os efeitos reportados em artigos científicos. O processo de meta-análise corresponde a um grande "resumo" dos estudos para tentar verificar se existe um padrão nos resultados. Em 2019 um estudo com cem pesquisas mostrou que as cutucadas produzem resultados em 62% dos casos, mas que alguns tipos de intervenções não tiveram o sucesso esperado.

Um ano depois outro estudo concluiu que as cutucadas produzem resultados que são estatisticamente significativos. Agora uma pesquisa publicada com 455 situações, de 214 artigos, mostram que as cutucadas afetam o comportamento das pessoas. Este efeito muda conforme o tipo de situação, assim como em 15% dos casos as cutucadas podem ou não dar resultado ou provocar um comportamento oposto ao pretendido. O sucesso ou insucesso pode ser resultado de um maior ou menor processamento da informação ou valores e objetivos individuais. 

Uma situação interessante é que as cutucadas relacionadas com alimentos produzem mais efeito que as cutucadas na área de finanças. 

Um típico problema do estudo de meta-análise é o viés da publicação. Ou seja, estudos com resultado positivo são publicados e estudos com resultado negativo ou sem resultado não são aceitos para publicação. O artigo de 2022 constatou que este viés existe no sentido de publicação de resultados positivos. Em termos práticos, o percentual de eficiência das cutucadas deve ser visto com ressalva. 

Pesquisa original: Mertens, S., Herberz, M., Hahnel, U. J. J. , & Brosch, T. (2022). The effectiveness of nudging: A meta-analysis of choice architecture interventions across behavioral domains. PNAS.

Via aqui

Foto: Goodman

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terça-feira, abril 24, 2018

Privacidade Online e Comportamento

Durante o depoimento de Zuckerberg ao legislativo dos Estados Unidos, o CEO do Facebook propôs como solução para os problemas de privacidade da rede social que o usuário escolhesse o nível desejado. Em um artigo para o NY Times, Porter lembrou que isto é uma armadilha.

Quando uma empresa deixa a critério do usuário escolher o nível de privacidade, o mesmo não será mais cauteloso, mas sim deverá compartilhar ainda mais suas informações pessoais. Isto tem o nome de paradoxo do controle e já foi objeto de pesquisa acadêmica. Trata-se de um problema comportamental que poderia ser também chamado de “dar mais corda para se enforcar”.

Outra forma de agir é a chamada “configuração padrão” ou “default”. Geralmente as pessoas tendem a manter a configuração padrão oferecida, mesmo que isto possa ser mudado facilmente. Seria o efeito Nudge, de Thaler. Em 2005 a configuração padrão do Facebook revelava poucas informações pessoais; em 2010, mais informações ficaram disponíveis. Trocamos nossa diversão por informação.

E mesmo as pessoas que se mostram preocupadas com a privacidade, lembra Porter, é capaz de trocar informação por um agrado. Assim, as propostas para resolver a crise provocada pelo Facebook pode ser a pior solução.

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quarta-feira, setembro 30, 2015

Empurrão no Setor Público

O New York Times relatou uma experiência interessante feita pelo governo federal dos Estados Unidos. Nas solicitações de produtos e serviços, o fornecedor passou a assinar o formulário no início e não no final. O resultado foi uma economia de 1,59 milhões de dólares durante os três meses de experimento.

 Este tipo de mudança foi apresentado por Richard Thaler (e Cass Sunstein) no livro Nudge. A idéia é que pequenas mudanças podem fazer diferença no comportamento das pessoas. O exemplo interessante citado por Thaler é a pintura de uma mosca no mictório dos homens, que reduziu a quantidade de líquido despejada fora do local apropriado. Ainda segundo o jornal, a Casa Branca anunciou a criação do Social and Behavioral Sciences Team para encorajar estes experimentos.

No passado, quando era chefe de Departamento na minha universidade, fiz um experimento deste tipo. Diante da reclamação do funcionário de que as pessoas levavam as canetas Bic para casa, comprei duas ou três canetas da Xuxa, coloridas e chamativas. Meses depois este funcionário deu o depoimento de que a caneta ainda estava sendo usada e que as pessoas lembravam que a caneta não era sua.

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terça-feira, março 24, 2015

Conta de Luz

Neste momento que o governo tenta fazer com que as pessoas economizem água e energia, um exemplo de Cingapura.

A conta mostra o consumo nos últimos meses, mas também um comparativo interessante:
O consumo pessoal, dos vizinhos e nacional. Uma solução que lembra os conselhos de Nudge

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domingo, outubro 10, 2010

História


Acima, um dos primeiros exemplos de uso do "nudge" de Thaler. O texto diz:

"Você concorda com a reunificação da Áustria com o Reich alemão, que foi promulgada em 13 de Março de 1938 e irá votar no partido do nosso líder, Adolf Hitler;? Sim, Não"

Fonte: Marginal Revolution

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sexta-feira, julho 23, 2010

Qual o poder da abordagem comportamental?

Depois do sucesso dos trabalhos dos pesquisadores acadêmicos, ocorreu um exagero na crença que tudo seria possível usando as abordagens comportamentais.

O exemplo deste extremo encontra-se na obra Nudge, de Thaler, onde diversas propostas foram feitas no sentido de melhorar a vida das pessoas. Isto incluía desde a quantidade de dinheiro poupado pela população até as situações prosaicas, como a limpeza dos banheiros masculinos.

Isto levou os governantes acreditarem que, com pequenas mudanças nas abordagens dos problemas, poderia resolver grandes problemas, sem muito esforço. Assim, na Inglaterra adotou-se um sistema de informar aos moradores a quantidade de eletricidade consumida pelos vizinhos.

O uso da abordagem comportamental como panacéia para todos os problemas começa a ser questionado. Mas as dúvidas não são provenientes dos economistas tradicionais, que acreditam na força do mercado. Mas dos próprios pesquisadores da área.

Dois autores da área, George Loewenstein e Peter Ubel observaram que as políticas baseadas nas suposições comportamentais não são suficientes para resolver os problemas. O programa britânico de economia de energia, através da informação do consumo do vizinho, reduziu somente 1 a 2,5%, um valor muito pequeno.

Para ler mais

Can behavioral economics cause real harm? – Reuters – 15 jul 2010 -

The Limits of Behavioral Economics – Stephen Dubner,

Is behavioural economics a political placebo?

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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Nota de zero rúpia

Na Índia uma organização sem fins lucrativos desenvolveu um projeto para lugar contra a corrupção. Apesar da corrupção ser um crime punido, é raro existir resistência por parte das pessoas comuns quando funcionários públicos exigem o "do café". A ONG lançou uma nota de zero rúpia, moeda local, que representa uma declaração contra a corrupção.

Conforme o sítio Nudge, o programa é um sucesso já que existem pessoas dispostas a utilizar as notas. Elas tem pouco a perder e as notas é um sinal de que existe uma organização que está lutando contra a corrupção.

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terça-feira, março 24, 2009

Neuroeconomia

Aquiles Mosca tem escrito muitos textos sobre Finanças Comportamentais. Possui inclusive um livro sobre o assunto. Guardei o texto abaixo para uma postagem especial, pois com o passar do tempo surgiram diversas citações que complementam as afirmações de Mosca. Primeiro o texto:

Investimentos
De que forma a mente influencia as decisões futuras?
Valor Econômico – 18/2/2009


Com os avanços da neurociência, abriu-se uma empolgante forma de estudar a mecânica mental por trás do processo decisório. Cientistas são capazes de mapear em tempo real quais regiões do cérebro são estimuladas quando somos colocados diante de diversas situações. Profissionais de marketing têm recorrido a isso para identificar que tipo de mensagem tem maior probabilidade de ficar registrada de forma positiva no cérebro para criar estratégias de comunicação para influenciar consumidores. O mesmo pode ser feito quando lidamos com investidores. Que parte do cérebro reage ao observarmos ganhos e perdas? De que forma ficam registradas em nossa mente e como influenciam decisões futuras?

Sempre que uma região do cérebro é estimulada, ela é irrigada por um fluxo adicional de oxigênio. Ao monitorar esse fluxo de oxigênio - e sabendo que regiões são responsáveis por quais sentimentos (prazer, medo, frustração etc) -, podemos saber o efeito que determinado estímulo causa sobre nós.

Além disso, a descoberta dos marcadores somáticos permitiu compreender de que forma tais impressões ficam registradas e como são recuperadas quando precisamos tomar novas decisões. Os marcadores somáticos são relevantes se lidamos com estímulos que causam sentimentos de recompensa e punição. Por exemplo, se você alguma vez retirou um bolo recém-preparado do forno e queimou seu dedo, essa experiência ativará seus marcadores somáticos, que gravarão uma impressão duradoura em seu cérebro que será recuperada sempre que você precisar lidar com um forno. Esse tipo de influência sobre o processo decisório é mais relevante quanto mais complexa, conflitante e ambígua for a decisão. Desnecessário dizer que o mercado financeiro está repleto de decisões desse tipo.

A teoria financeira comportamental tem bem registrado que o desprazer associado à perda é superior à sensação de recompensa quando há ganho da mesma proporção. Registramos de forma mais significativa experiências de perdas - a atividade cerebral no hemisfério que reage à sensação de punição e perdas é mais intensa - do que em situações de ganhos. Essa assimetria explica porque temos aversão a perdas e não ao risco. O problema ocorre quando o risco se materializa, traduzindo-se em prejuízo.

Foi exatamente isso que observamos na segunda metade do ano passado, quando as bolsas recuaram ao redor do mundo. Contudo, de 2003 à primeira metade de 2008, observamos um mercado acionário em alta contínua. Nesse período, o Ibovespa acumulou alta superior a 450%. O investidor que tinha ações experimentou uma sensação de acerto e satisfação. Viu seu patrimônio subir e, contagiado pelo entusiasmo com tais retornos, elevou ainda mais a parcela de sua poupança aplicada na bolsa. Não foi raro vermos aplicadores com mais de 80%, ou até mesmo todos os recursos aplicados na Bovespa, em um claro sinal de excesso de confiança e diversificação deficiente.

Como consequência da crise internacional, a bolsa brasileira teve queda na segunda metade do ano passado. Em 2008, o recuo do Ibovespa foi superior a 44%. Essa queda pegou parte dos aplicadores com mais recursos investidos em bolsa do que seria recomendado para seu perfil de risco. Naquele instante, o investidor passou a registrar aumento na atividade no hemisfério do cérebro responsável pela sensação de perda e punição. Os marcadores somáticos entram em ação, gravando a impressão de perda em sua mente de maneira intensa, duradoura e mais do que proporcional ao prazer que sentia durante períodos de alta.

Foi muito comum vermos investidores que, observando a queda da bolsa na segunda metade de 2008, resolveram zerar suas posições no final de novembro, quando os maiores movimentos de saques foram registrados na bolsa brasileira. Ao agir dessa forma, venderam suas ações após uma queda, isto é, venderam barato. E pior, observaram a bolsa retomar o movimento de alta nos meses de dezembro e janeiro.

A dinâmica mental descrita é um argumento a favor da disciplina. A forma como nosso cérebro registra, armazena e recupera experiências que envolvem perdas e ganhos nos induz a um excesso de iniciativa que é prejudicial à boa gestão. Impele-nos a vender na baixa e comprar na alta. Leva-nos a superestimar nossa propensão ao risco durante a alta e a subestimá-la nas quedas. Ganha mais quem define uma alocação em ativos de risco compatível com sua tolerância e as mantem com disciplina. O investidor precisa estar disposto a enfrentar flutuações e eventualmente perdas em horizontes mais curtos para que não esteja fora da bolsa nos momentos de recuperação que, via de regra, ocorrem de maneira concentrada no tempo.

Aquiles Mosca é estrategista de investimentos pessoais e superintendente de vendas da Santander Asset Management. É autor dos livros "Investimento sob medida" e "Finanças Comportamentais"


Aqui uma pesquisa prática sobre a neuroeconomia Calendário de mulher nua torna mais provável o homem tratar a mulher como objeto.

Outra pesquisa é a neurociência da jogatina

Com respeito a bolsa de valores, uma interessante explicação está no livro Nudge, de Thaler e Sunstein, onde os autores explicam o comportamento sob a ótica da contabilidade mental. [Embora não recomende o livro, não pela qualidade do assunto e dos autores, mas pelo estilo, árido demais.]

Outra pesquisa mostra a influência das redes sociais no cérebro das crianças.

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quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Comportamento no restaurante

As pessoas tendem a comer mais em grupos do que quando estão sozinhos, pois imitam os hábitos alimentares de outros. Mas há alguns indícios de que a quantidade de comida que alguém consome é uma função linear do número de pessoas sentadas com eles.
Fonte: Aqui

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terça-feira, fevereiro 10, 2009

O Empurrão

O destaque dos últimos dias em finanças comportamentais tem sido a questão do empurrão. O livro Nudge, de Thaler e Sunstein, despertou discussões, mas tornou-se destaque mesmo quando Obama, o atual presidente dos EUA e também professor da Universidade de Chicago, levou para o governo Sunstein.

A situação que melhor ilustra o empurrão é o caso do banheiro masculino do aeroporto de Amsterdã. Um dos problemas dos sanitários masculinos é a dificuldade que certos homens possuem em acertar o alvo. O aeroporto de Amsterdã conseguiu melhor o nível de acerto desenhando nos vasos uma pequena mosca. Este desenho atrai a atenção do usuário e melhora sua pontaria.

Particularmente prefiro a questão da doação dos órgãos, que pode ser melhorada num país alterando o default. Hoje, quando um brasileiro morre, os seus órgãos somente são utilizados quando existe a autorização expressa da família ou do indivíduo. Este é o default. A proposta é alterar para tornar automático a doação, a não ser que a família ou indivíduo se oponha.

Em When Humans Need a Nudge Toward Rationality (New York Times, 7/2/2009), Jeff Sommer faz um breve resumo da questão do empurrão. Sommer destaca muito a evidenciação, como um papel chave no processo.

Já em Online Competition Searches for ´Nudges´ That can lead to better health (States News Service, 9/2/2009) anuncia-se um concurso interessante: a Pioneer Portfolio da Robert Wood Johnson Foundation (RWJF) e a Ashoka’s Changemakers lançaram uma pesquisa para encontrar nudges que ajudem as pessoas a tomarem decisões corretas.

(Entre os jurados, Wellington Nogueira Santos, fundador dos Dotores da Alegria.)

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quinta-feira, janeiro 29, 2009

Finanças Comportamentais no Poder

Segundo o Chicago Tribune (Left not sold on Obama's regulation czar pick: Cass Sunstein's critics say cost-benefit reliance tips toward industry , Tom Hamburger & Christi Parsons, 25/1/2009) o professor da Harvard Law School, Cass Sunstein, é um amigo do presidente Barack Obama e foi nomeado para o Federal Office of Information and Regulatory Affairs. Ou seja, um órgão vinculado a regulação dos negócios.

Sunstein foi professor da University of Chicago Law School, onde Obama também ensinava, e seu trabalho inclui a questão comportamental. Talvez a sua obra de maior destaque seja o livro Nudge, em co-autoria com Richard Thaler (este sim, mais conhecido na área de finanças comportamentais).
Isto talvez seja um alento de que políticas públicas poderão ser mais criativas. Mais sobre o assunto, aqui

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