segunda-feira, junho 20, 2022

Excesso de Confiança

 

  • Quantos países fazem parte da Fifa? Chute um número aproximado.

  • Eu apostaria entre 100 a 120 países

  • Certeza?

  • Vai por mim. 


O excesso de confiança é uma das características do ser humano. Um teste comum realizado em pesquisas é fazer perguntas como “quantos países fazem parte da Fifa?” ou “qual a população da Islândia?” ou “quantas cachoeiras existem em Foz do Iguaçu?”. São perguntas genéricas; geralmente quando aplicamos, solicitamos que indique um intervalo onde você tem 90% de certeza que sua resposta estará correta. Um questionário com dez questões, espera-se que o respondente acerte nove respostas. 

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Veja o exemplo do número de países que fazem parte da Fifa. Para ter 90% de certeza que minha resposta é a correta, se eu não conheço o assunto, minha alternativa é informar um intervalo bastante amplo. Talvez entre 10 a 300 países. Parece uma resposta exagerada, mas o objetivo é ter a certeza de 90%. 


Dar um palpite mais conservador significa menos confiança no seu palpite. No caso acima, o número correto é 211. Bem acima do palpite entre 100 a 120 países. Tenho aplicado este teste em diversas turmas minhas. De uma maneira geral, das dez questões, os alunos acertam em torno de 3 a 4 questões. Isto significa que o número esperado, de nove questões certas, não foi alcançado. Mais ainda, os alunos que acertaram os nove intervalos, foram a exceção. 


A melhor forma de acertar o teste é necessário aumentar o intervalo. Se a pergunta é “Qual a população da Islândia?” e não tenho nenhum conhecimento sobre o que é Islândia o meu intervalo deve ser enorme. Talvez entre mil e cem milhões. Se sei que a Islândia é um país da Europa, que já jogou a copa do mundo, talvez possa restringir o intervalo entre cem mil e dez milhões. Sabendo que é um país perto do polo norte, o meu chute pode ser entre dez mil e cinco milhões. 


As pessoas tendem a ser confiantes nos seus palpites. Esta é a regra geral. Uma pergunta que demonstra o excesso de confiança é questionar, a um grande grupo, quem dirige melhor do que a média dos motoristas. O resultado do questionamento é que mais de 60% das pessoas afirmam que sim. Um economista sueco, Ola Svenson, fez uma pesquisa na Suécia e obteve 69% das pessoas dizendo sim. 


Outras pesquisas similares já foram feitas neste sentido. Algumas delas:

  • Foi perguntado a um casal, qual a contribuição individual de cada um para a união e felicidade do par. A soma da percentagem chega a mais de 100%; 

  • Para cada jogador de uma equipe de basquete foi questionada a sua contribuição para o resultado do time. A soma das percentagens também foi superior também a 100%;

  • Para um grande grupo de estudantes em diversos países do mundo: Qual a contribuição - de 0 a 100% - que o seu país deu para a história? O resultado dos Estados Unidos foi de 30%. Os russos responderam 60%; os canadenses 40%; malaicos responderam 49% e os portugueses 38%. A soma das respostas em 35 países foi de 1.156%, média de 33%. 


As pessoas tendem a atribuir o sucesso a seus próprios talentos e habilidades. Muito mais do que seria razoável. Mas quando existe um evento adverso, geralmente é o “azar” ou a “sabotagem”. Em finanças, os analistas de investimento costumam atribuir maior peso ao sucesso e esquecer as recomendações ruins. 

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O que explica a superconfiança? Há algumas respostas potenciais, como gênero - os homens são mais confiantes que as mulheres - a idade e a educação. Há uma certa controvérsia sobre a idade, mas as pesquisas mostram que geralmente as pessoas que são “especialistas” tendem a ser mais confiantes que os leigos. Os especialistas sabem mais que os leigos e isto se transforma em mais confiança. As características pessoais, bem como a vida passada de cada indivíduo também pode ajudar a entender o excesso de confiança. 


O teste da calibração foi aplicado a diferentes profissões e pessoas e os resultados mostraram que uma profissão em especial se destacou pelo elevado grau de acerto. Em outras palavras, essa profissão conseguiu indicar, com 90% de certeza, um intervalo correto para a respota do teste. Trata-se do meteorologista. Não foi o médico, ou advogado, ou analista de investimento ou contador. O grau de acerto destes últimos estava bem longe do pretendido. Somente o meteorologia cravou intervalos condizentes com o solicitado pelo teste.  


Mas o que faz com que o profissional que lida com o tempo tenha tido um resultado melhor que os demais? No exercício da sua profissão, o meteorologista lida com julgamentos que são repetitivos, que possuem um feedback constante, rápido e sem ambiguidades. “Para o dia de amanhã, a previsão do tempo é de chuva, com 70% de chance”. Este é um exemplo de previsão realizada pelo meteorologista. No dia seguinte basta verificar se chuveu ou não; em 70% dos dias com esta previsão, deve ter tido chuva. Caso contrário, o modelo usado pelo profissional não é adequado e precisa ser melhorado. Imagine agora que isto seja feito diariamente e em uma grande quantidade de locais. Com o passar do tempo e com os ajustes no modelo, o meteorologista começa a entender o que significa 70% de chance. A presença de um feedback constante, rápido e sem ambiguidades é muito importante para melhorar a previsão do tempo. Isto ajuda o profissional a entender melhor. Ser confiante na previsão do tempo não é bom, pois reduz a qualidade do trabalho realizado. 


Agora imagine o médico. Os profissionais da área de saúde gostam de alardear que são mais inteligentes que os outros mortais. Mas quando o médico examina um paciente, mesmo com a ajuda de exames sofisticados, em muitas situações não possui o feedback constante, rápido e sem ambiguidades. Fazendo a previsão de que o paciente deverá ter uma determinada doença, a confirmação do seu palpite poderá acontecer muito tempo depois. E talvez este médico nem tenha acesso a tal confirmação. 


Tome o analista de investimento que recomenda que seu cliente invista seus recursos em uma determinada empresa no mercado de capitais. Este analista dificilmente saberá se o cliente fez a sua recomendação, qual a quantidade de recursos investida e o tempo. O feedback pode ser demorado ou pode não existir. É bem complicado, pois se a ação da empresa subiu, mas caiu em duas semanas, podemos dizer se ele acertou ou errou? Mais ainda, o analista geralmente não pensa em termos de probabilidade - do tipo: “existe 75% de chance da ação subir”. A ausência do feedback constante, rápido e sem ambiguidade faz com que o analista faça algo bastante humano: valorize os seus acertos e atribua seus erros aos fatores externos. 


Geralmente quando pensamos em termos de finanças, não somos tão precisos quanto o meteorologista. Para termos um feeback sem ambiguidade é necessário determinar de forma precisa o que queremos. Ao fazer investimento, ter um retorno de 10% ao final de um ano. Com isto é possível verificar se a decisão foi adequada, sem uma confiança excessiva. 


Quando recebemos uma dica de investimento, é necessário lembrar que a pessoa pode ser excessivamente confiante na sua crença. Ser crítico neste momento pode ajudar a reduzir prejuízos futuros nas decisões. Da mesma forma, quando tomarmos uma decisão financeira importante, ter uma pessoa do lado que seja pessimista, que lembre o lado negativo, também pode ajudar a evitar futuros prejuízos. Entretanto, a realidade mostra que pessoas excessivamente confiantes tendem a afastar os “pessimistas” do seu ciclo de amizades. (Algumas pesquisas já mostraram que os confiantes tendem a ter um futuro melhor dentro da estrutura de uma organização)


É importante destacar que o excesso de confiança pode ter seu aspecto positivo também. Muitos desafios que resolvemos enfrentar são encorajados pelo mesmo comportamento. Os empreendedores, que podem ajudar a sociedade investimento em projetos que poucos acreditam, possuem esta característica. Isto pode ser positivo, pois alguns investimentos estão à espera das pessoas confiantes para arriscarem seus recursos. 


Para Ler sobre o Assunto: A literatura está refleta de análise do excesso de confiança. Mas o livro de Tali Sharot, O viés Otimista, publicado no Brasil pela Rocco, é uma boa referência inicial. Sobre a calibração, O sinal e o Ruído, de Nate Silver, da Intríseca, é um bom livro. 


Foto: Towfiqu barbhuiya

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segunda-feira, novembro 02, 2020

Sunstein e o excesso de confiança em "especialistas"


No início da pandemia, Cass Sunstein (co-autor de Nudge) criticou o excesso de medo das pessoas, em fevereiro deste ano. Um mês depois, mudou de opinião. Conforme Michael Story e Stuart Richie (How the experts messed up on Covid), se tivesse reconhecido a besteira que disse, talvez Sunstein não seria contratado pela Organização Mundial de Saúde para ser o chair em “Technical Advisory Group on Behavioural Insights and Sciences for Health”. 

Mas há outros exemplos. A própria OMS foi contra o uso de máscaras. O problema não seria declarações erradas de entidades como a OMS ou pessoas como Sunstein. O problema real é o excesso de confiança. E humildade para o debate, como parece ser o caso de Sunstein. O caso das máscaras mostra como fazer afirmações sem uma base sedimentada por tornar difícil a mudança de opinião, como novos fatos, sem perder prestígio. E as pessoas continuarão a usar seus argumentos para defender uma posição contra o uso de máscaras, mesmo que tenha mudado de opinião. 

Uma entidade de saúde dos Estados Unidos chegou a apelar para as pessoas "não comprarem máscaras". 

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domingo, maio 03, 2020

Humildade

Humildade epistêmica - conhecendo seus limites em uma pandemia
Por Erik Angner
13 de abril de 2020

 "Ignorância", escreveu Charles Darwin em 1871, "gera mais confiança do que conhecimento".

Vale a pena ter em mente o insight de Darwin ao lidar com a atual crise de coronavírus. Isso inclui nos, que somos cientistas comportamentais. O excesso de confiança - e a falta de humildade epistêmica de maneira mais ampla - podem causar danos reais.

No meio de uma pandemia, o conhecimento é escasso. Não sabemos quantas pessoas estão infectadas ou quantas serão. Temos muito a aprender sobre como tratar as pessoas doentes - e como ajudar a prevenir a infecção naquelas que não estão. Há um desacordo razoável sobre as melhores políticas a serem adotadas, seja sobre assistência médica, economia ou distribuição de suprimentos. Embora os cientistas do mundo todo estejam trabalhando duro e em conjunto para resolver essas questões, as respostas finais estão a alguns passos de distância.

Outra coisa que é escassa é a percepção de quão pouco sabemos. Mesmo uma rápida olhada na mídia social ou tradicional revelará muitas pessoas que se expressam com muito mais confiança do que deveriam. O estudioso jurídico Richard A. Epstein, da Hoover Institution, afirma incorretamente ter experiência em epidemiologia. Suas previsões foram provadas falsas dentro de uma semana. O genro do presidente Jared Kushner, que supostamente está dirigindo a resposta da Casa Branca, não possui nenhum conhecimento ou treinamento relevante para o domínio - mas não deixa que esse fato o impeça de contradizer e anular as autoridades de saúde dos EUA. Peter Navarro, Consultor comercial da Casa Branca, acredita que seu treinamento em ciências sociais lhe deu todas as ferramentas necessárias para avaliar a ciência médica.

Exemplos menos espetaculares de excesso de confiança são abundantes. Muitos comentaristas falam como se soubessem qual é a melhor abordagem política diante do coronavírus. Ninguém ainda está em posição de saber. Isso não quer dizer que devemos adiar a tomada de decisões até conhecermos todos os fatos: as decisões geralmente precisam ser tomadas com informações imperfeitas. É dizer que não teremos conhecimento sobre o que aconteceu e o que funcionou até o término do surto e medidas temporárias levantadas.

Expressões frequentes de suprema confiança podem parecer estranhas à luz de nossa óbvia e inevitável ignorância sobre uma nova ameaça. A questão do excesso de confiança, no entanto, é que ela afeta a maioria de nós a maior parte do tempo.

Expressões frequentes de suprema confiança podem parecer estranhas à luz de nossa óbvia e inevitável ignorância sobre uma nova ameaça. A questão do excesso de confiança, no entanto, é que ela afeta a maioria de nós a maior parte do tempo. Segundo os psicólogos cognitivos, que estudam o fenômeno sistematicamente há meio século, o excesso de confiança tem sido chamado de "mãe de todos os preconceitos psicológicos". A pesquisa levou a descobertas que são ao mesmo tempo hilariantes e deprimentes. Em um estudo clássico, por exemplo, 93% dos motoristas norte-americanos afirmaram ser mais hábeis do que a mediana - o que não é possível.

"Mas certamente", você pode objetar, "o excesso de confiança é apenas para amadores - os especialistas não se comportariam assim." Infelizmente, ser um especialista em algum domínio não protege contra o excesso de confiança . Algumas pesquisas sugerem que os mais instruídos são mais propensos ao excesso de confiança. Em um famoso estudo de psicólogos clínicos e estudantes de psicologia, os pesquisadores fizeram uma série de perguntas sobre uma pessoa real descrita na literatura psicológica. À medida que os participantes recebiam mais e mais informações sobre o caso, sua confiança em seus julgamentos aumentava - mas a qualidade de seus julgamentos não. E psicólogos com doutorado não tiveram desempenho melhor do que os alunos.

Ser um verdadeiro especialista envolve não apenas conhecer coisas sobre o mundo, mas também conhecer os limites de seu conhecimento e experiência.

Ser um verdadeiro especialista envolve não apenas conhecer coisas sobre o mundo, mas também conhecer os limites de seu conhecimento e experiência. Requer, como dizem os psicólogos, habilidades cognitivas e metacognitivas. A questão não é que os verdadeiros especialistas ocultem suas crenças ou que nunca falem com convicção. Algumas crenças são mais bem sustentadas pelas evidências do que outras, afinal, e não devemos hesitar em dizê-lo. O ponto é que os verdadeiros especialistas se expressam com o grau adequado de confiança - ou seja, com um grau de confiança justificado, dada a evidência.

Compare a arrogância de Epstein, Kushner e Navarro com o estatístico médico Robert Grant, que twittou : “Estudei essas coisas na universidade, fiz análise de dados por décadas, escrevi várias diretrizes do NHS (incluindo uma para uma doença infecciosa) e as ensinei a profissionais de saúde. É por isso que você não me vê fazendo previsões sobre o coronavírus.

O conceito de humildade epistêmica é útil para descrever a diferença entre esses dois tipos de caráter. A humildade epistêmica é uma virtude intelectual. Está fundamentado na percepção de que nosso conhecimento é sempre provisório e incompleto - e que pode exigir revisão à luz de novas evidências. Grant aprecia a extensão de nossa ignorância nessas condições difíceis; os outros personagens não. A falta de humildade epistêmica é um vício - e pode causar danos maciços tanto em nossas vidas particulares quanto nas políticas públicas.

Calibrar sua confiança pode ser complicado. Como Justin Kruger e David Dunning enfatizaram , nossas habilidades cognitivas e metacognitivas estão interligadas. As pessoas que não possuem as habilidades cognitivas necessárias para executar uma tarefa geralmente também não possuem as habilidades metacognitivas necessárias para avaliar seu desempenho. Pessoas incompetentes estão em dupla desvantagem, uma vez que não são apenas incompetentes, mas provavelmente desconhecem isso. Isso tem implicações imediatas para epidemiologistas amadores. Se você não possui o conjunto de habilidades necessárias para fazer a modelagem epidemiológica avançada, deve presumir que não pode diferenciar bons modelos de maus.

A humildade epistêmica é uma virtude intelectual. Está fundamentado na percepção de que nosso conhecimento é sempre provisório e incompleto - e que pode exigir revisão à luz de novas evidências.

Nunca houve um momento melhor para praticar a virtude da humildade epistêmica. Isso é particularmente verdade para aqueles de nós com algum tipo de conhecimento - talvez como cientistas comportamentais - e que desejam se tornar relevantes e úteis. Nosso conhecimento e experiência são necessários para lidar com os desafios futuros. Mas não estamos fazendo um favor a ninguém quando pretendemos saber mais do que realmente sabemos.

E nunca foi tão importante aprender a separar o joio do trigo - os especialistas que oferecem informações de boa procedência dos charlatães que oferecem pouco, mas desorientação. Estes últimos são tristemente comuns, em parte porque estão em maior demanda na TV e na política. Pode ser difícil dizer quem é quem. Mas prestar atenção à sua confiança oferece uma pista. Pessoas que se expressam com extrema confiança sem ter acesso a informações relevantes e a experiência e o treinamento necessários para processá-las podem ser classificadas com segurança entre os charlatães até novo aviso.

Pessoas que se expressam com extrema confiança sem ter acesso a informações relevantes e a experiência e o treinamento necessários para processá-las podem ser classificadas com segurança entre os charlatães até novo aviso.

Se o conhecimento não protege contra o excesso de confiança, o que faz? De fato, a pesquisa sugere uma coisa simples que todos podem fazer. É para considerar as razões pelas quais você pode estar errado. Se você deseja reduzir o excesso de confiança em si mesmo ou em outras pessoas, basta perguntar: Quais são as razões para pensar que essa afirmação pode estar errada? Sob que condições isso estaria errado? Tais questões são difíceis, porque estamos muito mais acostumados a procurar por razões pelas quais estamos certos . Mas pensar nas maneiras pelas quais podemos falhar ajuda a reduzir o excesso de confiança e promove a humildade epistêmica.

Novamente, é bom e bom ter opiniões e expressá-las em público - mesmo com grande convicção. A questão é que os verdadeiros especialistas, diferentemente dos charlatães, se expressam de uma maneira que reflete suas limitações. Todos nós que queremos ser levados a sério fariam bem em demonstrar a virtude da humildade epistêmica.

Erik Angner Colunista Fundador

Erik Angner é professor de filosofia prática na Universidade de Estocolmo. Ele estuda história da economia e filosofia da ciência, com formação em economia neoclássica e comportamental. Ele é autor de Um curso de economia comportamental (3ª edição).

Leitura e Recursos Adicionais
Angner, E. (2006). “Economists as Experts: Overconfidence in Theory and Practice.” Journal of Economic Methodology, 13(1), 1–24. Lichtenstein, S., & Fischhoff, B. (1980). Reasons for confidence. Journal of Experimental Psychology: Human Learning and Memory, 6(2), 107-118. Moore, D. (2020). Perfectly Confident: How to Calibrate Your Decisions Wisely. New York, NY: HarperCollins. Porter, T. (2018). The Benefits of Admitting When You Don’t Know. Behavioral Scientist.

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terça-feira, fevereiro 11, 2014

Pessoas Ruins Vencem na Vida

Stumbling and Mumbling apresenta a receita para ser bem sucedido, baseado em pesquisas empíricas. Eis as recomendações: 

1. Não seja bom. Um trabalho de Guido Heineck encontrou que pessoas menos agradáveis ganham mais.

2. Seja irracionalmente confiante. Pessoas com excesso de confiança parecem demonstrar mais competência que os outros. Eles falam mais alto e tem uma linguagem mais firme, que as pessoas confundem com competência.

3. Seja narcisista. Executivos mais narcisistas recebem mais, embora não desempenhe melhor seu trabalho. 

4. Seja psicopata. As pessoas levemente psicopatas estão representadas em excesso nos conselhos das empresas. Ou seja, o mundo do trabalho é um local de pessoas ruins.

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quarta-feira, setembro 28, 2011

Excesso de Confiança

Quando um professor aplica uma prova individual ele tenta medir o conhecimento de cada aluno. Entretanto, em algumas situações, um professor pode elaborar uma avaliar com consulta, incluindo ao colega. De uma maneira geral, acreditamos que o resultado da avaliação tende a melhor, premiando o grupo como um todo.

Uma pesquisa recente, realizada em Nottingham, mostrou que isto nem sempre é verdadeiro. Duas telas feitas, uma de Klee e outra de Kandinsky, foram apresentadas para dois grupos de pessoas. O primeiro grupo, as decisões deveriam ser individuais. No segundo grupo, as pessoas podiam discutir antes de tomar a decisão. O grupo que fez a consulta teve resultado pior. Ou seja, a consulta dentro do grupo piora o processo decisório, mesmo que as pessoas tenham considerado interessante a conversa no grupo.

Isto é estranho já que para grandes grupos o processo decisório parece melhorar (vide o livro A Sabedoria das Multidões).

Uma possível explicação para o resultado é que este tipo de decisão não é possível provar, de antemão, que um dos componentes do grupo conhece realmente a distinção entre os dois pintores. Ou seja, a resposta não é “demonstrável”. Nestas situações, os membros do grupo são influenciados pelo excesso de confiança daqueles que se julgam especialistas. É como o jogo de conhecimento, onde é possível perguntar aos universitários. Se o universitário diz que “tem certeza” da resposta, o inocente tende a ser conduzido pelo excesso de confiança do especialista (neste caso, o universitário).

(Foto: aqui)

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quinta-feira, setembro 22, 2011

Confiança




Quem já foi vítima de uma ilusão de ótica sabe que os olhos podem nos enganar. Mas nosso cérebro nos engana de outras formas, e a mais bem estudada é o fenômeno do excesso de autoconfiança. Se perguntarmos a mil estudantes se eles se consideram líderes mais capazes do que a média do grupo, 70% afirmarão ser melhores que a média. Entre professores, 94% dirão ser melhores que a média de seus colegas. Entre médicos, 80% vão se achar mais competentes e o mesmo ocorre entre investidores, políticos e motoristas de carro. Como é matematicamente impossível mais da metade de uma população ser melhor que a média, esses resultados demonstram que os seres humanos expressam um excesso de autoconfiança sempre que se comparam a seus pares. A única amostra de seres humanos na qual a autoavaliação se comporta como o esperado (aproximadamente 50% se acham piores que a média e 50% melhores que a média) é a composta por indivíduos com diagnóstico clínico de depressão.


Esse excesso de autoconfiança independe da idade, da cultura, do nível educacional ou da posse de bens materiais. Todos os estudos indicam que essa forma de autoengano é uma propriedade intrínseca e hereditária do cérebro humano. Mas se ela é uma característica do ser humano, como teria surgido e sobrevivido à seleção natural? Ninguém duvida que o excesso de autoconfiança provoca avaliações equivocadas e uma propensão exagerada a correr riscos. Portanto - raciocinavam os geneticistas - se ela é prejudicial, pessoas com excesso de autoconfiança deveriam ter menos chance de sobreviver e, ao longo de milhões de anos, a seleção natural deveria ter selecionado indivíduos com uma capacidade crescente de autoavaliação. Mas por que isso não ocorreu? Agora, um grupo de cientistas propôs uma explicação para a manutenção do excesso de autoconfiança nas populações humanas.


Imagine duas pessoas que desejam um mesmo objeto. Se ambas tentam agarrar o objeto, acabam brigando. Nesse caso, ambas pagam um preço por terem brigado (se machucam, por exemplo) e a mais forte fica com o objeto.


Se nenhuma tenta capturar o objeto, nenhuma paga o preço da briga, mas tampouco fica com o objeto. Mas, se as duas pessoas puderem estimar corretamente a capacidade de briga do concorrente, a melhor estratégia é o mais fraco abdicar da briga e o mais forte ficar com o objeto (neste caso, a vantagem do mais fraco é não ter o custo de brigar).


Imagine agora que o custo da briga diminui a capacidade reprodutiva do indivíduo, mas a posse do objeto aumenta sua capacidade reprodutiva. Usando este modelo, os cientistas simularam populações de indivíduos que competiam pelos objetos e se reproduziam dependendo do balanço entre o "custo reprodutivo" provocado pela briga e o "lucro reprodutivo" resultante da posse do objeto. Essas simulações foram repetidas milhares de vezes ao longo de centenas de gerações, variando a distribuição dos níveis de autoconfiança na população original, o custo reprodutivo da briga e a vantagem reprodutiva conferida pela posse do objeto.


Os resultados demonstram que sempre que o custo da briga é baixo em relação à vantagem conferida pelo objeto, os indivíduos com um excesso moderado de autoconfiança acabam predominando na população. Também ficou claro que os indivíduos com uma avaliação precisa de sua capacidade de briga somente têm vantagens sobre os excessivamente autoconfiantes em muito poucos cenários, geralmente quando o custo da briga é significativamente maior que a vantagem conferida pela posse do objeto. Ou seja, possuir um excesso de autoconfiança e consequentemente disputar algumas brigas nas quais a derrota advém da má avaliação do adversário parece ser a estratégia que garante uma melhor capacidade reprodutiva.


Esses resultados não somente propõem uma explicação para a origem de nosso excesso de autoconfiança, mas explicam sua manutenção nas populações atuais. Se realmente somos excessivamente autoconfiantes e inerentemente propensos a tomar riscos isto talvez ajude a explicar a instabilidade nos mercados financeiros, guerras e outros fenômenos que resultam de nossa incapacidade de avaliar com precisão nossos pares. Outra consequência dessa descoberta é que modelos econômicos que se baseiam na premissa de que as decisões humanas são racionais e derivadas da capacidade humana de avaliar objetivamente a realidade não se aplicam ao Homo sapiens que habita o planeta Terra.


Mais informações: THE EVOLUTION , OF OVERCONFIDENCE. NATURE VOL. 477 PAG. 317 2011.
A origem do excesso de autoconfiança - Fernando Reinach - Estado de S Paulo, A 26, 22 set 2011. Foto: aqui

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terça-feira, dezembro 14, 2010

Excesso de Confiança

Mais de 90% das decisões e reações feitas atrás do volante dependem de boa visão. Enquanto muitas pessoas acham que dias claros e ensolarados são ótimos para dirigir, a verdade é que o brilho cegante do sol, da neve e dos outros veículos é um fator que contribui muito com o número de acidentes de carro fatais. Além disso, pesquisa recente encomendada pela Essilor of America, Inc., líder mundial em lentes para óculos, revelou o fato perturbador de que 20% das pessoas que usam óculos às vezes dirigem sem os óculos de grau e usam óculos escuros sem grau, deixando a direção diurna perigosa sem necessidade.


Uma em cinco pessoas que usam óculos dirigem sem, informa pesquisa - PR Newswire

Isto recebe o nome de excesso de confiança.

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sábado, setembro 04, 2010

Confiança


Um artigo recente de Thaler para o NY Times (The Overconfidence Problem in Forecasting, 21 de agosto de 2010) discute a questão do excesso de confiança.

A maioria de nós pensa que estamos "melhor do que a média" na maioria das coisas.Nós também somos "descalibrados", significando que o nosso sentimento de probabilidade de eventos não está alinhado com a realidade. Quando dizemos que temos a certeza sobre um determinado fato, por exemplo, pode muito bem ser correto apenas a metade do tempo. (...)

Alguns economistas questionam se tais resultados experimentais são relevantes em mercados competitivos. Eles sugerem que os alunos, que muitas vezes servem como cobaias em tais testes, são confiantes, mas que os gestores do topo de grandes empresas são bem calibrados. Um estudo recente, no entanto, revela que esta visão é ela mesma confiante demais.


Num estudo de Itzhak Ben-David, John R. Graham e R. Campbell Harvey mostrou que a confiança excessiva também ocorre nos CFO quando se trata de prever o comportamento do índice SP 500. E são mal calibrados.

Muitos destes executivos não percebem que lhes falta capacidade de previsão.


Os efeitos são relevantes para as empresas:

Por exemplo, num artigo de 1986, o economista Richard Roll da Universidade da Califórnia, Los Angeles, sugere que excesso de confiança, ou o que ele chamou de arrogância, poderia explicar por que as empresas pagam grandes prêmios para assumir outros negócios. (...)

PROFESSOR ROLL recentemente escreveu outro artigo sobre este tema com três colaboradores franceses. Neste caso, eles investigaram uma forma particular de hubris - narcisismo - usando um indicador simples e discreto (...) o número de vezes que uma pessoa usa o pronome de primeira pessoa na comunicação. Eles descobriram que o CEO mais narcisista fazem aquisições mais agressivas a preços mais elevados (...)

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domingo, outubro 25, 2009

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quarta-feira, agosto 05, 2009

Excesso de confiança e Aprendizado formal


O objetivo desta pesquisa foi verificar o impacto do aprendizado formal de Controladoria na minimização do excesso de confiança em decisões gerenciais. Para isso foram delineados cenários experimentais com situações que envolvem alguns conceitos relevantes de Controladoria em que podem existir vieses cognitivos, como: (a) Custo de oportunidade; (b) Sunk Costs; (c) Custo de reposição; e (d) Teoria das restrições. Com o auxílio destes conceitos, busca-se entender o comportamento associado a vieses cognitivos provocados pelo Excesso de Confiança. O experimento contou com um grupo de controle, onde não existia a introdução de vieses nas questões às quais os respondentes foram submetidos, e dois grupos experimentais, onde os questionários continham os vieses, sendo a amostra composta por 155 estudantes dos cursos de graduação de Ciências Contábeis e Direito da Universidade Federal da Bahia. Para a análise do experimento, foi utilizada a Regressão Linear Múltipla. Os resultados encontrados apontaram para a inexistência de contribuições do aprendizado formal de Controladoria na redução da ocorrência do excesso de confiança, tendo o nível de desempenho acadêmico dos respondentes contribuído apenas no grupo de controle.


O APRENDIZADO FORMAL DE CONTROLADORIA MINIMIZA O EXCESSO DE CONFIANÇA EM DECISÕES GERENCIAIS? UM ESTUDO EXPERIMENTAL - César Valentim de Oliveira Carvalho Junior (USP), Joseilton Silveira da Rocha (UFBA) e Adriano Leal Bruni (UFBA)



Trata-se de um artigo apresentado no Congresso USP de 2009. Os autores testaram quatro hipóteses: (a) quanto maior o aprendizado formal, menor a ocorrência do excesso de confiança; (b) quanto maior o nível percebido de conhecimento em controladoria, menor o excesso de confiança; (c) quanto maior o desempenho acadêmico, menor o excesso de confiança; (d) quanto maior o estágio no curso, menor o excesso de confiança. O estudo conclui que apenas desempenho acadêmico minimiza o excesso de confiança.

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