segunda-feira, outubro 15, 2012

Efeito Manada


Remar contra a maré pode soar como uma péssima dica no mercado de capitais. Contudo, existem investidores que acreditam que isso não só é possível como também é lucrativo. A abordagem de investimento contrário ao mercado (contrarian investing) entende que a maioria das pessoas está, em muitas ocasiões, errada a respeito das decisões de compra e venda das ações. Segundo essa polêmica linha de raciocínio, a estratégia deve se pautar por comprar os papéis quando todo mundo está vendendo e vendê-los tão logo os demais passem a comprá-los. Esse tipo de investidor acredita que, quando uma oportunidade de investimento se torna reconhecida por todos no mercado, significa que o espaço para ganhos já passou. Para os contrarians, grande parte dos investidores tende a comprar ações quando elas já estão caras, seguindo um efeito de manada e, portanto, auferem poucos ganhos.

POR QUE IR CONTRA O MERCADO?

As bolhas especulativas são exemplos emblemáticos do efeito de manada ao qual os contrarians resistem. Muitos investidores novatos, entusiasmados com a possibilidade de ganho rápido, entraram no mercado pouco antes de haver o estouro das bolhas. É nesse momento que passam a atuar os que investem contra o mercado. Quando todo mundo estava comprando e acreditando numa oportunidade de fazer bons negócios, os contrarians percebiam que era hora de vender suas posições. Eles partem da lógica, contraintuitiva, de que o ser humano, naturalmente social, tem certa resistência em rejeitar seus pares e "ir contra a maré". É justamente no resistir a essa tentação que residem as oportunidades de ganhos para os contrarians.

A estratégia pode ser utilizada tanto para períodos curtos de tempo quanto para horizontes mais longos. Ela não se apoia só nos preços das ações — muitos investidores mesclam a estratégia de investimento em valor com o investimento contra o mercado. Nem sempre os resultados indicam a mesma decisão de compra ou venda, mas a análise dos fundamentos da empresa fornece mais um componente para o contrarian justificar sua posição.

OPÇÃO PELA FLEXIBILIDADE

Alguns investidores adotam posições baseadas em uma mentalidade permanente de queda ou de subida do mercado, como numa montanha-russa. Os seguidores da estratégia de investimento contra o mercado não têm essa postura. Os contrarians são flexíveis e estão constantemente avaliando, de maneira geral, tanto o preço da ação-alvo quanto o mercado.
AS LIÇÕES DE SER DO CONTRA

O investimento contra o mercado traz alguns insights interessantes, mesmo para investidores que não pretendam segui-lo. Por exigir um alto grau de disciplina e análise, o grupo dos contrarians é formado por investidores experientes e dedicados. Qualquer aplicador pode extrair pelo menos três lições dessa estratégia: 1. Pense diferente: a independência de pensamento que os contrarians utilizam requer autocontrole e a total separação da influência emocional na decisão de investir. Aliada à filosofia do "comprar na baixa e vender na alta", essa disciplina pode trazer bons ganhos para o investidor. 2. Não se baseie apenas na tendência de preços: alguns investidores adotam crenças predeterminadas a respeito do mercado — alguns são sempre otimistas; e outros, sempre pessimistas quanto às tendências da bolsa. Os contrarians estão permanentemente atentos às chances de fazer seu dinheiro render e buscam ser ágeis para acertar no timing de compra e de venda. Seja na baixa ou na alta, existem oportunidades de ganho. 3. Nem sempre a maioria está certa: não é correto dizer que a maioria do mercado está sempre errada, entretanto é igualmente falso assumir que ela está sempre certa. O contrarian prefere acreditar que a maioria tende a estar errada e agindo por impulso de manada. Manter a racionalidade e o distanciamento das emoções é uma importante disciplina para qualquer investidor.

E FUNCIONA?

Como um exemplo ilustrativo dessa estratégia, analisamos, entre 2008 e 2009, dez empresas que tiveram as quedas mais acentuadas da BM&FBovespa. Os papéis desse grupo de "perdedoras" despencaram, em 2008, 88% em média, mais que o dobro do índice Bovespa, que caiu 41%. O comportamento dessas mesmas dez ações foi bastante superior à média no ano seguinte — essa carteira hipotética subiu 238% em média —, quase três vezes a subida do Ibovespa no mesmo período (veja gráfico abaixo).

Isso significa que as ações que mais perderam em 2008 se mostraram grandes "vencedoras" no ano seguinte. Um investidor contrarian que tivesse comprado esses dez piores papéis de 2008 teria auferido um retorno bem superior à média de mercado. Essa evidência está em linha com o conceito de Beta, o indicador de risco apresentado no capítulo 3. Quanto maior o Beta, mais voláteis são os retornos, ou seja, tanto as altas quanto as baixas são mais intensas que a média do mercado.

Fugindo da manada - 16 de Outubro de 2012 - Revista Capital Aberto Especial - Rafael Liza

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terça-feira, agosto 30, 2011

Efeito manada





(...) O bom e velho efeito manada, com os investidores vendendo ações a qualquer preço. Mas para ganhar dinheiro na bolsa não é interessante comprar papéis justamente num momento de baixa? Ao se desfazer dos ativos, o investidor pode até estar cometendo um erro, mas errar em companhia da maioria é menos estressante, diz Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais da Santander Asset Management e especialista em finanças comportamentais. Já conviver com as consequências de um erro em virtude de um posicionamento oposto ao do grupo é um constrangimento que a maioria evita.


Segundo Mosca, existem quatro elementos principais que definem um movimento de manada. O primeiro é exatamente a necessidade que as pessoas têm de agir como a maioria; outro é a percepção de que as pessoas que estão a sua volta possuem uma boa razão para fazer o que estão fazendo, no caso, vendendo as ações. O terceiro elemento é a vontade de não ser o último a entrar ou sair do mercado e, por fim, a necessidade de fazer parte do grupo, independentemente deste estar certo ou errado.


A prova de que o investidor está se deixando levar muito mais pela emoção do que pela razão é que ele vendeu suas ações, ignorando qualquer notícia positiva que saísse. "O mundo não foi apenas desgraça nos últimos dias, saíram dados positivos da economia americana, o Banco Central Europeu voltou a injetar liquidez nos países e o investidor não colocou nada disso na balança na hora de decidir o que fazer com os papéis", diz Mosca. (...)

O velho efeito manada amplifica as perdas - Daniele Camba - Valor Econômico - 08/08/2011

É interessante notar que o efeito manada não tem sido considerado relevante pelos teóricos de finanças comportamentais. Wilkinson, em An Introduction to Behavioral Economics, não aborda este conceito.

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terça-feira, fevereiro 08, 2011

Música e dinheiro

A revista Isto É dinheiro fez uma seleção musical e relacionou com alguns conceitos importantes para as finanças pessoais (Afinadas).

Uma das canções selecionadas foi do Chico Buarque:

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
(Todos juntos – Chico Buarque, no musical Os Saltimbancos)

A seguir a explicação da revista:

A lição: cuidado com o efeito manada ao investir
Engana-se quem pensa que acompanhar os movimentos do mercado é a melhor forma de ganhar dinheiro na bolsa. Quando um grupo de investidores começa a comprar ou a vender determinadas ações, muitos outros vão atrás. Esse fenômeno é conhecido como efeito manada, que tende a se acirrar em horas de crise.“Os números e os fundamentos da companhia são mais importantes do que a opinião da multidão”, afirma o consultor de investimentos Mauro Calil. Ele lembra que boa parte dos investidores não tem paciência para ver suas economias crescer e recomenda considerar um trio bem afinado: valor aplicado, objetivo do investimento e prazo esperado para alcançar a meta.

É interessante que a canção diz exatamente o oposto da lição pregada pela revista. Para a música o “efeito manada” é bom.

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sábado, maio 30, 2009

Efeito Manada

Folha de São Paulo - 6/5/2009
PAULO RABELLO DE CASTRO
O retorno da bolha

A euforia, desta vez, é alimentada pelos bancos centrais com uma quantidade
sem precedentes de moeda

O SISTEMA de crédito norte-americano ainda vai precisar de uma grande faxina
de ativos desvalorizados antes de se ouvirem as trombetas da recuperação
global. O anúncio da concordata da Chrysler desmancha a profecia das
autoridades e dos diversos porta-vozes do setor financeiro de que o balanço
de lucros e perdas da crise já teria virado o "cabo da boa esperança".

Os grandes bancos americanos terão que contabilizar enormes perdas
adicionais decorrentes da transformação dos seus empréstimos às montadoras
GM e Chrysler em partes acionárias. Mas é possível também que, fora dos seus
balanços, os bancos problemáticos carreguem mais alguns bilhões em operações
de troca de riscos (ou "swaps") de crédito, tendo que arcar com o pagamento
integral de dívidas asseguradas, independentemente de as montadoras poderem
ou não saldar os valores originalmente devidos.

Se isso se confirmar, mais socorro do governo americano aos bancos por meio
do Tarp ("Troubled Asset Relief Program") vai se tornar indispensável. Desde
o início da crise, cerca de US$ 2,7 trilhões (cerca de 20% do PIB) já foram
despendidos pelo governo em operações de socorro ou estímulo.

Na absoluta contramão, os mercados de renda variável continuaram a emitir
sinais de euforia cada vez mais acentuados nas últimas semanas e dias. A
alta generalizada das Bolsas e das cotações em março, abril e nestes
primeiros dias de maio (no Brasil, isso ocorre desde o fim de 2008) é
interpretada por muitos como um sintoma inequívoco da virada, não só de
humor dos investidores como da próxima retomada de compras pelos
consumidores, mesmo nos países hoje mais afetados pela retração
generalizada. Está mais para retorno da bolha.

A leitura alternativa é que essa recuperação recente das cotações de Bolsa
de Valores e de commodities, especialmente petróleo e soja, foge aos padrões
esperados de oferta e demanda, para se localizar, de novo, como no ano
passado, na mesma febre especulativa que enfeitiçou os especuladores com
delírios de ganhos extraordinários. E por que essa nova bolha acontece? A
explicação ainda é a mesma que a de 2007 e a de 2008, só que a euforia,
desta vez, é alimentada pelas autoridades monetárias dos principais países
com uma quantidade sem precedentes de moeda, emitida para financiar as
operações de socorro. Sem risco imediato de inflação, o Fed dos EUA, os
bancos centrais da China e Japão, os bancos da Inglaterra e da Europa
passaram a utilizar o expediente das emissões sem lastro como recurso de
última instância para financiar as intervenções de ajuda dos seus governos
ao setor financeiro, às empresas em apuros e às agências hipotecárias insolventes.

A enorme liquidez adicional, neste primeiro momento, contorna o mercado de
empréstimos a empresas, de cujos riscos de crédito os bancos estão fugindo,
para se alojar no circuito mais líquido da compra e venda de ativos.
Constitui atrativo permanente a especulação compradora em mercados de
valores e commodities que permitem a entrada e a saída a qualquer momento,
embora extremante voláteis. São esses movimentos de acomodação da enorme
massa monetária adicional que, afinal, conduzem a estímulos altistas nas
Bolsas, como temos visto.

Mesmo um não especialista desconfiaria de que o apelo desesperado à injeção
de liquidez encontrará, mais à frente, empresas e indivíduos ainda mais
debilitados para prosseguir na rolagem de seus débitos. Mas, até lá, é uma
festa dos comprados.


Enviado por Camila MAchado. Grato.

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quarta-feira, maio 06, 2009

Efeito manada

BC tenta conter efeito manada no câmbio
Folha de São Paulo - 6/5/2009
SHEILA D'AMORIM

(...) Segundo a Folha apurou, a forte atuação do BC no mercado de câmbio ontem teve dois objetivos. O primeiro foi tentar conter um efeito manada no mercado, que se traduz em aumento das apostas a favor do real e que poderia fazer a cotação cair abaixo do R$ 2,10, alimentando ainda mais o movimento de baixa do dólar.

O outro foi aproveitar a oferta de dólares e, com a compra de cerca de US$ 3,4 bilhões, neutralizar contratos de venda no valor de US$ 3,3 bilhões que o BC assumiu no auge da crise internacional e que vencerão no início de junho.

Segundo o comunicado de ontem, o BC "decidiu fazer leilão de swap reverso [contratos especiais de câmbio, veja quadro nesta página] agindo em função de alterações nas condições de fluxo prevalecentes no mercado nas última semanas". (...)


Tenho dúvidas se esta situação representa efetivamente um efeito manada. Acho que se trata de especulação.

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segunda-feira, março 23, 2009

Racionalidade

Uma proteção contra nossos próprios impulsos irracionais
17/3/2009 - Valor Econômico

(...) A crise atual é, portando, uma grande oportunidade para que organismos de supervisão, analistas e investidores incorporem os conceitos ligados aos estudos de finanças comportamentais como complemento à Teoria Moderna de Finanças, que atualmente rege o campo das finanças. As finanças comportamentais explicam exatamente como a irracionalidade e o desconhecimento dos aspectos comportamentais podem ter fomentado a crise por meio do agravamento das perdas das carteiras.

Esses fatos, vistos inicialmente como cotidianos no ambiente de bolsa de valores, decorrem, por exemplo, da tendência dos investidores de movimentarem seus ativos na mesma direção que os demais investidores, o que produz o denominado efeito manada e a tendência à sobrerreação de quedas e subidas.

(...) Esta cegueira dos analistas é explicada na área comportamental por vários conceitos. Em um deles, o excesso de otimismo, pesquisadores comportamentais, verificaram que os analistas financeiros tendem a não acertar sobre a ocorrência de momentos de baixa dos investimentos. Além disso, verifica-se que, à medida que o mercado cai, os erros de previsão vão aumentando proporcionalmente, o que indica um viés de alta nas previsões destes profissionais.

Outro conceito é a sabedoria "ex-post", que consiste no fato de o profissional acreditar, depois de um evento já ter acontecido, que ele o previu com antecedência. A teoria comportamental mostra que quando o analista financeiro acredita que tinha previsto o resultado da crise anterior, ele pode ser levado a subestimar os demais resultados que poderiam ter ocorrido, ou seja, os cenários alternativos, o que provoca um despreparo para as situações futuras. (...)


Eduardo Camilo-da-Silva & Claudio Henrique Barbedo

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quinta-feira, janeiro 22, 2009

Efeito propriedade e o Comportamento em situações críticas

O efeito propriedade refere-se ao fato de valorizarmos mais o que possuímos. Um estudo parece sugerir que tocar num produto na prateleira pode criar uma vontade de pagar mais por ele. As pessoas sentem proprietários de um determinado item antes de comprá-lo. O estudo da Ohio State parece indicar que o efeito propriedade funciona 30 segundos antes do primeiro toque no objeto. (Via Marginal Revolution )

Outro texto interessante trata do Titanic e a tentativa de estabelecer uma regra que determina quem sobreviveu ao desastre:

Este texto explora os determinantes da sobrevivência em situações de vida ou morte criadas por um choque externo e não previsto. Nós estamos interessados em verificar se um comportamento social em situações extremas. Nós focalizamos o afundamento do RMS Titanic como um experimento quase-natural para ter evidencia do comportamento que é raro em um evento controle e de ameaça de vida. Os resultados empíricos mostram que normas sociais tais como “mulheres e crianças” sobrevivem em tais ambientes. Nós também observamos que mulheres em idades reprodutivas possuem maior probabilidade de sobrevivência entre as mulheres. Por outro lado, nós observamos que membros da tripulação usam sua vantagem de informação e seu melhor acesso a recursos (isto é, botes de salva-vidas) para gerar uma maior probabilidade de sobrevivência.

Fonte: Marginal Revolution

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quarta-feira, outubro 15, 2008

Efeito Manada

O efeito manada é uma das pesquisas realizadas em finanças comportamentais. As pessoas agem conforme o que é feito pela manada.

Este viés ajuda a explicar o comportamento das pessoas em situações de crise. Uma forma de entender este efeito é através desta fotografia que encontrei na internet.

A fotografia mostra as pessoas num campo de futebol reagindo da mesma forma.

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segunda-feira, agosto 25, 2008

Efeito manada

Muito do que está acontecendo é uma função do que economistas chamam de "herding." Em condições de incerteza, os seres humanos, tal como outros animais, junta-se ao rebanho. Em instabilidade dos mercados, esta tendência conduz ao seguinte: quando um comprar, outros compram; vender, outros vendem. (...)

Em primeiro lugar, os gestores de fundos oferece garantias que o seu desempenho, quer seja bom ou ruim, não irá divergir demasiado do normal. (...) É por isso que, quando uma ação começa a subir, os comerciantes muitas vezes assumem que deve haver uma boa razão, e, por isso, comprar a fim de não perder a festa. (...) E esta situação foi agravada pela propagação do quantitativo(...). Estas estratégias podem ampliar as tendências em vez de as combater.

James Surowiecki, That Uncertain Feeling, New Yorker

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quarta-feira, abril 16, 2008

Problemas da decisão de investir


O jornal Valor Econômico traz hoje um artigo de Andre Delben Silva onde se comenta, resumidamente, alguns dos problemas existentes no processo decisório. Apesar do autor não usar o termo "finanças comportamentais" (ou algo próximo), os aspectos abordados são provenientes de pesquisas da área.

O ser humano é muito menos racional do que nos faz crer as teorias tradicionais de finanças. A experiência tem mostrado que, no mercado financeiro, as decisões dos investidores, das mais simples às mais complexas, nem sempre seguem a racionalidade. No processo de julgamento, é muito comum esses investidores serem afetados por questões psicológicas, que pode levar a um comportamento equivocado no mundo dos investimentos, como as principais que são abordadas a seguir:

- Excesso de confiança e otimismo: Ocorrem quando as pessoas se classificam como acima da média e acham que os outros irão julgá-las melhores do que são realmente. Excesso de confiança sugere que o investidor superestima a habilidade de prever eventos futuros. Na prática, a grande maioria dos investidores não pode estar acima da média.

- Aposta errônea: Quando se trata de probabilidades, a falta de conhecimento pode levar a conclusões erradas. Considere uma série de 20 moedas que, quando jogadas, caíram todas com o lado "cara" virado para cima. Numa aposta errônea, pode-se pensar que é mais provável que a próxima moeda caia com o lado "coroa" virado para cima. Essa linha de raciocínio representa uma compreensão inexata de probabilidade, porque a chance de uma moeda não viciada cair com o lado "cara" para cima é sempre de 50%.

- Ancoragem: Daniel Kahneman e Amos Tversky (1974), conduziram estudo no qual uma roda com números de 1 a 100 seria girada. Os candidatos eram questionados se a porcentagem de países africanos membros das Nações Unidas era maior ou menor do que o número dado na roda. Em seguida os candidatos deveriam fazer uma estimativa atual desse valor. Tversky e Kahneman descobriram que esse valor apresentado na roda mostrou grande influência sobre as respostas dadas pelos candidatos. Por exemplo, quando a roda parou no número 10, a estimativa média dada pelos candidatos foi de 25%. Porém, quando parou no 60, a estimativa média foi de 45%.

- Contabilidade mental: É a tendência que as pessoas têm de separar seu patrimônio em partes com finalidades individuais. Existem casos de pessoas que têm uma poupança para os filhos e que usam o limite do cheque especial. Outras tratam o dinheiro da restituição do imposto de renda como se fosse um prêmio e reservam o valor para um gasto especial. Uma maneira de evitar o mau uso da contabilidade mental é sempre lembrar que o patrimônio, incluindo ativos e passivos, deve ser analisado de forma única.

- Tendência ao exagero e disponibilidade: Uma conseqüência de envolver emoções no mercado financeiro é a tendência ao exagero ante uma nova informação. Boas notícias devem aumentar o preço do ativo, e este não deve cair se nenhuma nova informação for dada. Às vezes, participantes do mercado financeiro criam um efeito de supervalorização do ativo. Segundo a teoria da disponibilidade, as pessoas tendem a dar maior peso às informações mais recentes para uma tomada de decisão. Por exemplo, imagine um acidente de carro que acaba de acontecer num trecho de rodovia de uso diário. É possível que, pelas próximas semanas, você dirigirá com mais cautela pela rodovia. Presenciar o acidente o induziu a tendência ao exagero, porém, em pouco tempo você voltará aos seus hábitos normais.

- Efeito Manada: Eventos no mercado financeiro, como o estouro da bolha da internet, continuam a acontecer dado o efeito manada, que é a tendência do indivíduo em imitar as ações de um grupo maior. Temos a necessidade de agir em conformidade com o grupo onde estamos inseridos. Errar em companhia da maioria é menos estressante. Já conviver com as conseqüências de um erro em virtude de um posicionamento oposto ao do grupo é um constrangimento que a maioria evita.

- Viés de confirmação: No mundo dos investimentos, esse viés sugere que é mais provável que o investidor busque informações que confirmem sua idéia inicial a respeito de um investimento em vez de fatos que contradigam sua opinião. Como conseqüência, isso pode resultar em um processo de decisão errado, dado o conjunto incompleto de informações disponíveis.Viés de retrospecto: Psicólogos atribuem esse viés a nossa necessidade inata de encontrar ordem no mundo por meio de explicações que nos levem a acreditar que os eventos são previsíveis. Muitas pessoas acham, agora, que os sinais da bolha de internet eram óbvios. Se a formação de uma bolha fosse óbvia na época, ela nunca teria existido, pois os investidores teriam medo de comprar à medida que os preços subiam.


Questões psicológicas afetam comportamento do investidor
Valor Econômico - 16/4/2008
Andre Delben Silva

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Efeito manada

Em momentos de crise, a questão da racionalidade (e o contraponto das finanças comportamentais) são utéis para entender o que aconteceu. Estudar efeito manada e como os indivíduos são levados para uma situação de excesso de otimismo é importante e ajuda a entender o que ocorreu. O artigo a seguir mostra um pouco desta visão:

O contágio do passado na decisão de aplicação
Aquiles Mosca
Valor Econômico - 13/02/2008

"Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura". Apesar de simples, a frase de alerta que acompanha os prospectos dos investimentos parece lutar em vão contra ao menos três tendências comportamentais. Para a maioria dos investidores, uma aplicação, independentemente de seu risco, parece mais atraente quanto maior o retorno apresentado no passado recente, a despeito de qualquer aviso que o regulador determine obrigatoriamente.

Estudos indicam que as expectativas que formamos em qualquer situação que exija avaliação em condição de incerteza são, em grande parte, uma extrapolação do que foi observado no passado recente. Isso vale para circunstâncias que envolvam um futuro incerto, como previsão do tempo ou a performance de aplicações.

Bange (2000) demonstra em um estudo para a Associação Americana de Investidores Individuais que não apenas o aplicador extrapola para o futuro a performance passada, mas também há a tendência de aumentar a parcela de sua carteira em ativos que tiveram retornos atraentes no passado. Assim, quanto mais o mercado sobe (como visto no Brasil entre 2003 e 2007), mais os investidores ficam otimistas com a performance esperada das aplicações de risco, aumentando ao mesmo tempo sua exposição em tais mercados. Em um cenário de baixa (como o atual), observamos o efeito inverso. Ao portar-se de tal forma, o aplicador acaba executando para a carteira o inverso do que é recomendado, isto é, compra ativos que estão em alta (compra caro) e vende os que estão em queda (vende barato).

O investidor que se comporta dessa maneira é denominado "momentum investor", ou aquele que crê, conscientemente ou não, na continuidade dos movimentos do mercado. Há também os chamados "contrarian investors", que crêem na reversão das tendências.

Estudo da Universidade de Yale (Dhar e Kumar 2001) buscou identificar qual grupo é predominante, usando uma amostra de 41 mil investidores do mercado de ações americano. Fica claro no estudo que a performance observada entre uma semana e três meses é o principal fator que atua na tomada de decisão. O número de investidores que age no sentido oposto à tendência corrente é 25% inferior ao dos que se deixam levar pela tendência observada. O estudo foi repetido em mercados emergentes e revelou a mesma conclusão, mostrando que o efeito "momentum" é mais significativo em ativos com performance extrema, como no mercado acionário.

Observando os dados relativos a investimentos de pessoas físicas no mercado de fundos de ações no Brasil em 2007, temos forte evidência do fator "momentum" nas decisões dos investidores. Por exemplo, as aplicações em fundos Vale, que em média renderam 84% em 2007, ante 44% do Ibovespa, lideraram o fluxo de investimentos em fundos de renda variável no ano passado, totalizando 50% do total investido em fundos de ações nesse ano. Em contrapartida, a média dos fundos de ações após três meses de performance negativa, entre novembro e janeiro, passou a sofrer saques líquidos. Não por coincidência, no mesmo período os fundos DI, seguros e em terreno positivo, voltaram pela primeira vez em 12 meses a receber ingressos líquidos.

Observamos em momentos como o atual uma tendência dos agentes de inferir que a realização observada ontem tende a continuar. Basta ler nos jornais a avaliação de analistas para confirmar esse fenômeno. Isso equivale a prever o futuro com base no passado, a chamada "representatividade" na teoria financeira comportamental. Esse fator é acentuado pela ampla divulgação na mídia dos estragos sofridos pelo mercado. Tal disseminação recebe o nome de "saliência" na teoria comportamental e refere-se à grande disponibilidade de informação relativa a um fato e ao peso que essas informações, salientes para o investidor, têm na formação de expectativas e na tomada de decisão, sendo o principal combustível do efeito contágio.

O componente final que define o comportamento do investidor refere-se à necessidade que os agentes têm de agir em conformidade com o grupo. Se todos estão vendendo, também tendemos a vender e vice-versa. Afinal, errar em companhia da maioria é menos desgastante. Esse é o principal combustível do efeito manada, que tende a acentuar o efeito contágio e a magnificar a amplitude de variação dos preços, realimentando o processo e definindo a direção do fluxo de recursos para os ativos.

Ante essas tendências, alertar o investidor que "rentabilidade passada não garante rentabilidade futura" é tão útil quanto dizer a uma criança com um chocolate que comer doce antes da refeição estraga o apetite. O pai cumpre com seu dever de zelar pela nutrição, a criança come o doce de qualquer jeito e, se der dor de barriga, o pai pode dizer com toda autoridade: "Eu bem que avisei!"

Enviado por Ricardo Viana

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Crise e Finanças Comportamentais

Em tempos de crise, explicações são necessárias. Como isto pode ocorrer? A visão tradicional de finanças, baseada no comportamento racional do investidor, não ajuda muito a explicar os problemas do mercado de capitais. Voltamos para as Finanças Comportamentais, com seus conceitos de framing, aversão à perda e, principalmente, efeito manada.

Num artigo publicado no Valor Econômico de 23/1/2008 (O problema é que os investidores só querem boas notícias), Vera Rita Ferreira usa estes conceitos para comentar sobre a crise. Sobre o efeito manada, a psicanalista afirma:

Oscilações importantes do mercado são terreno fértil para a eclosão do conhecido comportamento de manada. Somos dotados de um profundo sentido de desamparo e, como tentativa (vã) de nos afastarmos desse sentimento, buscamos refúgio na companhia de nossos pares. O problema é fazermos isso independentemente da direção que tomarem e mesmo quando contrária ao que acreditamos ser a melhor alternativa. Identificar essa sensação de solidão ativa, medos e fantasmas mais profundos pode ser o primeiro antídoto ao impulso de juntar-se à multidão, para que seja possível, então, usar a própria cabeça para decidir o que é melhor naquele caso. Por outro lado, há de se ficar alerta com relação à atração pelo comportamento oposto, de auto-confiança excessiva, de acreditar que tudo sabe e tudo pode. Se olharmos com cuidado, veremos que, ainda que possam levar sinais opostos, ambas são manifestações da mesma dificuldade para tolerar a própria fragilidade, e podem sinalizar necessidade de assessoria técnica para serem enfrentadas.

Não deixa de ser uma interpretação interessante para a situação atual. Um outro artigo, da InterPress Service, de 30/01/2008, Adid Aslam (Explicação sobe ciclo de penúrias financeiras que afligem a economia mundial) usa novamente o termo efeito manada para tentar entender a crise:

As acentuadas altas e baixas dos mercados são com freqüência atribuídas ao "instinto de manada" dos operadores, que compram ou se desfazem em massa de um determinado bônus ou ação.

Mas a análise de Aslam também mostra o aspecto político da crise, onde a mudança nas normas encorajou que o sistema financeiro assumisse riscos desnecessários. Para Aslam, as questão das normas incentivou o aumento de “artimanhas do setor financeiro”. Ele completa afirmando:

O empurrão final ocorreu em 1998-1998, quando as companhias financeiras, seguradoras e imobiliárias investiram em lobby outros US$ 200 milhões e contribuíram com US$ 150 milhões adicionais com os fundos de campanha de diversos legisladores, muitos deles membros das comissões de Finanças das duas câmaras do Congresso.
O então secretário do Tesouro, Robert Rubin, deu a luz verde do governo do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) para revogar a Lei de Bancos de 1933. Poucos dias depois Rubin anunciou que deixava a vida pública para voltar atividade privada, para trabalhar no Citigroup, o maior banco do mundo, junto com Sanford Weill, que havia lançado a ofensiva final contra a lei "anacrônica".


P.S. Agradeço a Ricardo Viana por enviar o artigo do Valor Econômico.

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quinta-feira, março 01, 2007

Efeito Manada

O efeito manada tem sido objeto de estudo das finanças comportamentais. O recente problema na China pode ser uma outra oportunidade para entender e comprovar esse problema. A seguir um texto do Valor Econômico de hoje sobre o assunto.

Investidor deve ter a capacidade de sair da reação em manada
Valor Econômico

Há três dias observamos um mercado global à beira do pânico. Como todos sabem, a origem desse movimento esteve no cenário externo, principalmente nos eventos ocorridos na China e nos EUA. Não cabe aqui discorrer sobre os detalhes de tais eventos, mas reforçar que, para a maioria dos analistas, não há motivos para que se revisem as perspectivas para a economia global e brasileira este ano. Ou seja, o consenso do mercado não vê alteração nos fundamentos, os mesmos que justificaram a alta sustentada observada recentemente nos principais mercados de ativos de risco.

Como se explica, então, o nervosismo e a queda? O que resultou na evaporação de mais de US$ 100 bilhões de riqueza na bolsa chinesa em um dia? Basicamente, o que observamos em momentos como esse - no qual há um evento extremamente raro e inesperado afetando o mercado -, é uma tendência à maioria dos agentes de inferir que a realização do dia 27 de fevereiro tende a continuar. Basta ler nos jornais do dia seguinte às avaliações de analistas e gestores para verificarmos o quanto é concreta essa tendência. Isso nada mais é do que tentar prever o futuro com base no passado, a chamada Representatividade na teoria financeira comportamental ("Behavioral Finance").

Esse fator é acentuado pela ampla divulgação feita pela mídia sobre os estragos sofridos pelo mercado. Afinal, queda semelhante não era registrada há seis anos e meio, ou seja, um verdadeiro ponto fora da curva dada a distribuição de retornos historicamente observada nos mercados acionários. A disseminação de um fato raro, porém amplamente divulgado, recebe a denominação de "Saliência" na teoria financeira comportamental e é o principal combustível para o contágio de outros mercados não diretamente relacionados às notícias negativas originais.

O ingrediente final para alimentar a realização refere-se à necessidade que os agentes têm de agir em conformidade com o grupo onde estão inseridos (se todos estão vendendo, tendemos também a vender). Errar em companhia da maioria é menos estressante. Já conviver com as consequências de um erro em virtude de um posicionamento oposto ao do grupo é um constrangimento que a maioria evita. Esse é o principal combustível do efeito manada e que tende a acentuar o efeito contágio - que no dia 27 espalhou-se rapidamente -, começando na China, onde o Índice Xangai Composite fechou em queda de 8,84%, e encerrou o dia nos EUA, com o Dow Jones caindo 3,29%.

Tomando por base a opinião de seis economistas ouvidos pelo Valor na edição do dia seguinte à grande queda do mercado chinês, havia um claro consenso de que os fundamentos permanecem sólidos e de que provavelmente a normalidade dos mercados seria restabelecida em breve. Um indicador é a robustez dos preços das principais commodities metálicas, fortemente dependentes das perspectivas de crescimento global, tanto durante como após o fatídico pregão do dia 27.

Ora, se de fato a avaliação é esta, justifica-se um posicionamento oposto ao previsto para a maioria dos agentes pela teoria financeira comportamental como forma de obtenção de ganhos extraordinários. Isto é, se há indícios de que um movimento de manada formou-se com base em um fato raro porém de ampla divulgação (Saliência), e esse efeito magnificou a tendência natural que temos a inferir que o passado recente continuará se repetindo (Representatividade), o melhor que um investidor que acredita na solidez do cenário pode fazer é assumir novas e maiores posições em ativos de risco.

Agir de tal forma resultará em enorme desconforto, uma vez que a possibilidade de errar sozinho, ou seja, comprar ativos de risco no momento em que a manada está vendendo, pode criar um possível constrangimento com o qual a maioria dos gestores não está disposto a conviver, ainda que brevemente.

Aguardar até que a conjuntura esteja mais calma para que novas posições em ativos de risco sejam assumidas significa abrir mão de qualquer potencial de alta em prol da proteção da carteira, uma vez que a calma apenas será recobrada quando houver consenso de que o pior passou. Nesse instante, será tarde demais, pois os preços dos ativos já estarão refletindo essa expectativa.

A possibilidade de ganho no mercado sempre esteve nas mãos de quem consegue identificar fatores ainda não percebidos pelos demais agentes. Porém, não basta apenas percebê-los antes que os demais. É preciso traduzir tal percepção em posicionamentos nos ativos certos, na "ponta" certa (comprado ou vendido) antes que os demais também o façam. Esperar até o cenário clarear implica em evitar um risco e seu respectivo potencial de alta.

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