segunda-feira, setembro 03, 2012

Viés de Projeção


No processo de projeção é comum imaginar que o futuro será semelhante ao presente. Denominamos este fator de viés de projeção. Um trabalho de Busse, Pope, Papa e Silva-Risso (via aqui) constata a presença deste viés no mercado de casa e de carro.

Usando informações de mais de quarenta milhões de transações de compra de automóveis e quatro milhões de dados de negociação de imóveis, os autores verificaram o efeito do clima nas decisões de compra. Os resultados são muito interessantes pois mostram que as pessoas são influenciadas pelo que está ocorrendo no momento da transação.

Se uma transação de compra de um imóvel ocorre no verão, o valor de uma casa com piscina ou com ar condicionado central é maior do que as negociações ocorridas no inverno. As pessoas quando estão negociando um imóvel no verão passam a dar mais valor para os bens que podem suavizar a influencia da temperatura elevada. O mesmo ocorre com os automóveis conversíveis, que são mais valorizados no verão.

Segundo os autores, os resultados mostram que o viés de projeção pode afetar outras decisões, como casar ou arrumar um emprego.

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domingo, junho 05, 2011

Viéses

Os viéses mais discutidos na área científica


• Viés de confusão = quando você pensa que mede o efeito da variável X na variável Y, mas na realidade há uma outra variável Z, que se correlaciona com o X e também afeta Y, que você não considerou.

• Viés de seleção = quando você pensa que todos os vários sub-grupos da população estão proporcionalmente com a mesma probabilidade de constar da sua amostra, mas a realidade certos grupos são mais propensos de estar presente do que a proporção, em razão da maneira que você coletou seus dados.

• Viés da publicação = quando é mais provável de publicar ou contar aos outros sobre seus resultados se: 1) estar em conformidade com o que você esperava, ou 2) é o que você pensa que os outros preferem ouvir.

• Viés da resposta = quando os entrevistados respondem às suas perguntas como eles pensam que você quer suas respostas, ao invés de acordo com suas crenças verdadeiras.

• Viés da atenção = quando você se concentra apenas em dados que suporta a sua hipótese e ignorar dados que fazem a sua hipótese menos provável.

• Viés de memória = quando os entrevistados são mais propensos a lembrar do conteúdo da sua pergunta caso se igual as crenças deles.

• Viés de amostragem = quando você acha que sua amostra é representativa da população, mas na verdade não é, porque é enviesada na etnicidade, atração, idade, gênero e / ou etc, lançando dúvidas sobre a sua generalização a partir da amostra para a população. (Isto é, na verdade uma sub-categoria de viés de seleção)

Em finanças considero relevante o viés de sobrevivência. Este ocorre quando o pesquisador investiga somente os dados existentes numa série completa, sem considerar os casos faltantes em razão da "sobrevivência". Assim, investiga o comportamento das empresas num período longo, mas deixa de fora as empresas de não existiam durante todo o período de tempo, como é o caso das empresas falidas.

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terça-feira, maio 13, 2008

Saliência

Em Behavioral Finance and the Sources of Alpha, Russell Fuller apresenta o conceito de saliência:

"Para eventos que ocorrem raramente, pessoas tendem a superestimar a probabilidade desses eventos ocorrerem no futuro se eles recentemente tiverem ocorrido. Por exemplo, uma queda de uma avião comercial ocorre raramente. Entretanto, se um avião cai e tem uma grande cobertura da imprensa, as pessoas irão superestimar a probabilidade de uma queda ocorrer no futuro. Saliência causa uma superreação nos investidores a uma nova informação"

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quarta-feira, abril 16, 2008

Problemas da decisão de investir


O jornal Valor Econômico traz hoje um artigo de Andre Delben Silva onde se comenta, resumidamente, alguns dos problemas existentes no processo decisório. Apesar do autor não usar o termo "finanças comportamentais" (ou algo próximo), os aspectos abordados são provenientes de pesquisas da área.

O ser humano é muito menos racional do que nos faz crer as teorias tradicionais de finanças. A experiência tem mostrado que, no mercado financeiro, as decisões dos investidores, das mais simples às mais complexas, nem sempre seguem a racionalidade. No processo de julgamento, é muito comum esses investidores serem afetados por questões psicológicas, que pode levar a um comportamento equivocado no mundo dos investimentos, como as principais que são abordadas a seguir:

- Excesso de confiança e otimismo: Ocorrem quando as pessoas se classificam como acima da média e acham que os outros irão julgá-las melhores do que são realmente. Excesso de confiança sugere que o investidor superestima a habilidade de prever eventos futuros. Na prática, a grande maioria dos investidores não pode estar acima da média.

- Aposta errônea: Quando se trata de probabilidades, a falta de conhecimento pode levar a conclusões erradas. Considere uma série de 20 moedas que, quando jogadas, caíram todas com o lado "cara" virado para cima. Numa aposta errônea, pode-se pensar que é mais provável que a próxima moeda caia com o lado "coroa" virado para cima. Essa linha de raciocínio representa uma compreensão inexata de probabilidade, porque a chance de uma moeda não viciada cair com o lado "cara" para cima é sempre de 50%.

- Ancoragem: Daniel Kahneman e Amos Tversky (1974), conduziram estudo no qual uma roda com números de 1 a 100 seria girada. Os candidatos eram questionados se a porcentagem de países africanos membros das Nações Unidas era maior ou menor do que o número dado na roda. Em seguida os candidatos deveriam fazer uma estimativa atual desse valor. Tversky e Kahneman descobriram que esse valor apresentado na roda mostrou grande influência sobre as respostas dadas pelos candidatos. Por exemplo, quando a roda parou no número 10, a estimativa média dada pelos candidatos foi de 25%. Porém, quando parou no 60, a estimativa média foi de 45%.

- Contabilidade mental: É a tendência que as pessoas têm de separar seu patrimônio em partes com finalidades individuais. Existem casos de pessoas que têm uma poupança para os filhos e que usam o limite do cheque especial. Outras tratam o dinheiro da restituição do imposto de renda como se fosse um prêmio e reservam o valor para um gasto especial. Uma maneira de evitar o mau uso da contabilidade mental é sempre lembrar que o patrimônio, incluindo ativos e passivos, deve ser analisado de forma única.

- Tendência ao exagero e disponibilidade: Uma conseqüência de envolver emoções no mercado financeiro é a tendência ao exagero ante uma nova informação. Boas notícias devem aumentar o preço do ativo, e este não deve cair se nenhuma nova informação for dada. Às vezes, participantes do mercado financeiro criam um efeito de supervalorização do ativo. Segundo a teoria da disponibilidade, as pessoas tendem a dar maior peso às informações mais recentes para uma tomada de decisão. Por exemplo, imagine um acidente de carro que acaba de acontecer num trecho de rodovia de uso diário. É possível que, pelas próximas semanas, você dirigirá com mais cautela pela rodovia. Presenciar o acidente o induziu a tendência ao exagero, porém, em pouco tempo você voltará aos seus hábitos normais.

- Efeito Manada: Eventos no mercado financeiro, como o estouro da bolha da internet, continuam a acontecer dado o efeito manada, que é a tendência do indivíduo em imitar as ações de um grupo maior. Temos a necessidade de agir em conformidade com o grupo onde estamos inseridos. Errar em companhia da maioria é menos estressante. Já conviver com as conseqüências de um erro em virtude de um posicionamento oposto ao do grupo é um constrangimento que a maioria evita.

- Viés de confirmação: No mundo dos investimentos, esse viés sugere que é mais provável que o investidor busque informações que confirmem sua idéia inicial a respeito de um investimento em vez de fatos que contradigam sua opinião. Como conseqüência, isso pode resultar em um processo de decisão errado, dado o conjunto incompleto de informações disponíveis.Viés de retrospecto: Psicólogos atribuem esse viés a nossa necessidade inata de encontrar ordem no mundo por meio de explicações que nos levem a acreditar que os eventos são previsíveis. Muitas pessoas acham, agora, que os sinais da bolha de internet eram óbvios. Se a formação de uma bolha fosse óbvia na época, ela nunca teria existido, pois os investidores teriam medo de comprar à medida que os preços subiam.


Questões psicológicas afetam comportamento do investidor
Valor Econômico - 16/4/2008
Andre Delben Silva

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quarta-feira, março 19, 2008

Efeito propriedade


O efeito propriedade diz respeito a valorizar mais o que é de nossa propriedade. Assim, o dono de um imóvel costuma acreditar que o mesmo vale mais do que o mercado deseja pagar por ele.

Recentemente a Microsof ofertou cerca de 45 bilhões pela Yahoo!. A Yahoo! não deseja ser adquirida pela Microsoft (aqui).

Conforme notícia divulgada no New York Times, a Yahoo! apresentou uma estimativa sobre seu desempenho no futuro muito acima do que seria a projeção dos analistas. Isto faz com que a empresa tenha um valor acima do que seria esperado.

Seria um exemplo de efeito propriedade?

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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Queda no mercado

Uma possível explicação para o comportamento do mercado nos últimos pode ser encontrada nas finanças comportamentais, segundo este endereço . A argumentação é que os problemas do Citigroup (e da economia e de mercados imobiliários) já eram conhecidos. O problema seria o fato de que o mercado possui um viés de otimismo, que impede de ver os problemas de lucro ou recessão.

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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Conformidade

Os seres humanos possuem um alto grau de conformidade. Uma possível explicação é a aversão à perda e ao Viés do Status Quo. Já este artigo tenta estabelecer um vínculo com a "felicidade". Clique aqui também.

Talvez uma outra justificativa esteja na tendência a procrastinar (atrasar, delongar, demorar): as pessoas são confiantes e terminam por deixar para o último momento.

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sexta-feira, novembro 09, 2007

Viés na Ciência

Uma discussão interessante sobre o viés contra o método científico:

1) Poder de autoridade = Na ciência você não deve acreditar nas pessoas, mas nas evidências. Neste sentido, não existe "consenso científico" pois ciência não é "pesquisa de opinião".

2) Poder do relato de uma experiência = As pessoas tendem a acreditar em casos mais do que em dados estatísticos. O avião é um meio de transporte seguro (em relação a outros meios), mesmo que os jornais enfatizem os "casos"

3) O culto a expressão pessoal - A ciência não é democrática no sentido de permitir que todos expressem sua "opinião". Ciência é fato, não achomêtro

4) Superconfiança - a confiança em nossa opinião cresce mais rápido do que a evidência.

Seria possível substituir ciência por "mercado" ou "investimento".

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Viés

To me, Justin Timberlake sounds like a shockingly untalented guy with a lot of musical training. Why do I perceive him that way when millions of his fans do not? One explanation is that I have excellent taste in music while the people who buy his albums do not. ... The other explanation is that I am mentally defective. ... I see this situation every day ... People e-mail ... telling me that Dilbert sucks, despite the fact it’s in 2,000 newspapers ... The e-mail I have NEVER received goes like this: “I do not enjoy Dilbert, but since many people do, I assume the problem is on my end. Something is wrong with me and I am just writing to let you know I am defective.” ... Describe the last time you disagreed with a popular opinion, about anything, and concluded that the problem is with you?


Eric Crampton

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quinta-feira, agosto 30, 2007

Otimismo no crescimento dos BRICs

Os maiores sucessos econômicos recentes foram aparentemente da China e da India. Porque estes são os países os mais populosos, significando juntos 37 por cento da população do mundo, seu sucesso transformou-se um símbolo internacional do crescimento espectacular.

Mas é fácil exagerar sua importância. As economias de China e de India são realmente uma fração minúscula do mundo G.D.P. - juntos somente 7 por cento. As impressões populares do crescimento rápido são, na maior parte, um erro de percepção, como as ilusões documentadas por psicólogos.

A Psychology Lesson From the Markets
ROBERT J. SHILLER - The New York Times - 26/08/2007
Late Edition - Final -6
Robert J. Shiller é autor de ''Irrational Exuberance''

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quarta-feira, agosto 29, 2007

Otimismo

Positive Bias: Look Into the Dark

I am teaching a class, and I write upon the blackboard three numbers: 2-4-6. "I am thinking of a rule," I say, "which governs sequences of three numbers. The sequence 2-4-6, as it so happens, obeys this rule. Each of you will find, on your desk, a pile of index cards. Write down a sequence of three numbers on a card, and I'll mark it "Yes" for fits the rule, or "No" for not fitting the rule. Then you can write down another set of three numbers and ask whether it fits again, and so on. When you're confident that you know the rule, write down the rule on a card. You can test as many triplets as you like."

Here's the record of one student's guesses:

4, 6, 2 No
4, 6, 8 Yes
10, 12, 14 Yes

At this point the student wrote down his guess at the rule. What do you think the rule is? Would you have wanted to test another triplet, and if so, what would it be? Take a moment to think before continuing.

The challenge above is based on a classic experiment due to Peter Wason, the 2-4-6 task. Although subjects given this task typically expressed high confidence in their guesses, only 21% of the subjects successfully guessed the experimenter's real rule, and replications since then have continued to show success rates of around 20%.

The study was called "On the failure to eliminate hypotheses in a conceptual task" (Quarterly Journal of Experimental Psychology, 12: 129-140, 1960). Subjects who attempt the 2-4-6 task usually try to generate positive examples, rather than negative examples - they apply the hypothetical rule to generate a representative instance, and see if it is labeled "Yes".

Thus, someone who forms the hypothesis "numbers increasing by two" will test the triplet 8-10-12, hear that it fits, and confidently announce the rule. Someone who forms the hypothesis X-2X-3X will test the triplet 3-6-9, discover that it fits, and then announce that rule.

In every case the actual rule is the same: the three numbers must be in ascending order.

But to discover this, you would have to generate triplets that shouldn't fit, such as 20-23-26, and see if they are labeled "No". Which people tend not to do, in this experiment. In some cases, subjects devise, "test", and announce rules far more complicated than the actual answer.

This cognitive phenomenon is usually lumped in with "confirmation bias". However, it seems to me that the phenomenon of trying to test positive rather than negative examples, ought to be distinguished from the phenomenon of trying to preserve the belief you started with. "Positive bias" is sometimes used as a synonym for "confirmation bias", and fits this particular flaw much better.

It once seemed that phlogiston theory could explain a flame going out in an enclosed box (the air became saturated with phlogiston and no more could be released), but phlogiston theory could just as well have explained the flame not going out. To notice this, you have to search for negative examples instead of positive examples, look into zero instead of one; which goes against the grain of what experiment has shown to be human instinct.

For by instinct, we human beings only live in half the world.

One may be lectured on positive bias for days, and yet overlook it in-the-moment. Positive bias is not something we do as a matter of logic, or even as a matter of emotional attachment. The 2-4-6 task is "cold", logical, not affectively "hot". And yet the mistake is sub-verbal, on the level of imagery, of instinctive reactions. Because the problem doesn't arise from following a deliberate rule that says "Only think about positive examples", it can't be solved just by knowing verbally that "We ought to think about both positive and negative examples." Which example automatically pops into your head? You have to learn, wordlessly, to zag instead of zig. You have to learn to flinch toward the zero, instead of away from it.

I have been writing for quite some time now on the notion that the strength of a hypothesis is what it can't explain, not what it can - if you are equally good at explaining any outcome, you have zero knowledge. So to spot an explanation that isn't helpful, it's not enough to think of what it does explain very well - you also have to search for results it couldn't explain, and this is the true strength of the theory.

So I said all this, and then yesterday, I challenged the usefulness of "emergence" as a concept. One commenter cited superconductivity and ferromagnetism as examples of emergence. I replied that non-superconductivity and non-ferromagnetism were also examples of emergence, which was the problem. But be it far from me to criticize the commenter! Despite having read extensively on "confirmation bias", I didn't spot the "gotcha" in the 2-4-6 task the first time I read about it. It's a subverbal blink-reaction that has to be retrained. I'm still working on it myself.

So much of a rationalist's skill is below the level of words. It makes for challenging work in trying to convey the Art through blog posts. People will agree with you, but then, in the next sentence, do something subdeliberative that goes in the opposite direction. Not that I'm complaining! A major reason I'm posting here is to observe what my words haven't conveyed.

Are you searching for positive examples of positive bias right now, or sparing a fraction of your search on what positive bias should lead you to not see? Did you look toward light or darkness?

Fonte: Aqui

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Viés do otimismo

Viés de otimismo pode fazer mal à sua saúde financeira
Aquiles Mosca - Valor Econômico - 28/08/2007

Quando um jogador de basquete acerta todos os arremessos seguidamente, costuma-se dizer que ele está com a "mão quente". Com base nisso, mesmo que não se trate de um jogador excepcional, muitas vezes o técnico chega a aconselhar aos demais jogadores a passar a bola para esse indivíduo. Um jogador medíocre, que converte 45% de seus arremessos, tem uma probabilidade de 0,454 = 4,1% de acertar 4 arremessos seguidos. É pouco, mas não é negligenciável. A lei das probabilidades garante que mesmo os piores terão sucesso seguido de tempo em tempo.

Tal tendência de avaliação é denominada na teoria financeira comportamental como Representatividade, segundo a qual avaliamos a probabilidade de um evento futuro ocorrer com base em fatos observados no presente. Isto é, para a formação de expectativas, tendemos a dar maior importância a informações recentemente recebidas. Assim, uma queda ou alta observada no mercado acionário é percebida como algo que tende a se propagar no futuro, apesar de em muitos casos termos informações que sugiram o contrário. Tal percepção resulta em vendas durante períodos de queda, ou seja, vendas a preços baixos e compras durante períodos de alta, com aquisição a preços elevados. Ambos contrariam o interesse do investidor.

Para quem administra suas posições no mercado financeiro, essa dinâmica pode ter efeitos danosos ao retorno da carteira. Os cientistas comportamentais Fisher e Ayton (2004) demonstraram, ainda, que sempre que fazemos previsões e acertamos de maneira sucessiva tendemos a superestimar nossa capacidade de previsão, sentindo-nos cada vez mais confiantes na qualidade de tais previsões, mesmo que em realidade tais acertos não sejam mais que resultado do acaso.

Além disso, em outro estudo comportamental, Ben Gourion (2005) mostrou que quando precisamos determinar se um evento teve origem em um fator humano ou natural, tendemos a atribuir a causa a um fator humano. Isto é, a uma atitude nossa, se tal evento ocorreu de forma suave e a uma causa natural e fora de nosso controle, se o evento ocorreu de forma abrupta.

Essas três tendências comportamentais juntas podem estar jogando um papel fundamental na migração de ativos de instrumentos conservadores, como fundos DI, para modalidades mais arriscadas de aplicações como ações. É evidente que o principal indutor desse movimento é a queda da taxa de juros e o incômodo que o investidor sente ao ver seus retornos caírem. O movimento é correto e é parte de um processo saudável de aprendizado pelo qual o investidor brasileiro está passando. Contudo, a intensidade, a abrangência e o ritmo de tal migração sugerem cautela. Não tem sido raro vermos empresas aplicando parte de seus recursos de caixa, anteriormente investidos com parcimônia e privilegiando a previsibilidade, em ações e outros ativos de risco.

Não cabe aqui refletir sobre os fundamentos que dão base à atual performance dos mercados ou à probabilidade de isso continuar ocorrendo, mas apenas de ressaltar que as tendências comportamentais descritas devem ser vistas à luz do fato de que a alta dos ativos de risco brasileiros já estende-se por quatro anos e meio. Essa alta tem ocorrido com relativa estabilidade em sua tendência quando observamos os retornos anuais, sendo raros os meses onde ocorreram variações negativas nesse período. A Representatividade impele o investidor a acreditar na continuidade de tal tendência.

Paralelamente, a percepção de acertos sucessivos pelo investidor que migrou ao menos parte de seus recursos ao longo desse período faz com que tenha a tendência de superestimar sua capacidade de prever a continuidade desse movimento, o qual é fortemente influenciado pelos retornos positivos recentemente observados. Ademais, a forma sustentada que a atual alta tem assumido contribui para que o investidor atribua a uma causa humana, isto é, a si mesmo, o crédito pelos acertos observados. Mesmo com a turbulência recente dos mercados, o Ibovespa continua apresentado retorno superior ao CDI no acumulado do ano.

A ciência comportamental também demonstra que temos uma tendência a assumir um otimismo exagerado quando lidamos com nossa própria sorte. Por exemplo, tendemos a achar que a chance de sofremos um acidente é inferior a de nosso vizinho, ainda que isso implique em acreditarmos que a teoria das probabilidades não se aplica em nosso caso pessoal. No universo do investimento, esse fenômeno faz com que concentremos a atenção no potencial de alta dos ativos, subavaliando a possibilidade de baixa. Kahneman e Thaler (1999) chegaram à conclusão abaixo ao perguntarem a 1.053 investidores: "Ao pensar em seus investimentos, você pensa mais na possível alta ou baixa?"

- Muito mais tempo na alta: 39%
- Mais tempo na alta: 35%
- O mesmo para ambos: 19%
- Mais tempo na baixa: 6%
- Muito mais tempo na baixa: 1%

Ou seja, 74% sofrem do chamado viés de otimismo e geralmente são os mesmos que realizam saques de suas aplicações de risco ao primeiro sinal de realização do mercado. Aquele que se deixa levar por tais tendências comportamentais atua de forma semelhante ao técnico de basquete que, a dez segundos do final de uma partida empatada, pede para seu melhor jogador passar a bola a um reserva que, ao entrar na quadra, teve a sorte de acertar algumas cestas seguidas.


Enviado por Ricardo Viana

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quarta-feira, julho 18, 2007

Sindrome do Aplauso Excessivo (SAE)

Esta síndrome ocorre quando uma pessoa aplaude uma apresentação com entusiasmo extremo, muitas vezes gritando "bravo" em situações que seria melhor esquecer. Se a pessoa pagou pelo ingresso, mais susceptível a SAE pois o aplauso é um confirmação de que o dinheiro foi bem gasto.

Esta síndrome tem cura com a pergunta: a apresentação foi tão excepcional que merece uma resposta efusiva?

Mas será que vale para vaia?

Clique aqui para ler mais

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sexta-feira, junho 01, 2007

26 razões para você pensar que está errado

Uma listagem dos erros cognitivos. Interessante:

Bandwagon effect - the tendency to do (or believe) things because many other people do (or believe) the same. Related to groupthink, herd behaviour, and manias. Carl Jung pioneered the idea of the collective unconscious which is considered by Jungian psychologists to be responsible for this cognitive bias.

Bias blind spot - the tendency not to compensate for one’s own cognitive biases.

Choice-supportive bias - the tendency to remember one’s choices as better than they actually were.

Confirmation bias - the tendency to search for or interpret information in a way that confirms one’s preconceptions.

Congruence bias - the tendency to test hypotheses exclusively through direct testing.

Contrast effect - the enhancement or diminishment of a weight or other measurement when compared with recently observed contrasting object.

Déformation professionnelle - the tendency to look at things according to the conventions of one’s own profession, forgetting any broader point of view.

Disconfirmation bias - the tendency for people to extend critical scrutiny to information which contradicts their prior beliefs and uncritically accept information that is congruent with their prior beliefs.

Endowment effect - the tendency for people to value something more as soon as they own it.

Focusing effect - prediction bias occurring when people place too much importance on one aspect of an event; causes error in accurately predicting the utility of a future outcome.

Hyperbolic discounting - the tendency for people to have a stronger preference for more immediate payoffs relative to later payoffs, the closer to the present both payoffs are.

Illusion of control - the tendency for human beings to believe they can control or at least influence outcomes which they clearly cannot.

Impact bias - the tendency for people to overestimate the length or the intensity of the impact of future feeling states.

Information bias - the tendency to seek information even when it cannot affect action.

Loss aversion - the tendency for people to strongly prefer avoiding losses over acquiring gains (see also sunk cost effects)

Neglect of probability - the tendency to completely disregard probability when making a decision under uncertainty.

Mere exposure effect - the tendency for people to express undue liking for things merely because they are familiar with them.

Omission bias - The tendency to judge harmful actions as worse, or less moral, than equally harmful omissions (inactions).

Outcome bias - the tendency to judge a decision by its eventual outcome instead of based on the quality of the decision at the time it was made.

Planning fallacy - the tendency to underestimate task-completion times.
Post-purchase rationalization - the tendency to persuade oneself through rational argument that a purchase was a good value.

Pseudocertainty effect - the tendency to make risk-averse choices if the expected outcome is positive, but make risk-seeking choices to avoid negative outcomes.

Selective perception - the tendency for expectations to affect perception.

Status quo bias - the tendency for people to like things to stay relatively the same.

Von Restorff effect - the tendency for an item that “stands out like a sore thumb” to be more likely to be remembered than other items.

Zero-risk bias - preference for reducing a small risk to zero over a greater reduction in a larger risk.


Fonte: Healthbolt

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Satisfação Garantida

Uma pesquisa mostra a existência de viés nas pesquisas com questionário Likert. Essas pesquisas usam uma escala onde o entrevista escolhe entre cinco itens, dois negativos, um neutro e dois positivos. Tem sido largamente usada, inclusive em pesquisas acadêmicas.

Com o título de Satisfaction Guaranteed, quatro autores publicaram no Psychological Science um pequeno texto (duas páginas) mostrando que a escala é vulnerável ao efeito de pseudoneglect, um fenômeno conhecido da neurociência. O que significa isso? Refere-se ao fato de que os indivíduos normais dá mais estímulo ao lado esquerdo do que o direito. Quandos os entrevistados respondem a questionários com a escala Likert, o problema pode aumentar o número de respostas do lado esquerdo em detrimento do direito.

Clique aqui para ter acesso em PDF

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