domingo, outubro 06, 2013

Confusão

Eis um exemplo sobre a irracionalidade do mercado de capitais:

Às custas do Twitter ("nome de guerra" TWTR) a Tweeter (TWTRQ) viu suas ações passarem de US$ 0,01 para 0,13. A confusão, segundo o Exame se deu porque os investidores confundiram os nomes.

Fonte: Aqui

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quinta-feira, maio 06, 2010

Susto no Mercado


Os mercados acionários levaram um susto. Aparentemente um operador do Citigroup trocou bilhões por milhões, com efeitos nas ações da Procter & Gamble:

Olhe para o gráfico de volume: o que você vê aqui é um grande bloco de negociação das acções da P & G em torno de 02:30, seguido de outro bloco de direita enorme antes que o mercado caiu. E então, nada. 

(...)Se o mercado fosse racional, poderia sem dificuldade a lidar com essas coisas. (...) Mas a maior lição é que, no curto prazo, um mercado podem falhar temporariamente.

(Felix Salomon – How a market Crashes? – 6 de maio de 2010

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terça-feira, fevereiro 02, 2010

EMH e Finanças Comportamentais

Os estudiosos de Finanças Comportamentais sabem da divergência com a eficiência do mercado e o conceito do homem racional. Uma história muito instrutiva foi contada no livro The Myth of the Rational Market, de Justin Fox (p.192), e ilustra muito bem a forma como os dois grupos entendem o ser humano.

Em 1979, depois da publicação do artigo Prospect Theory, Daniel Kahneman e Amos Tversky foram visitar Richard Thaler na University of Rochester. Thaler, fazendo as honras da casa, preparou um jantar para seus convidados e estava presente Michael Jensen. Jensen, um rigoroso teórico das finanças, mas defensor da idéia do mercado eficiente, não gostava muito das idéias comportamentais de Kahneman e Tversky. Além disto, Jensen era muito rigoroso com as pessoas.

Tversky perguntou a Jensen o que ele achava das decisões que eram tomadas por sua esposa. Jensen reconheceu que ela não tomava boas decisões. Tversky então quis saber o que Jensen achava do então presidente Carter. Jensen respondeu que Carter era um idiota. E a política econômica do Chairman do Federal Reserve, questionou Tversky para Jensen. Tudo errado, disse Jensen. Tversky continuou querendo saber de Jensen o que ele achava de vários tipos de pessoas, e a opinião de Jensen não era muito boa.

Tversky finalmente fez um fechamento no seu bate-papo com Jensen: "Quando nós falamos das pessoas, especialmente os policy makers, eles fazem grandes erros nas suas decisões. Mas no agregado, eles estão corretos?"

O que Tversky chamou a atenção é algo muito interessante. Para os defensores da eficiência do mercado existe um mecanismo regulador nas decisões individuais que mesmo que algumas pessoas comentam erros, o mercado como um todo estaria correto. A soma dos comportamentos geraria esta eficiência. Mas os estudiosos de finanças comportamentais acreditam que algumas decisões os erros individuais não são anulados no mercado.

Considere o caso do custo perdido. Sabemos pela contabilidade de custos que as decisões passadas não devem afetar as minhas decisões futuras. Os custos perdidos não podem ser considerados no processo decisório. Racionalmente isto é muito fácil de entender e compreender. Mas nas nossas decisões pessoais cometemos constantemente este erro. Quando um número muito grande de pessoas não age de forma racional, a eficiência do mercado deixa de existir.

Sabemos que existem estes problemas e um grande número de pesquisas já mostraram como isto ocorre. O que ainda não sabemos é o impacto disto para o conjunto total de decisões. Os partidários da eficiência do mercado, quando reconhecem as questões levantadas pelas finanças comportamentais, consideram que isto é uma exceção reduzida a regra mais abrangente do bom funcionamento do mercado. Os estudiosos de finanças comportamentais enxergam que os vieses apontados nas pesquisas são importantes demais para serem considerados como residuais.

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segunda-feira, dezembro 14, 2009

Bolha

Palavra do gestor: Fatores psicológicos presentes na formação de bolhas

Vera Rita Ferreira - Valor Econômico

Repararam como hoje fala-se com familiaridade e naturalidade em bolhas? Até o ano passado, isso era menos frequente e despertava controvérsias. Agora chegamos a encontrar três títulos numa mesma página de jornal com a palavra estampada.

Se antes tínhamos discussões intermináveis sobre as razões para altos e baixos no mercado e economistas renomados se declaravam com urticária ao ouvir a famigerada expressão, hoje o fenômeno virou premissa para a maior parte dos analistas. O debate se resume em quem será capaz de prever com exatidão quando uma bolha poderá estourar.

Quando se fala em bolha, ficam implícitos os fatores psicológicos presentes nos fenômenos econômicos. Por isso, há uma dificuldade para entender como e por que se formam, além de prever sua duração e término.

O que sabemos é que tudo o que sobe demais, desce em proporção equivalente. E quanto mais extremados os movimentos, seja para o lado que for, pode-se esperar oscilações igualmente bruscas para o outro lado. Às vezes me perguntam se essas curvas mimetizam o comportamento de pacientes portadores de transtorno bipolar, ora depressão, ora euforia, sem motivos concretos que justifiquem essas mudanças. Nesse sentido de oscilação e motivação obscura, sim, o quadro guarda semelhanças. Este é também nosso modo de funcionar psiquicamente mais básico e primitivo. Daí sua força e fácil preponderância sobre formas mais sofisticadas - embora raras - de operação mental.

Elementos psicológicos já identificados: na formação da bolha, existe a questão da inovação. A crença de que estamos vivendo algo inaudito e maravilhoso, mesmo que não se compreenda bem do que se trata. Ou será que essa sensação de estar acima do entendimento comum já não seria, justamente, um dos combustíveis para esse momento? De um lado, há a minha necessidade de o indivíduo acreditar que alguém superior deve saber do assunto - pois assim reduzo meu sentimento de desamparo num mundo tão complexo. Do outro, existe o desejo de satisfazer carências e afastar encrencas. Com isso, não há questionamentos. De bom grado, embarco na miragem da novidade - até porque ela costuma me prometer risco zero e satisfação garantida.

Embrulhando a inovação - e acabando por embrulhar, no mau sentido, muita gente boa também - vem a história. Líderes, experts e autoridades se empenharão em apresentar a miragem numa narrativa mais ou menos amarradinha, dependendo de sua competência e da incompetência de seus interlocutores, o que ajuda a dar sentido (aparente) à barafunda toda.

Isso lembra o relato de Bernard Madoff, o da pirâmide, que agora vê o sol nascer quadrado nos EUA: eu não mentia, é que o pessoal da SEC (a CVM americana) não me fazia as perguntas certas, isto é, aquelas que poderiam ser comprometedoras...

Outro elemento em comum é a vontade geral de calar as vozes que ousarem levantar a hipótese de ser uma bolha durante sua vigência. Assim, todo mundo fica doido para acreditar na historinha fofa, mesmo que ela não faça o menor sentido! E dá-lhe promessa de um mundo novo - e lucros sem fim para todos - com a internet, contabilidade criativa na Enron, os derivativos do subprime, as areias de Dubai e por aí vamos.

Até que um belo dia chega o bicho-papão: vai cair, já caiu, não vai sobrar nada, corre, foge, não tem mais jeito! É o pânico. É como se, de repente, todas aquelas dúvidas em estado latente por tanto tempo retornasse como estouro da boiada. Pronto, começou o fim do mundo. Otimismo excessivo vira pessimismo idem.

Se sabemos que é sempre assim, por que caímos de novo na mesma cilada? Será que Freud explica? Ele (e também M.Klein e Bion) pelo menos apontam a direção: a maior parte de nosso conteúdo mental é inconsciente, inacessível ao nosso conhecimento e controle, e quanto mais primitivas as emoções e operações psíquicas, mais tenderão a se repetir, seguindo padrões com certa rigidez. Flexibilidade, presença de espírito, intuição, aprender com a experiência, infelizmente, não são para quem quer. São para quem consegue e olhe lá...

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quinta-feira, julho 30, 2009

EMH, Finanças Comportamentais e Crise

A crise de 2007 foi devastadora não somente para os bancos, mas também para uma disciplina acadêmica inteira de economia financeira, afirma a The Economist (Efficiency and beyond, 16/7/2009). A idéia que predomina é que os economistas financeiros ajudaram a começar a festa dos banqueiros. Apesar disto, existem defensores da EMH (efficient-markets hypothesis). Myron Scholes, que venceu o Nobel de Economia em 1997 e ajudou a criar a indústria de modelagem financeira - afirmou que "existem modelos e existem aqueles que usam os modelos". Segundo a The Economist, Scholes sabe o que fala: ele participou do Long-Term Capital Management (LTCM), um fundo hedge que faliu em 1998.

Dois trabalhos anteriores, no entanto, já apontavam uma contração nas EMH. Em 1980 Sanford Grossman e Joseph Stiglitz mostraram que se todos os preços refletissem todas as informações disponíveis não haveria incentivos para os investidores. Ou seja, é necessário que o sistema funcione com um pouco de ineficiência.

Mais recentemente, os pesquisadores começaram a investigar as chamadas “institutional frictions” dos mercados. Entre estes pesquisadores, aqueles que se dedicam as finanças comportamentais. O texto destaca o livro de Shiller e Akerlof, Animal Spirits. E o trabalho de Thaler, que afirma que os pesquisadores da área são menos arrogantes.

Mas existe uma convergência entre ambas as teorias já que elas estão perguntando as mesmas questões.

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quarta-feira, março 25, 2009

Mercado, Racionalidade e Crise

Tony Jackson, em Theories of rational behaviour are facing crisis (Financial Times, 23/3/2009, London Ed1, 18) traz uma consideração importante sobre a contabilidade e a crise econômica. Jackson lembra que histórias recentes estão baseadas na crença de que o preço de mercado de um bem ou ação é algo verdadeiro e inquestionável em relação a qualquer outro preço possível. Isto tem sua origem nas expectativas racionais, onde o mercado é composto por pessoas bem informadas.

Este pressuposto é essencial na questão da marcação a mercado e em outras bases de mensuração apresentadas nos últimos anos por entidades reguladoras contábeis. Um argumento daqueles que defendem a extinção do valor justo é exatamente este aspecto: não existe mercado hoje para muitos bens e ações. (Muito embora, quando o mercado estava em alta – e este tipo de avaliação não era questionado – existia também irracionalidade).

A doutrina das expectativas racionais é que se o preço da ação da empresa está em queda é que suas perspectivas pioraram.

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terça-feira, março 03, 2009

Pressupostos econômicos

Especial
Economia deve se admitir imperfeita, afirma Frydman
Valor Econômico - 26/2/2009


Além de culpar Alan Greenspan, o governo Bush e a desregulamentação financeira feita no governo Clinton, os economistas deveriam olhar para si mesmos ao buscarem as causas da atual crise global. Uma causa subjacente, segundo o economista Roman Frydman, foi a pretensão da corrente dominante do pensamento econômico nos últimos 30 anos de que podia estimar com precisão os preços dos ativos e, consequentemente, prever os movimentos dos mercados. Esse modelo fracassou, diz Frydman. Em seu lugar, ele defende um modelo baseado no que chama de conhecimento imperfeito.

(...) O alvo de Frydman é a teoria (ou hipótese) das expectativas racionais, um pressuposto usado atualmente nos principais modelos macroeconômicos e que prevê que a expectativa dos agentes econômicos (consumidores, empresas, traders, associações etc) é correta na média, pois essas expectativas se baseiam na análise de todos os fatores envolvidos.

"As expectativas racionais são uma metodologia muito poderosa, que postula que os economistas são capazes de determinar com precisão o que os mercados pensam sobre o futuro. Soa estranho, mas é isso", disse Frydman.

Assim, seria possível prever "cientificamente" a evolução dos preços dos ativos, isto é, de ações, imóveis, moedas, commodities etc. Obviamente há oscilações não previstas, mas com o tempo o preço do ativo tenderia a voltar a uma situação de equilíbrio.

"Todos esses modelos são baseados na ideia de que os economistas, analistas ou alguém que trabalha num banco pode precificar uma ação. Isso se chama a precificação racional das ações. O preço depende das expectativas de para onde a ação está indo. Se essa expectativa está errada, então o preço não é o preço racional. Mas, por causa dessa crença dos economistas de que podem saber exatamente quais são as expectativas, eles achavam que podiam desenvolver métodos para modelar os preços."

Essa ideia levou à elaboração de complexos modelos matemáticos que são usados diariamente por instituições financeiras e empresas em todo o mundo para tentar antecipar preços dos ativos. "Isso se tornou um enorme negócio", afirma Frydman.

O que isso tem a ver com esta crise? Frydman cita dois efeitos importantes. Em primeiro lugar, os modelos fracassaram ao não conseguir prever os riscos da valorização contínua dos ativos. Como o modelo previa "cientificamente" o preço dos ativos, e estes só subiam, isso desestimulou os agentes econômicos a prestar atenção aos fundamentos que deveriam sustentar aqueles preços. Os mercados se iludiram de que os preços podiam continuar se apreciando indefinidamente.

Em segundo lugar, se o mercado conseguia fazer uma avaliação científica do risco, o principal fator para se precificar um ativo, então não era necessário que a autoridade regulatória fiscalizasse as instituições. Elas mesmas estariam se fiscalizando continuamente, ao analisarem o risco umas das outras. O ex-presidente do Fed (o banco central americano) Alan Greenspan comprou essa ideia. Deu no que deu.

"Os EUA precisam aceitar o fato de que desregulamentar não foi uma boa ideia. A teoria econômica nos EUA não está muito boa, pois é amplamente baseada nas expectativas racionais. E as expectativas racionais fazem você pensar que, quando os mercados disparam, eles estão certos, ou então não teriam disparado. Essa teoria é incapaz de explicar o que estamos vendo agora."

O embate com as expectativas racionais marcou a atividade acadêmica de Frydman. "Eu tinha acabado de imigrar para os EUA no final dos anos 60, vindo da Polônia, onde a economia planificada havia fracassado, e fiquei muito surpreso de saber que lá se pretendia elaborar um modelo exato para o mercado. Fui até Phelps e perguntei a ele se as pessoas nos EUA acreditavam mesmo que podiam dizer exatamente para onde o mercado estava indo. Então começamos a desenvolver uma crítica às expectativas racionais."

Ele mesmo admite que boa parte dessa crítica (como o livro escrito com Phelps e publicado em 1983, "Individual Forecasting and Aggregate Outcomes: 'Rational Expectations' Examined") foi ignorada. "O pensamento econômico continuou trabalhando com as expectativas racionais."

"Todas essas implicações fracassaram na prática. Há uns dez anos começou a ficar claro que a economia tinha de aceitar que não pode prever exatamente para onde vai o mercado", diz Frydman. "Então, a pergunta principal passou a ser: é possível fazer algum tipo de modelo se você não sabe para onde o mercado está indo? Ou se teríamos de desistir dos modelos?"

Em 2007, Frydman publicou, em conjunto com Michael Goldberg, "Imperfect Knowledge Economics" (Economia do Conhecimento Imperfeito), que viria a ser a sua resposta a essa pergunta. Resumidamente, sim, é possível elaborar modelos, mas eles têm de se basear no fato de que o conhecimento é imperfeito, diz Frydman.

Como isso funciona? "A economia do conhecimento imperfeito postula que há limites para o que os economistas podem saber. Ela permite a formulação de modelos substituindo condições quantitativas - economistas gostam de fortes condições matemáticas nos seus modelos - por condições qualitativas, que são o máximo que podemos ter. Ou seja, regularidades qualitativas, não regularidades quantitativas."

O conceito fundamental para Frydman é o de padrão histórico (historical benchmark) de preços de um certo ativo. Assim, o risco relacionado a determinado ativo cresce à medida que o seu preço se distancia, para cima ou para baixo, de seu padrão histórico. "O modo tradicional de pensar sobre o risco é que ele depende de volatilidade. Nós temos um modo de olhar o risco que retoma Keynes, que mede o risco relativamente ao distanciamento de um ativo, por exemplo uma moeda, em relação a um padrão de valores das moedas."

Como professor, Frydman gosta de dar exemplos de seus conceitos. Foram vários na conversa com o Valor. Eis um deles: "O valor padrão do dólar é perto da paridade com o euro. Sabemos que, na história do dólar, quando ele sobe 30% ou 35% acima da paridade, é muito alto. Então, as chances são grandes de que ele vá cair".

Assim, o modelo de Frydman não consegue prever (mas será que alguém hoje consegue?) onde o dólar estará em relação ao euro na semana que vem, mas pode dizer se ele está alto ou baixo demais em relação a onde normalmente está.

Esse padrão histórico proposto por Frydman para a avaliação de preços de ativos não é um valor, mas um intervalo dentro do qual o preço do ativo costuma oscilar. Esse intervalo também não é fixo, já que ao longo do tempo vários fatores, como ganhos de produtividade, podem alterar a tendência de preço de longo prazo. "Essa visão que temos, de conhecimento imperfeito, implica que só fundamentos sólidos podem mover os preços dos ativos para além de seu padrão. Nós não negamos que a psicologia tenha um papel, mas não precisamos da psicologia para ter flutuações. O importante é que as flutuações de preços ocorrem por conta dos fundamentos."

Frydman acha que seu modelo ajuda a evitar grandes oscilações nos mercados, que acabam resultando em grandes correções, com custos sociais elevados. Ele defende que, em caso de distanciamento importante do preço de um ativo em relação ao seu padrão histórico, caberia à autoridade reguladora intervir, mas sem se comprometer com um determinado preço.

Exemplo: "O índice Shiller-Case [de preço de moradias nos EUA] dobrou de 2000 a 2006. E, ainda assim, o governo continuou a oferecer financiamento imobiliário a taxas mais e mais vantajosas. É o oposto do que deveria ser feito."

Ele admite que seria superficial atribuir toda a culpa à economia. "Houve pressão política, dos democratas e dos republicanos, para a concessão de financiamento imobiliário, para que todo mundo possuísse uma casa. Isso é bem documentado. Instituições como a Fannie Mae foram informadas de que deveriam expandir os financiamentos. Isso é política."

"A solução que propomos para esse tipo de problema é que sejam tomadas medidas que contenham a magnitude das oscilações, mas sem assumir nenhuma posição sobre onde os preços devem estar amanhã", diz Frydman.

Que medidas? "Pode haver intervenção direta e indireta. O Fed tem discutido se a política monetária deve ser usada para limitar as oscilações do mercado. Mas as taxas de juros não são uma medida adequada, pois afetam toda a economia. Uma coisa simples que pode ser feita é ressaltar os padrões históricos de vários tipos de ativos. Isso deixaria claro que o risco está aumentando para os investidores, quanto mais o mercado sobe."

Frydman sugere que as autoridades reguladoras divulguem regularmente o seu padrão histórico para os preços de ativos. O banco central, por exemplo, divulgaria o que considera o padrão para a cotação do real em relação ao dólar. Mas não se comprometeria a manter a moeda nesse padrão, apenas alertaria o mercado de que se reserva o direito de intervir sempre que a cotação estiver muito fora do padrão. "Quanto mais ela se distanciar, mas arriscado será para o mercado. O BC nunca perde credibilidade, pois ele nunca se compromete em manter uma certa taxa de câmbio." Essa intervenção poderia ser feita comprando ou vendendo dólares ou por meio de medidas administrativas que onerem (ou desonerem) as operações.

"Se acreditarmos que as flutuações são o normal no mercado, e não que os mercados estão sempre em equilíbrio, e se não acreditarmos que, quando o mercado sobe, a única coisa a fazer é rezar para que volte, então teremos a chance de limitar, não de eliminar, mas de limitar as crises."

Apesar dessa extensa acusação a um pensamento econômico que se julgava preciso, científico, Frydman não acredita que os economistas se tornarão menos arrogantes no futuro. "Num fenômeno tão complexo como essa crise, não é fácil atribuir as responsabilidades. Eu ainda não vi o movimento entre meus colegas de que tudo isso tenha de ser reexaminado. Há pessoas, como Phelps, que acham que essa responsabilidade é inequívoca. Mas é muito difícil para os economistas aceitar que a economia não pode afinal dizer o que vai acontecer. É duro. Os economistas tiraram fortes conclusões a partir disso. E economistas têm a tendência de ser muito seguros de si mesmos."

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terça-feira, outubro 28, 2008

Papel do medo

O papel do medo no mercado
Renae Merle *
O Estado de São Paulo - 26/10/2008

As desvairadas oscilações horárias do mercado se tornaram o exemplo da turbulência provocada pela crise financeira, mas ainda deixam perplexos muitos profissionais do mercado. A média industrial Dow Jones agora viaja rotineiramente centenas de pontos em questão de horas, apenas para mudar de direção em muitos casos. Num único dia no início do mês, o índice percorreu mil pontos pela primeira vez na história. Em outro dia, uma recuperação de 400 pontos durante a última hora de pregão conferiu ao índice um ganho histórico de 936 pontos.

Durante a última hora de pregão no dia 20, o índice Dow subiu mais de 100 pontos. Os analistas financeiros sugerem que as agudas guinadas para cima e para baixo refletem a incerteza dos investidores quanto à velocidade com a qual a crise financeira pode ser resolvida e se a recessão vai ser transmitida do setor bancário para outros setores da economia.

Ganhos e perdas íngremes também foram detonados conforme as ações atingem patamares predeterminados de compra e venda, provocando negociações automáticas e causando um efeito chicote entre os investidores.

As maiores oscilações têm ocorrido com freqüência durante as últimas horas do pregão, o que demandou uma supervisão mais atenta por parte da Agência Reguladora da Indústria Financeira(FIRA), uma reguladora não-governamental de empresas seguradoras. O fim de um dia de negociações é o momento no qual os investidores institucionais, incluindo fundos de hedge e fundos mútuos, correm para atender as demandas dos clientes e tirar o dinheiro do mercado.

Os giros transformaram até os mais experientes profissionais do mercado em investidores desconfiados, a espera de uma pequena notícia capaz de virar a maré e dar início a um estouro da manada, seja em alta ou em queda. “O psicológico e o emocional constituem boa parte daquilo que impulsiona o mercado”, disse Andrew Brooks, chefe de comércio de ações junto à T. Rowe Price. “Estamos obviamente passando por um momento extremamente emotivo e esquizofrênico.” O índice de volatilidade da bolsa de commodities e valores mobiliários da Chicago Board Options Exchange, conhecido como VIX, tornou-se um indicador diário da ansiedade dos investidores. O VIX mede o quanto os investidores esperam que oscile o valor das ações, e é freqüentemente chamado de “medidor do medo”. Este índice fechou em 70,33 na sexta-feira, 17 de outubro, o maior valor já registrado, e atingiu o valor de 81,17 durante os dias de negociação da semana passada. Em tempos normais, seu valor transita na casa dos 15 a 20.

“Não fazemos idéia de que rumo as coisas irão tomar. É isso que ‘alta volatilidade’ quer dizer”, disse Robert F. Engle, professor de finanças e diretor do Centro de Econometria Financeira da Universidade de Nova York.

O índice de volatilidade baixou para 53 no dia 20 enquanto Wall Street celebrava os sinais precoces de que os esforços do governo para descongelar os mercados de crédito estariam obtendo resultado positivo.

Mas os analistas dizem esperar que a volatilidade perdure durante algum tempo, quem sabe por todo o fim do ano. A volatilidade do mercado proporciona uma oportunidade para alguns negociadores por meio do lucro com mudanças abruptas. “É ruim para nós, mas alguém está prosperando em cima desta volatilidade”, disse Ashwani Kaul, diretor de pesquisas da Thomson Reuters. “Sempre que há volatilidade, alguém está ganhando dinheiro.”

O último período de volatilidade contínua foi entre 2000 e 2003, após o colapso da bolha da internet e os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, disse Engle. “Já excedemos em muito o que ocorreu naquele período”, disse.

Mas a volatilidade atual não se compara à da Grande Depressão, disse Engle. “As notícias durante a Grande Depressão eram ainda mais dramáticas. Tivemos milhares de falências de bancos. O desemprego chegou a 30%”, disse ele. “O mercado de ações perdeu 70% do valor, em vez dos 35% a 40% que estamos vendo agora. Foi uma catástrofe econômica muito maior.” Os analistas dizem que parte da volatilidade recente poderia ter sido evitada se os investidores tivessem começado a reavaliar o mercado num momento anterior, talvez depois da falência do banco de investimentos de Wall Street, Bear Sterns, em março.

Um certo nível de volatilidade é natural quando os investidores reavaliam apressadamente o valor de setores inteiros, em vez de fazê-lo gradualmente ao longo do tempo, disseram. “Se o investidor inteligente tivesse se retirado gradualmente de suas posições mais arriscadas, não teríamos passado por uma queda tão abrupta”, disse Kaul.

O momento mais volátil do dia tornou-se a última hora de pregão, quando os fundos de hedge e fundos mútuos enfrentam pressão por parte dos seus clientes para obter lucro. Os negociadores às vezes recebem um pacote determinado de ações para vender e passam a maior parte do dia tentando obter o melhor preço. Mas ao final do dia, muitos deles precisam vender sem se importar com o preço, simplesmente para cumprir metas.

“Ao invés de trabalhar a venda para obter o melhor preço, eles acabam vendendo por qualquer valor apenas para atingir o patamar de lucro que seus chefes exigem”, disse Art Hogan, analista-chefe de mercado da Jeffrey’s & Co.

De acordo com o TrimLabs Investment Research, os investidores retiraram US$ 43 bilhões dos fundos de hedge em setembro, o maior saque jamais registrado num único mês. Cerca de US$ 22 bilhões foram retirados dos fundos mútuos americanos no mês passado, outro recorde.

Espera-se que outubro seja pior. “Claramente estamos testemunhando vendas forçadas”, disse Tobias Levkovich, estrategista-chefe para títulos do governo americano da Citigroup Investment Research. “Se você possuía uma ação que perdeu 60% do seu valor ao longo de três ou quatro meses, o único motivo para vendê-la agora seria a obrigação de fazê-lo.”

A FIRA também confirmou no dia 20 que está observando se a histórica volatilidade de final de dia está relacionada com a manipulação dos investidores. A agência está examinando se os negociadores têm estabelecido inapropriadamente durante os últimos 20 minutos de pregão - um período conhecido como “mercado em fechamento” - preços artificiais para as ações, em desacordo com o patamar de venda do dia.

As oscilações têm se mostrado inquietantes para alguns investidores.

“O período entre as 15 horas e 16 horas foi seqüestrado por alguns destes fundos de hedge e fundos mútuos maiores, seja quem for que disponha de grande volume de transações”, disse Kaul. “É necessária uma enorme quantidade de dinheiro e um imenso volume de transações, mas se eles quiserem elevar os preços, eles o fazem. Se quiserem derrubá-los, eles os derrubam.”

*Renae Merle escreve para o Washington Post

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terça-feira, abril 17, 2007

Profissão e mercado

A profissão influencia na hora de escolher o melhor investimento
Jornal do Commércio do Rio de Janeiro - 16/04/2007

A escolha do investimento mais adequado passa por diversas esferas. A profissão do aplicador pode ser determinante na formação da carteira de investimentos. Se o ofício for de uma área muito distante, poderá parecer não existir influência direta. Na advocacia, por exemplo, existem áreas que podem acabar direcionando as aplicações. O advogado societário Fernando Gammino diz-se totalmente influenciado pela área em que atua. Já o médico Felipe Werneck conta que não acredita que seu trabalho tenha ajudado nos investimentos que faz. De qualquer forma, o ser humano é um só e cada aprendizado pode ser levado para campos aparentemente diferentes. A metodologia e a racionalidade utilizadas na medicina podem transferidas para o aprendizado financeiro.

O diretor da Mercatto Gestão de Recursos, Paulo Veiga, especialista em investimentos, acredita que o mais importante para ter-se uma cultura financeira é o nível de formação sócio-econômico. “Quando se tem um grau de instrução maior, principalmente financeiro, fica mais fácil para o gestor perceber qual é o perfil do investidor”, diz.

poupança.Para ele, o ideal é que o investidor ao menos conheça as diferentes formas de formar poupança, para travar um diálogo com o profissional de investimento. “É importante que antes de investir se procure um profissional de confiança, que não seja de um banco, porque eles têm metas a cumprir e podem indicar investimentos que não sejam adequados”, aconselha. Para ele, quanto maior for o grau de escolaridade será esperado maior acesso a leitura e à conseqüente formação de uma camada de informação.

A cultura de investimentos começa no orçamento doméstico. Antes de querer investir, é preciso saber organizar as finanças, conhecer os juros pagos, definir metas de poupança.

O segundo passo é estudar e conhecer as possibilidades, para então procurar conselho de alguém mais experiente. Um curso básico sobre mercado financeiro também pode ajudar. A Bovespa, a Andima, o Instituto Nacional dos Investidores e diversas corretoras oferecem cursos.

Mas não é todo mundo que precisa procurar ajuda profissional de nível básico. O advogado societário Fernando Gammino conhece bem o funcionamento das empresas e a importância de práticas de governança corporativa. Isso ajudou na hora de investir em ações.

“Acredito que além da profissão em si, a área de atuação influenciou meus investimentos. Por trabalhar com direito societário, acabo me interessando pelo mercado de capitais e pelo histórico da Bolsa. Outros advogados acabam preferindo comprar imóveis ou aplicar em renda fixa”, comenta Gammino.

sem domínio.Já o médico Felipe Werneck tem uma visão bastante diferente quanto à influência da profissão sobre os investimentos. Com uma carteira diversificada entre ações, fundo de renda fixa, títulos públicos e debêntures, o médico começou a aplicar já na faculdade. Inicialmente, realizava os investimentos mais tradicionais.

“A medicina não me ajudou em nada. Pelo contrário, porque percebo que é muito comum médicos não terem sequer domínio sobre os gastos domésticos. É preciso ter cuidado com as finanças pessoais antes de querer investir”, conta Werneck.

Ele acredita que a medicina ajudou a ter cultura geral, mas não de investimentos. E este é ponto explicitado pelo especialista Paulo Veiga. A facilidade de aprendizado e o interesse por estudo são importantes para o desenvolvimento de cultura financeira, independentemente da área de atuação. Seja da área de ciências humanas, de ciências exatas, tenha ou não ensino superior. O importante é interesse e estudo sobre o mundo dos investimentos, além é claro da organização financeira.

“Duas pessoas com a mesma cultura, com o mesmo nível de formação, mas com nível de poupança diferenciados, vão precisar de investimentos diferenciados”, explica Veiga. É necessário, para ele, que se trace o perfil social, cultural, educacional, econômico e de apetite a risco antes de aplicar.

A educação familiar é mais um diferencial que pode ser decisivo para determinar o perfil de um investidor. Experiências como a da diretora financeira da Business Professional Women do Rio de Janeiro (BPW-Rio) Eliana Bussinger, que acostuma os filhos desde cedo ao sobe-e-desce do mercado financeiro, podem ser determinantes para o perfil dos futuros investidores.

“As pessoas agem dentro de uma família. Acredito que uma parte da relação das pessoas com o dinheiro e com os investimentos seja passada de geração para geração, com a educação dentro de casa”, diz a psicóloga Sandra Jessula, especialista em terapia familiar.

A especialista pondera que não apenas os ensinamentos diretamente ligados a investimento serão transformados em experiências muitas vezes usadas no futuro. De acordo com Sandra, situações corriqueiras podem ser determinantes para o perfil que a criança terá como investidor no futuro.

“Limites em excesso tendem a criar um adulto mais cauteloso, que se sentirá pouco à vontade para arriscar. Enquanto uma criança mais livre e atirada tem mais chance de se tornar um investidor ousado, sem medo de perder. Não fiz uma pesquisa específica sobre isso, mas acredito que esse comportamento deve ser observado também no mercado financeiro”, acrescenta a psicóloga.

Sandra lembra que a educação financeira nem sempre é passada pelos pais. Em muitos casos os avós ou primos mais velhos e bem sucedidos servem como espelhos para as crianças. O principal, segundo a psicóloga, é o incentivo para que as crianças ousem.

“Se a criança arrisca, ela deve ser apoiada porque isso vai ser bom para ela no futuro. Nem sempre o funcionário mais obediente é o melhor funcionário”, ressalta Sandra.

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