segunda-feira, junho 04, 2012

Starbucks

A rede de cafés Starbucks é responsável por colocar 4 bilhões de copos de papel no mundo a cada ano. Diante do problema potencial para o ambiente, a empresa adotou uma política de cobrar pelo copo de papel usado pelo cliente.

Segundo Marc Gunther esta abordagem é falha: se o objetivo é salvar as árvores, a empresa não deveria dar desconto para quem traz seu copo de casa, mas cobrar para aqueles que não trazem. A empresa afirma na sua página:

Junte-se ao movimento. Traga um copo reutilizável e ganhe um desconto de 10 centavos em qualquer bebida Starbucks. 

Suponha que um café custe $1,60; se levo o copo irei pagar $1,50. A proposta de Gunther é definir o preço como sendo $1,50 e cobrar $0,10 pelo copo de papel. Aparentemente isto não altera muita coisa. Mas para as finanças comportamentais sim. Isto é conhecido como “aversão a perdas”. Este conceito indica que as pessoas preferem não perder (valor de dez centavos para cada copo) a obter ganhos.

Admitindo que a empresa Starbucks conheça como trabalha a aversão a perdas, qual a razão da empresa não usar esta abordagem?, pergunta Gunther. Para Gunther, a empresa sabe que isto vai funcionar. Segundo um porta voz da empresa, a Starbucks não quer penalizar que não trouxer seu copo. Estes clientes poderiam interpretar mal o adicional cobrado.

Marcadores: , ,

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Incentivos e Aversão à perda

A The Economist de 14 de janeiro traz um texto interessante sobre incentivos em empresas e o conceito de aversão à perda (Carrots dressed as sticks, 14 jan 2010). O texto relata uma experiência de Tanjim Hossain (Universidade de Toronto) e John List (da Universidade de Chicago) numa fábrica chinesa. A experiência foi realizada em dois grupos. Num primeiro, anunciou-se que os trabalhadores receberiam um bônus de doze dólares no final de uma semana se atingissem uma meta de produção. Para outro grupo foi anunciado tanto o bônus, no mesmo valor, ou a possibilidade de perda, se a produtividade caísse.

Em termos objetivos, os dois grupos são basicamente os mesmos. Mas para finanças comportamentais, existe o conceito de aversão à perda. As conclusões de Hossain e List mostraram que o conceito funciona também neste caso. É a teoria do chicote e da cenoura em prática.

Um aspecto interessante, ao ler a reportagem, é o nome do pesquisador List. Quem leu o recentemente lançado Superfreakonomics (p. 110 e seguintes) deve lembrar as várias páginas que o livro de Levitt e Dubner dedicaram a este pesquisador. No livro, existe um comentário negativo sobre a metodologia de pesquisa denominada de experimental. E questionavam algumas das conclusões encontradas por este tipo de pesquisa. Mas observe que as conclusões do estudo de Hossain e List são as mesmas que as finanças comportamentais encontraram em estudos experimentais.

Marcadores: , ,

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Replicando K&T

O objetivo deste estudo foi replicar a investigação empírica desenvolvida por Kahneman e Tversky (1979), buscando verificar, em estudantes de Ciências Contábeis de uma universidade pública e duas faculdades particulares, a evolução racional no processo decisório ao longo dos períodos e também a influência do gênero para questões relacionadas a perdas e exposição ao risco. Para tal, utilizou-se de uma pesquisa de campo, por meio da aplicação de questionários, no modelo original proposto pelos autores retro citados. Simultaneamente, realizou-se um estudo comparativo dos resultados obtidos com a pesquisa desses precursores e de outros autores que também replicaram essa pesquisa no contexto brasileiro no que concerne aos efeitos estudados (efeito certeza, isolamento e reflexo). Os resultados indicaram que não há influência da evolução racional no processo decisório, pois se observou que a posição do aluno no curso não altera o seu modo de perceber o risco e nem a sua intensidade de aversão às perdas. Observou-se também que o gênero dos respondentes influencia na decisão de tomada de risco, pois o sexo feminino possui uma aversão mais acentuada ao risco que o masculino. Por fim, comparando-se simultaneamente os resultados encontrados na pesquisa atual com os resultados de outros autores, verificou-se que esses eram bastante semelhantes e que os aspectos comportamentais estudados são pouco influenciados por vieses culturais e racionais.

Finanças Comportamentais: um estudo comparativo utilizando a teoria dos prospectos com os alunos de graduação do curso de ciências contábeis - Rhoger Fellipe Marinho, Umbelina Cravo Teixeira Lagioia, Carolina Veloso Maciel, Raimundo Nonato Rodrigue

Marcadores:

segunda-feira, setembro 21, 2009

Realização de prejuízos

Palavra do gestor: A relutância dos investidores em realizar seus prejuízos
Jan Karsten

No Quinto Congresso Anbid de Fundos de Investimento, tivemos o prazer de ouvir os ensinamentos do Prêmio Nobel de Economia doutor professor David Kahneman. Em virtude da excelente apresentação realizada por ele, me pareceu oportuno trazer um tema comentado pelo professor e tão atual: a relutância que os investidores têm em realizar prejuízos.

O primeiro estudo para testar o efeito disposição, ou seja, a tendência a realizar ganhos antes de perdas, foi realizado em 1999 por Terrance Odean, professor de finanças da Universidade da Califórnia ( Berkley), várias vezes mencionado pelo Dr. Kahneman.

Em 2005, resolvemos realizar o mesmo teste efetuado pelo professor Odean aqui no Brasil. Para tal investigamos o padrão de comportamento de 12 mil investidores entre pessoas físicas, pessoas jurídicas institucionais e não-institucionais que transacionaram na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Este trabalho foi possível graças à BM&F Bovespa, que nos forneceu gratuitamente uma amostra aleatória de investidores que realizaram mais de 600 mil transações entre 2001 e 2004.

O efeito disposição foi encontrado em todos os anos e para todos os investidores, com exceção dos investidores institucionais no ano de 2004. Para validar esse resultado isolamos alguns fatores como: vendas motivadas pela tributação e vendas motivadas pelo rebalanceamento do portfólio. Para quem não acompanhava o mercado financeiro naquela época, três ações apresentaram expressivas perdas entre 2001 e 2004: Embratel, Telesp Celular e Globo Cabo. Esta última, por exemplo, veio de R$ 16 para algo próximo a R$ 1.

A expectativa que tínhamos é que isolando as transações com tais ações a disposição em realizar mais perdas iria subir, afinal a tendência do investidor com papéis que sofreram expressivas perdas é mantê-los até que retornem ao nível de aquisição. O fato é que essas ações não eram as únicas que sofreram perdas neste período e pudemos assim comprovar que a aversão a realizar perdas cria uma inércia, ou seja, um desejo muito forte em manter o portfólio de investimentos intacto.

O desejo de evitar o sentimento de arrependimento gera essa inércia dos investidores. Eles têm a expectativa de que a ação com perdas retornará ao preço de aquisição e portanto, preferem realizar pequenos lucros com algumas ações a realizar um grande prejuízo com uma única ação. Mesmo que a ação que acumula prejuízo tenha perspectivas inferiores às demais ações do portfólio.

O professor Kahneman também citou que psicólogos e neurocientistas estão convergindo na descrição de como o nosso cérebro funciona. Essa descrição faz distinção entre dois tipos de pensamento, um que é intuitivo e automático e outro que é refletivo e racional. O primeiro é muito comum entre os investidores pessoas físicas, o segundo é consistente entre os investidores institucionais que conseguem alocar a sua atenção de forma mais eficiente. Na sua visão existem dois tipos de investidores pessoas físicas: os que procuram montar um portfólio mais de longo prazo e os que são operadores ativos, comprando e vendendo frequentemente. No trabalho de Odean, ficou evidente que os investidores mais ativos tomam decisões de investimentos equivocadas, pois, na média, as ações de empresas que eles vendiam subia 3,4% a mais do que as ações de empresas que eles compravam.

Apesar de o Ibovespa ter acumulado mais de 27% de rentabilidade acumulada no período de 2001 a 2004, os investidores individuais acumularam mais perdas do que ganhos. Também mantiveram em suas carteiras, na média, uma ação por 100 dias úteis versus investidores institucionais, que seguraram uma ação por 213 dias úteis. O estudo do efeito disposição mostra que os investidores não têm a disciplina de analisar as ações que acumulam perdas e reavaliar se é o momento de se desfazer dessas ações em detrimento de novas com perspectivas melhores para o futuro. Isso foi comprovado por esse estudo com as ações de Embratel, Globo Cabo e Telesp Celular e, mais recentemente, com as empresas que realizaram aberturas de capital.

Usando as palavras do professor Kahneman, os investidores individuais operam demais e na média tomam decisões de investimento equivocadas. O professor reforçou que os assessores profissionais têm uma responsabilidade muito importante no aconselhamento de investidores, como: impor uma disciplina para investir para o longo prazo; não ficar monitorando excessivamente a carteira de investimento e evitar que os investidores desenvolvam um excesso de confiança.

Jan Karsten ,diretor de investimentos do Citibank Brasil
Valor Econômico – 20/8/2009

Marcadores: , ,

domingo, julho 12, 2009

Explicando a queda excessiva do mercado

Para explicar o comportamento dos investidores nós teremos que voltar para disciplina de economia comportamental. Em 1979, os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky sugeriram que as pessoas sentem a dor se sustentar uma perda supera o prazer que sentem quando se tornar um ganho da mesma magnitude. Estima-se que a dor tende a ser duas e meia vez mais intensa que o prazer.

Like a doe caught in the headlights
Sanjay Kr Singh
22 June 2009
Indian Express

Marcadores: , ,

segunda-feira, maio 11, 2009

Quem conta um conto

O mercado cai três vezes mais rápido que ele sobe. Um estudo acadêmico em finanças comportamentais, concluiu que as perdas têm três vezes o efeito emocional de um ganho.

Where brokers dare, we should tread carefully
Marcus Padley - The Age 2/5/2009


Tradicionalmente o valor é duas vezes.

Marcadores: ,

quarta-feira, março 18, 2009

Aversão a Perda e Trânsito

É interessante notar que alguns conceitos de finanças comportamentais estão sendo usados em engenharia de transito. Se duas pessoas fazem um determinado trajeto em 30 minutos, o sentimento de ganho ou perda de tempo no trânsito estará associado a sua referência. Se uma das pessoas tem como parâmetro um trajeto de 20 minutos, haverá um sentimento de perda. Se o outro estiver acostumado com um tempo de 40 minutos, acontecerá o sentimento de ganho. Veja mais aqui

Marcadores: , ,

terça-feira, maio 15, 2007

Aversão a perda

Um artigo no sítio Blue Bus sobre aversão a perdas:

O medo de perder é bem maior que a vontade de ganhar

Qual a importância de emoçoes como medo e desejo nas nossas decisoes cotidianas? Segundo alguns estudiosos do comportamento humano, essa influência pode ser bem decisiva para as escolhas que fazemos. Quer uma prova? Pesquisadores das universidades americanas de Stanford, Carnegie Mellon e Iowa colocaram 41 pessoas em volta da mesa, para um jogo de cara-ou-coroa em 20 rodadas e deram a cada uma U$ 20. Se os jogadores ganhassem, aumentariam o patrimônio em U$ 2,50. Se perdessem, deixavam na mesa U$ 1. Eles podiam também decidir nao participar da rodada.

Considerando as chances de 50% e o alto retorno pelo investimento, seria lógico que todos topassem o desafio na maioria das rodadas, certo? Mas nao foi isso o que aconteceu - os jogadores investiram apenas em 58% das rodadas. O mais interessante é que os pesquisadores incluíram no grupo 15 pessoas que haviam sofrido danos no cérebro, tendo sua capacidade de sentir emoçoes anulada. Estes, ao contrário dos demais, assumiram o risco em 84% das vezes. O resultado final? Os medrosos saíram do jogo em média com U$ 22,80 e os insensíveis com U$ 25,70. Curiosamente, todos começaram o jogo arriscando. Mas a partir das 1as experiências de perda, os participantes capazes de sentir emoçoes começaram a frear os investimentos, movidos pelo medo de perder posiçoes e regredir.

Apesar da ausência de emoçoes ter ajudado nessa experiência específica, os cientistas garantem que essa deficiência acarreta, em geral, muito mais dissabores do que vantagens. O ideal seria controlar as emoçoes para evitar que elas nos prejudiquem no mundo real, onde muitos de nós evitamos conflitos, adiamos trocas de emprego, desistimos de defesas mais veementes de nossas posiçoes e nunca adotamos novas estratégias, simplesmente porque o medo de perder é bem maior do que a vontade de ganhar.

Se você se reconheceu em alguns desses exemplos, pode se consolar pelo menos com a informaçao de que isso é natural nos seres humanos. Pelo menos naqueles habilitados a sentir emoçoes. (Luiz Alberto Marinho)

Marcadores:

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Aversão a Perda

Oportunista versus displinado

Gazeta Mercantil - 15/02/2007

15 de Fevereiro de 2007 - Os mercados de ativos de risco, como as bolsas de valores, são famosos por seus altos e baixos. A chamada finança comportamental (behavioral finance) é o campo que aborda as conseqüências dos movimentos dos mercados sobre o investidor. Nessa cadeira, os acadêmicos buscam compreender como as expectativas dos agentes são formadas e de que forma as reações mais comuns são determinadas. O professor Amos Tversky - um dos fundadores desse campo de estudo - propôs a Teoria dos Prospectos em 1979, tomando por base um levantamento sobre o comportamento de investidores pessoa física frente às flutuações do mercado financeiro.

Uma de suas principais observações é que as pessoas passam por um estresse maior quando experimentam perdas em um mercado de baixa do que se sentem recompensadas por ganhos semelhantes quando o mercado é de alta, mesmo que tal baixa e alta tenham sido da mesma proporção. Ou seja, há uma assimetria nas percepções geradas pelas flutuações do mercado. Não precisamos de um psicólogo para nos dizer que investidor odeia perder dinheiro. A grande maioria está perturbada com volatilidade recente dos mercados de risco.

No entanto, caso estejamos tratando de um plano de investimentos bem desenhado e um investidor informado, uma parte significativa das apreensões naturais ao aplicador pode ser reduzida, o que tende a favorecer a boa gestão do patrimônio.

Um plano sólido de investimentos trabalha sempre com a hipótese de que o mercado irá apresentar períodos de realização. A literatura financeira está repleta de estudos que demonstram a baixa capacidade dos agentes financeiros de antecipar consistentemente tais movimentos.

Dessa forma, caso seu objetivo seja superar o retorno oferecido por aplicações conservadoras, como o oferecido por um fundo DI, tenha em mente que durante alguns períodos ao menos uma parte de sua carteira enfrentará momentos desfavoráveis. Isso é normal e deve ser visto como uma oportunidade para a gestão de seus recursos. Se você formulou um plano de investimentos tomando por base suas limitações financeiras, objetivos e tolerância ao risco, não há motivos para apreensão quando o mercado apresenta suas habituais flutuações.

A gestão disciplinada de uma alocação definida pelos três pontos acima é responsável pela maior parte do retorno de uma carteira que envolve investimentos em diferentes instrumentos financeiros e tenha horizonte amplo - via de regra superior a 12 meses - para acomodar as flutuações e propiciar tempo para que o potencial de alta dos ativos possa se materializar.

Já para o investidor que faz suas aplicações com base na percepção de que esse ou aquele mercado pode apresentar uma oportunidade para os próximos 30 dias, a recomendação que fica é menos tranquilizadora. Esse investidor precisa acompanhar de perto os movimentos dos ativos onde estão seus recursos, sobretudo indicadores antecedentes que possam sinalizar os movimentos futuros dessas aplicações, bem como a evolução do preço de cada um dos ativos. Além disso, é necessário monitorar com atenção o cenário macroeconômico e político, interno e externo, para tentar prever o melhor momento de fazer ou desfazer posições.

Dito isso, não parece razoável para a grande maioria dos investidores pessoa física, sobretudo o pequeno poupador, montar um plano de investimentos de longo prazo que acomode propensão ao risco, limitações orçamentárias, objetivos e que seja capaz de acomodar as flutuações do mercado ao longo do tempo?

Nesse caso, a arte está selecionar um gestor capaz de alocar os recursos em diferentes ativos de tal forma a atender os critérios mencionados.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Aquiles Mosca - Economista, mestre em Administração e estrategista de investimentos pessoais do ABN Amro Asset Management. )

Marcadores: , , ,