quinta-feira, julho 19, 2018

Custo Perdido



Não devemos levar com consideração o custo perdido (foto). Mas na prática, isto se aplica a situações corriqueiras, que não estão necessariamente vinculadas as decisões financeiras. Assim, continuamos assistindo um filme chato no cinema, pois pagamos o ingresso e achamos loucura quando um estudante abandona um curso faltando um semestre para terminar, mesmo que ele tenha certeza que não gosta da profissão.

Olivola stumbled onto this line of inquiry during his doctoral dissertation research, which explored the quirky fact that people donate far more money for charitable causes when the person soliciting them is also taking on some kind of arduous challenge, like running a marathon or dunking a bucket of ice water on their head.


Uma pesquisa descobriu algo surpreendente: a falácia do custo perdido parece ser válida para os ratos. Mas que pessoas com autismo (ASD), o efeito é menor. 

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quarta-feira, julho 04, 2018

Experimento da prisão foi teatro?

Uma das pesquisas comportamentais mais famosas foi colocada em dúvida. Segundo um artigo (via aqui) que ainda será publicado, de autoria de Alex Haslam e colaboradores, o experimento da prisão de Stanford pode ter sido uma forma de teatro.

Em 1971 o psicólogo Philip Zimbardo (ao lado) e equipe distribuiu alunos em dois grupos. O primeiro seriam os prisioneiros; os segundos, guardas. O que seria uma simulação, tornou-se uma realidade muito próxima ao que ocorrida em uma prisão verdadeira. Os guardas voluntários começaram a ter uma postura tirânica e começaram a maltratar os prisioneiros fictícios. O experimento mostraria que as pessoas se transformam quando assumem um papel, uma vestimenta, de “guarda” ou “prisioneiro”.

Os críticos do experimento de Stanford afirmam que a equipe de Zimbardo não foi isenta e participou ativamente do que ocorreu. Haslam e colaboradores analisaram uma gravação de uma conversa entre um “guarda” e um membro da equipe de Zimbardo, David Jaffe, que seria o diretor da prisão do estudo. Na conversa, o diretor tenta influenciar o guarda a comportar de maneira mais tirânica e o voluntário reluta em assumir esta postura. Este fato, e outros já conhecidos, são contraditórios com a meneira como Zimbardo retratou o experimento, como se os fatos tivessem ocorrido naturalmente:

Parece mais correto ver o Stanford Prison Experiment como um exemplo convincente de teatro improvisado semi-roteirizado, em vez de pesquisa científica objetiva. 

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segunda-feira, junho 25, 2018

Em que idade somos mais felizes?

Um novo estudo sobre satisfação com a vida abrangendo sete enormes pesquisas a mais de 1,3 milhões de pessoas numa amostra aleatória em 51 países diferentes, mostra que a felicidade segue uma forma em U ao longo de uma vida: a maioria das pessoas identificam altos graus de felicidade no final da adolescência e início dos 20 anos, seguidas por uma fase em que se se tornam cada vez mais infelizes – a tingindo o ponto mais baixo na satisfação com a vida por volta dos 50 anos – para finalmente recuperarem a capacidade de serem felizes. 

O estudo, dado a conhecer pelo World Economic Fomrum, adianta que perguntou sobre a felicidade de formas diferentes, mas as respostas tendem sempre para o mesmo padrão: a forma em U.  

A juventude e a velhice são períodos de relativa felicidade, conclui o estudo, enquanto a meia-idade aparenta ser o pior período da vida – que na maioria dos casos ‘bate no fundo’ por volta dos 50 anos.  

Estas semelhanças são ainda mais notáveis, dadas não apenas as diferenças dos inquéritos mas também a extensão das geografias em que foram efetuados. Os dados incluem o Inquérito Social Geral (54 mil inquiridos americanos), o Inquérito Social Europeu (316 mil inquiridos em 32 países europeus) e o inquérito da Understanding Society (416 mil inquiridos na Grã-Bretanha), entre outros.  

Note-se que o pior período da vida das pessoas não tem nada a ver, ou pode não ter, com miséria, dificuldades financeiras, desemprego, ou outro drama pessoal qualquer. “Há uma evidência em que os seres humanos experimentam uma meia-idade psicológica em baixo. As causas exatas não são totalmente claras. Uma explicação comum é que em países ricos a meia-idade é entre o final dos 40 anos e início dos 50, altura em que estão frequentemente no auge das suas carreiras (com todas as dores de cabeça que isso acarreta), e muitas estão a lidar com crianças adolescentes indisciplinadas”, afirma o estudo.  

Há também algum desacordo sobre a universalidade da curva de felicidade em forma de U. Os analistas que investigaram as tendências encontraram variações diferentes na curva, particularmente entre nações menos ricas. Ainda assim, os autores do estudo afirmam que as provas que já reuniram são uma ótima ferramenta de trabalho para psicólogos e economistas.
Fonte: Aqui

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quinta-feira, junho 21, 2018

Apostas e a Copa do Mundo

Um texto mostrando alguns problemas comportamentais nas apostas esportivas durante a Copa do Mundo:

Na quinta-feira, começa a Copa do Mundo de 2018, uma competição de um mês com equipes masculinas de 32 países, quando a Rússia enfrenta a Arábia Saudita. A Copa do Mundo, que acontece a cada quatro anos, atrai muitas pessoas que normalmente não se consideram fãs de futebol. A final da Copa do Mundo de 2014, entre a Argentina e os vencedores da Alemanha, foi assistida por mais de um bilhão de pessoas.

A Copa do Mundo também é uma época em que muitas pessoas que normalmente não se consideram apostadores decidem jogar . Para muitas pessoas, a aposta pode adicionar de forma mais simples emoção aos jogos de futebol. Mas a aposta também pode levar muitas pessoas a perder mais do que ganhar. Este "guia de apostas" irá apresentar algumas das principais descobertas da pesquisa que podem manter suas perdas sob controle e aumentar suas chances de sair na frente.

# 1: não aposte na sua equipe

Uma estratégia popular é apostar no próprio país (embora os torcedores da Itália e dos EUA não possam fazê-lo desta vez, porque as duas equipes não conseguiram se classificar, a primeira vez desde 1958 e 1986, respectivamente). Isso é conhecido como “ viés da própria equipe ” e há duas razões principais para evitar essa estratégia. A primeira razão é que as casas de apostas tendem a conhecer por essa preferência e oferecem pagamentos injustamente baixos à própria equipe do apostador . A segunda razão é devido ao aspecto emocional. Você ficará feliz se sua própria equipe vencer. Faz sentido fazer uma proteção (hedge) de sua felicidade para diferentes resultados, apostando que sua equipe não irá ganhar. Dessa forma, você está garantindo que não terá um duplo golpe se seu time perde e você perder a aposta. Se você adotar este conselho, você estará entre poucos; as pessoas realmente não gostam de apostar contra sua própria equipe, mesmo quando oferece uma aposta grátis de $ 5 .

# 2: não apostar no “azarão”

(...) Enquanto escrevo isso, as probabilidades do jogo de abertura dizem que uma aposta de $ 1 poderia retornar $ 1,28 (lucro = $ 0,28) se a Rússia ganhasse, $ 11 (lucro = $ 10) se a Arábia Saudita ganhasse ou $ 5 (lucro = $ 4) se as equipes empatarem. Portanto, os mercados de apostas consideram a Rússia "favorita" e a Arábia Saudita o “azarão”. Muitos jogadores ingênuos podem ser atraídos pelos pagamentos potenciais mais altos e pelo drama de apostar nos azarão, como a Arábia Saudita aqui.

Este impulso reflete o viés de apostas esportivas estabelecido. Já em 1949, constatou-se que, em corridas de cavalos, as apostas em azarões tinham perdas muito maiores (como uma porcentagem do valor apostado) do que as apostas em favoritos. Embora nenhuma categoria de apostas tenha sido vantajosa no longo prazo após contabilizar a parte do bookmaker , a perda acima da média dos azarões é um padrão já confirmado em muitos esportes (incluindo futebol; veja aqui e aqui). 

# 3: Não seja sugado por apostas específicas

Apostar em azarões não é a única maneira que os apostadores de futebol podem perseguir altas recompensas. As apostas “Acumulador” envolvem a previsão de todos os resultados de vários jogos de futebol separados. Com, digamos, cinco jogos independentes, os payoffs podem aumentar rapidamente, porque a aposta só compensa quando todos os jogos terminam como previsto. No entanto, é fácil superestimar a conjunção de vários eventos, tanto na vida quanto no futebol. Uma alternativa é apostar em resultados mais específicos, como uma aposta na Rússia para vencer por 3-0, ou um jogador específico marcar o primeiro gol, ou até mesmo um jogador para marcar o primeiro gol e a Rússia para ganhar por 3-0. Essas apostas específicas se destacam na publicidade de jogos de azar britânicos. Mas evite apostar em todas essas categorias específicas. (...)

# 4: É fácil esquecer as apostas em azarões

Por que as pessoas continuam apostando em azarões? Uma razão é que as apostas bem-sucedidas ficam na mente. Por exemplo, se tornou viral um apostador que jogou um bilhete em “Sami Khedira irá marcar e Alemanha irá ganhar de 7-1” no famoso jogo da semifinal da Copa de 2014, onde a Alemanha ganhou do Brasil. (A aposta inicial de US $ 20 pagou mais de US $ 40.000.) Nenhuma glória, no entanto, vai para as apostas de sucesso mais mundana de "Alemanha irá vencer".

Enquanto isso, azarões mal sucedidos são esquecidos instantaneamente. Reserve um momento para pensar na angústia das pessoas que apostaram na vitória da Alemanha por 7x0, que tiveram suas esperanças frustradas pelo gol de consolação de Oscar do Brasil no último minuto do jogo. Tenha cuidado: “quase-acidentes”, como esse, são conhecidos por motivar os apostadores quase tanto quanto ganhar apostas, e podem ser um fator pelo qual tantas pessoas continuam apostando de forma específica. (...)

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quinta-feira, maio 24, 2018

Poder das Metas

No livro Irresistível, Adam Alter comenta sobre o poder das metas. E apresenta o gráfico abaixo que é bastante interessante:
O gráfico mostra o tempo para completar a maratona pelo número de corredores. Assim, cerca de 500 terminam com o tempo de 3 horas e 59 minutos. Mas somente 390 fazem em 4 horas e um minuto.

terminar em menos de quatro horas. Esse é o poder irresistível das metas: mesmo quando estiver a duas bananas de desabar, você encontra força de vontade para seguir em frente.

O gráfico mostra em destaque os valores imediatamente anteriores aos tempos exatos de 3 horas, 3 horas e meia, 4 horas e 4 horas e meia. Alter revela que a organização da prova coloca "coelhos" com informação do tempo que cada um levará para completar a prova. Assim, se você quiser concluir em três horas, basta seguir o "coelho" com a informação na camisa. 

terça-feira, abril 24, 2018

Privacidade Online e Comportamento

Durante o depoimento de Zuckerberg ao legislativo dos Estados Unidos, o CEO do Facebook propôs como solução para os problemas de privacidade da rede social que o usuário escolhesse o nível desejado. Em um artigo para o NY Times, Porter lembrou que isto é uma armadilha.

Quando uma empresa deixa a critério do usuário escolher o nível de privacidade, o mesmo não será mais cauteloso, mas sim deverá compartilhar ainda mais suas informações pessoais. Isto tem o nome de paradoxo do controle e já foi objeto de pesquisa acadêmica. Trata-se de um problema comportamental que poderia ser também chamado de “dar mais corda para se enforcar”.

Outra forma de agir é a chamada “configuração padrão” ou “default”. Geralmente as pessoas tendem a manter a configuração padrão oferecida, mesmo que isto possa ser mudado facilmente. Seria o efeito Nudge, de Thaler. Em 2005 a configuração padrão do Facebook revelava poucas informações pessoais; em 2010, mais informações ficaram disponíveis. Trocamos nossa diversão por informação.

E mesmo as pessoas que se mostram preocupadas com a privacidade, lembra Porter, é capaz de trocar informação por um agrado. Assim, as propostas para resolver a crise provocada pelo Facebook pode ser a pior solução.

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segunda-feira, março 26, 2018

Psicologia no McDonald´s

Um texto do MarketWatch mostra como o McDonald´s está usando a psicologia para "ajudar" você nas decisões. O objetivo da rede é aumentar as receitas e o lucro e para isto a empresa contratou um consultor para usar as pesquisas na área de decisão para "oferecer melhores produtos e serviços".

Entre outras coisas, a rede de fast-food "ancora" a decisão, com fotos produzidas das ofertas, geralmente os produtos mais lucrativos. Estas fotografias estão perto da entrada, já que as pessoas tendem a seguir as primeiras opções apresentadas (efeito prime) quando tomam decisão. Nas fotos não são colocados os preços, para reduzir a dor do gasto (aversão à perda). Além disto, a empresa está usando animações sutis para direcionar os olhos para as opções mais caras. E que direcionam para os novos produtos, combatendo o viés do status quo. Para isto a rede manipula a exibição dos itens novos, reduzindo o tempo de exibição dos itens tradicionais (arquitetura de escolha).

Para evitar o sentimento de culpa, a empresa cria o "halo saudável", com fotos de salada ou água engarrafada (saudável?), o que induz a sensação de que o menu da empresa é saudável. Assim, a empresa coloca uma fatia de maçã junto com a batata frita. Um efeito comprovado do "menu saudável" é a tendência a pedir sobremesas calóricas ou batata frita.

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segunda-feira, dezembro 18, 2017

O Projeto Desfazer

O livro de Michael Lewis narra a história de dois grandes cientistas, Amos Tversky e Daniel Kahneman. Estes dois judeus se conheceram em Israel, onde eram professores universitários. Entre o final da década de sessenta e durante a década de setenta elas desenvolveram uma profunda amizade e parceria. Ambos serviram no exército do seu país, Amos na linha de frente e Daniel como psicologo. O primeiro era considerado o “gênio” da dupla e o lado otimista; Danny era retraído, um pessimista. Certa vez um psicologo da Universidade de Michigan criou um teste de inteligência: quanto antes você perceber que Amos é mais inteligente que você, mais inteligente você é.

Nos primeiros trabalhos, as pesquisas eram feitas de forma conjunta. A tal ponto que para decidir qual o nome apareceria primeiro num determinado artigo, a decisão foi tomada em um cara ou coroa. No artigo seguinte a ordem foi alterada. Ambos buscaram estudar como o comportamento das pessoas não era racional. Usando exemplos simples, pesquisaram entre estudantes e pessoas com muitos anos de estudos e perceberam que os erros que cometiam eram comuns. Mas isto era contrário a ideia existente na época que o ser humano usava sua mente para tomar a decisão correta e mais racional. Posteriormente expandiram suas ideias para outras áreas, incluindo a medicina e a economia. Incluindo Richard Thaler, que conhece ambos no final da década de 70.

Nos anos oitenta o trabalho de ambos começou a ser aceito e analisado com atenção por diversos especialistas. A mudança de ambos para a América do Norte de certa forma separou a dupla; enquanto Amos começava a receber os louros pelas pesquisas, Danny obteve guarida no Canadá, numa universidade de menor préstigio. Mas o efeito começa a aparecer nas decisões dos pilotos de um avião, no exército, na medicina, na economia e assim por diante.

Anos depois da ruptura, Amos descobre um câncer que seria fatal. Mesmo com o distanciamento, Danny foi a segundo a ser comunicado, o que mostra que a ligação entre os cientistas ainda existia.

Para quem deseja saber a história das economia comportamental (ou finanças comportamentais) é um livro imperdível. Para entender o assunto, outras obras são mais interessantes na explicação. Mas Michael Lewis, autor de Moneyball e outras obras de sucesso, consegue prender o leitor, buscando apresentar as principais ideias de maneira simples e didática.

domingo, novembro 12, 2017

Adulando o usuário da informação contábil


Adular ou bajular alguém geralmente é uma estratégia que todos usamos, em maior ou menor escala, diariamente. Quantas vezes elogiamos o cabelo de uma pessoa, mesmo não tendo simpatizado com o corte, um pouco antes de pedir um favor? Se não for isto, algo deste estilo.

Mas será que a bajulação funciona também nas decisões financeiras? Se uma empresa pretende obter crédito em uma instituição financeira, elogiar a qualidade da empresa ou mesmo a capacidade do funcionário que está analisando a proposta pode ser uma alternativa que não deve ser desprezada. Mesmo sabendo que muitas vezes a decisão segue uma cartilha ou parâmetros rígidos. O mesmo pode ocorrer com a empresa em relação a seus investidores. A bajulação, quem sabe, poderia afetar a decisão do investidor, de maneira mais favorável. Mas funciona?

Isto é muito difícil de saber na prática. Nestes casos, a ciência costuma usar situações próximas aquelas que ocorrem na vida real, seja simulando uma decisão, seja submetendo um grupo de pessoas a uma decisão próxima a que ocorre na prática. Basicamente, se as pessoas mudam sua decisão sobre uma empresa diante de uma adulação, isto pode ser sinal que a adulação/bajulação resolve.

Num experimento famoso, realizado em 1997, dois pesquisadores, Fogg e Nass, realizaram um experimento onde os computadores adularam as pessoas. Os participantes da pesquisa recebiam um elogio sincero, um elogio comprovadamente exagerado e um feedback simples. Mesmo sabendo que era uma máquina, as pessoas reagiam de forma diferente ao elogio. O experimento de Fogg e Nass foi importante para que os atendentes virtuais dos dias de hoje fossem programados para agradecer ou tratar de forma cordial os clientes.

Uma pesquisa nesta linha foi realizada utilizando o usuário da demonstração contábil. Para um grupo de usuário foi entregue um conjunto de informação sobre o desempenho da empresa. Para outro grupo, o mesmo conjunto de informação, com uma pequena exceção: uma frase bajulando o investidor. A frase era a seguinte:  

Isso se encontra refletido no alto grau de escolaridade dos investidores pessoas físicas e nas características dos investidores institucionais, todos eles preocupados em depositar seus recursos em uma empresa que valoriza a governança corporativa. Temos orgulho de ter a confiança de renomadas instituições e de investidores experientes e honramos os recursos depositados em nossa empresa. 

Nada muito agressivo e direto, mas uma bajulação ao investidor. O resultado da pesquisa mostrou que a avaliação da empresa foi alterada com a presença da frase. Assim, a bajulação funcionou.

Mas uma surpresa da pesquisa é que a bajulação nem sempre funciona. Neste caso, parece que a idade mostrou ser um fator que anestesia este efeito. Isto significa dizer que indivíduos mais velhos foram mais imunes ao efeito da frase.

Silva, César Augusto Tibúrcio; Magalhaes, Isabela Lourenço Achkar; Vieira, Edzana Roberta Ferreira da Cunha. Adulando o usuário da demonstração contábil. Revista Mineira de Contabilidade. v. 18, n. 2, 2017.

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segunda-feira, novembro 06, 2017

Efeito propriedade na prática



A repórter tenta comprar os bilhetes de loteria das pessoas na rua. Oferece até o dobro do que elas pagaram. E elas não querem vender. É um interessante exemplo do efeito propriedade.

sábado, outubro 14, 2017

A geração atual é melhor que a passada

A reclamação de que estamos piorando com o passar do tempo parece não proceder. Veja o texto da revista The Economist, publicado no Estadão de 10 de outubro de 2017:

“A geração de nossos pais, pior que a dos avós, gerou a nós, mais dissolutos e destinados a gerar, em breve, uma progênie mais corrupta.” Assim era o mundo nos idos de 20 a. C., segundo o poeta romano Horácio. Contemporaneamente, não lhe faltam sucessores. Ao longo dos últimos dois séculos, a triste decadência da juventude foi atribuída ao advento dos romances, do rádio, do jazz, do rock, da televisão, dos filmes de horror, do jogo de RPG Dungeons Dragons, dos videogames, da internet, dos smartphones e das redes sociais, entre tantas outras coisas. No câmpus de Santa Barbara da Universidade da Califórnia, porém, um psicólogo chamado John Protzko começou a se indagar se realmente o destino das próximas gerações seria tão sombrio assim.
A fim de introduzir um pouco de rigor no problema, o pesquisador saiu em busca de exemplos de um experimento cognitivo conhecido como “teste do marshmallow”. Inicialmente aplicado na Universidade Stanford, na década de 1960, o teste tem como objetivo avaliar a capacidade de autocontrole em crianças pequenas, verificando se o menino ou a menina se dispõe a abrir mão de uma recompensa pequena, mas imediata, como um marshmallow, em troca de obter uma recompensa maior mais tarde. Por ter sido um dos primeiros exemplos de teste psicológico padronizado, Protzko encontrou grande quantidade de dados históricos com que trabalhar.

A realização do experimento é simples. A criança é levada para uma sala onde há uma série de doces. O pesquisador explica à criança que ela pode escolher o doce de que mais gosta e comê-lo quando quiser; mas, se esperar 15 minutos, poderá comer dois doces em vez de um. Em seguida, o pesquisador sai da sala. A idade é o fator que melhor permite prever a capacidade de resistir ao impulso de devorar o doce na hora. Entre as crianças de mesma idade, porém, o bom desempenho no teste está associado a características positivas que se manifestarão mais tarde na vida, da manutenção de um peso saudável à escolaridade mais elevada e à obtenção de notas mais altas em provas.
Protzko avaliou os dados de 30 estudos realizados ao longo dos últimos 50 anos (embora o estudo original de Stanford não tenha sido incluído). Simultaneamente, consultou 260 especialistas em desenvolvimento cognitivo infantil, solicitando que eles fizessem uma previsão sobre o desempenho das crianças com o passar dos anos. Pouco mais da metade, talvez pensando em inúmeros estudos recentes sobre os efeitos supostamente nocivos da tecnologia moderna, disse que as crianças de hoje teriam mais dificuldade em postergar a gratificação. Um terço achou que não haveria diferença entre as crianças de agora e as de 50 anos atrás.
Só 16% dos especialistas acertaram a previsão: as crianças vêm se saindo progressiva e significativamente melhores no teste. Em 1967, o tempo que elas levavam para ceder à tentação era de aproximadamente três minutos, em média. Em 2017, essa média já chega 8 minutos, com uma elevação de cerca de um minuto a cada dez anos. E isso parece acontecer de maneira uniforme em todos os níveis de habilidade. As crianças mais impulsivas vêm melhorando no mesmo ritmo que as mais prudentes.
A taxa de melhoria também chamou a atenção de Protzko. O índice registrado, de 20% de um desvio padrão a cada dez anos, corresponde aproximadamente à taxa de melhoria observada nos testes de QI ao longo dos últimos 80 anos. (O desvio padrão mede a variação em torno de um valor médio. Cerca de dois terços de uma distribuição normal se estende por um desvio padrão da média.) O motivo desse aumento no QI, conhecido como efeito de Flynn, em homenagem ao psicólogo que chamou a atenção do mundo acadêmico para o fenômeno, permanece sendo um mistério. Tampouco está claro se os resultados de Protzko têm alguma relação com isso ou não. Sabe-se que o QI está associado à capacidade de postergar a gratificação, mas é uma correlação para lá de imperfeita.
De qualquer forma, uma coisa é clara: Horácio e seus sucessores não estão apenas equivocados (e teriam mesmo de estar, ou a civilização teria ido para o beleléu há muito tempo), como nos últimos tempos a juventude vem melhorando, pelo menos em alguns aspectos. “Falar mal dos mais jovens”, diz Protzko, “parece ser uma espécie de cacoete cognitivo humano.” Agora ele está interessado em descobrir a razão disso.

Para aqueles que ainda duvidam, recomendo a leitura do livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza, de Steven Pinker. 

O Teste pode ser visto no vídeo abaixo:


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sexta-feira, julho 07, 2017

Efeito cultural do Teste do Marshmallow

Na década de sessenta, Walter Mischel conduziu uma pesquisa que ficou conhecida como Teste do Marshmallow. Num experimento com crianças, a equipe de Mischel oferecia para cada criança um doce com a promessa de que ganharia outro se resistisse um tempo até a volta do pesquisador. Quinze minutos mais tarde, quando o pesquisador voltava, se a criança não tivesse comido o doce recebia, imediatamente, um segundo. Além de ser um teste que mede a capacidade de controlar nossos desejos, também mensura nossa “taxa de desconto”.

 A pesquisa de Mischel ganhou um maior destaque quando, anos depois, ele pesquisou o que as crianças estavam fazendo. A surpresa foi descobrir que as crianças que conseguiram resistir ao desejo de comer imediatamente o doce tiveram melhor desempenho nos testes escolares, por exemplo. Agora o teste foi replicado num país africano. Os resultados foram comparados com os obtidos com crianças da Alemanha. E foram surpreendentes. As crianças da zona rural de Camarões tiveram um desempenho melhor que as européias. No país africano, 70% das crianças resistiram e esperaram; na Alemanha, somente 30%. As crianças alemães mostram mais frustrações e adotaram diversas técnicas de distrações; do país africano, mostraram pouca emoção ou atividade e oito delas dormiram.
Os resultados podem constituir um desafio sobre a forma ideal de educar as crianças. Também indicam talvez a relevância do aspecto cultural: as crianças africanas são criadas num ambiente de respeito aos idosos e relevância do grupo sobre a individualidade da cultura européia. Uma resumo da pesquisa encontra-se aqui. Mischel publicou um livro, com tradução para língua portuguesa, sobre o assunto. Existem diferentes versões do Teste no Youtube; as reações das crianças são incríveis. Aqui  um exemplo.

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sábado, julho 16, 2016

Vídeos de Finanças Comportamentais

Vies Otimista

O Vies Otimista é um livro da cientista Tali Sharot. Com onze capítulos e 334 páginas, a obra pretende discutir as consequências das pessoas serem otimistas. São mesmo?

Um teste simples mostra isto: pergunte a um grande grupo de pessoas quantas acreditam que são melhores motoristas do que a média da população. De uma maneira geral, de 70 a 80% das pessoas irão responder que são melhores motoristas. Isto não faz sentido, já que provavelmente metade de nós deveria pensar que somos piores no volante que a média e somente a metade que seriam melhores. Mas as pessoas geralmente acreditam que nas habilidades na direção. Somos otimistas por natureza.

O livro mostra as consequências, para o bem e para o mal, deste vies. Mas será que tem fôlego para explorar em 334 páginas este assunto? Apesar de reconhecer a importância do tema e da qualidade científica de Sharot, a minha resposta é não. O grande problema da obra é que este deveria ser um livro de divulgação científica, mas em diversos trechos lembra mais um livro técnico. A obra não consegue transitar entre os exemplos diários e didáticos e o tratamento mais científico. Fica a impressão que faltou um ghost-writer que ajudasse nesta tarefa. Alguém como Dubner no Freakonomics ou Gardner para Superprevisores. Além disto, não existe uma discussão adequada sobre como mensurar o otimismo.

Quando o leitor tem a vontade de pular páginas (e faz isto) é um sinal que obra não consegue atrair sua atenção.

Vale a Pena? Se você não estiver pesquisando sobre o assunto minha sugestão é ler obras mais agradáveis, como os livros de Dan Ariely.

SHAROT, Tali. O Vies Otimista. Rocco, 2015.

Evidenciação: o livro foi adquirido com recursos do blogueiro. 

domingo, junho 26, 2016

Loteria

Com respeito aos conselhos sobre como ganhar na loteria, a minha turma de doutorado escreveu o seguinte texto coletivo:

No vídeo em questão, Richard Lustig, ganhador por 7 vezes da loteria americana e escritor do livro “Learn how to increase your changes of winning the lottery”, aconselha sobre como ficar rico apostando em jogos de loteria. Lustig fornece três conselhos: 

1º Conselho: Buy as many tickets as you can afford. Comprar tantos bilhetes de loteria quanto você consiga pagar. 

Quando se aumenta a quantidade de bilhetes comprados, maior se torna a probabilidade de acertar os números sorteados. Entretanto, observando estatisticamente, a chance de ganhar na loteria seria insignificante, tendendo a zero. Considerando que no Powerball, loteria americana, a chance de ganho é de 1 em 292.201.338 e o custo da aposta é de US$ 3,00, para se obter 100% de certeza de ganho seria necessário um investimento de US$ 876.604.014,00, sendo que a maior aposta individual já paga pelo Powerball foi de US$ 370,9 milhões realizada por Gloria MacKenzie, ganhadora em 2013. Deve-se ter em mente também que, na tentativa de ganhar a loteria, muitos apostadores gastam recursos além do disponível, visando aumentar a probabilidade de ganho, afetando, por muitas vezes, seu orçamento pessoal, portanto um limite de gasto deve ser estabelecido. Sob a ótica de investimentos, a chance de retorno dos recursos alocados, estatisticamente, também se aproxima de zero. O que demonstra não ser uma boa estratégia de alocação de recursos, mas também observa-se que, por ser um investimento de alto retorno, as chances de acertar os números são baixas e, portanto, os riscos são altos. 

 2º Conselho: Don’t buy quick picks. Não terceirizar (quick picks) a escolha dos números, ou seja, não deixe o computador escolher seus números. 

Segundo Lustig, cada vez que se utiliza os recursos de um computador para definir suas apostas o jogador esta esquecendo a sua estratégia de ganho, ou seja, não faz pesquisas ou analisar os resultados obtidos de forma a executar uma estratégia que possa levá-lo ao sucesso, portanto o computador vai oferecer as piores chances de ganhar. Observa-se que apesar dos números definidos por programas de apostas serem considerados aleatórios, a programação que executa a escolha é feita através de algoritmos pré-definidos e, também, que as chances de um bilhete fornecido por um computador e os feitos por qualquer pessoa individualmente têm a mesma probabilidade estatística de ganho. 

 3º Conselho: Pick numbers and never change them. Escolha os seus números e nunca os mude. 

Você deverá escolher seus números, sempre jogar os mesmos números, nunca mudá-los e jogar em todos os concursos disponíveis, pois, em algum momento, eles serão sorteados, ou seja, um dos segredos é a persistência. Segundo Damodaran (2015) os ativos devem ser adquiridos com base em sua expectativa dos fluxos de caixa futuros e sua incerteza. Aplicando de forma restrita este conceito, dado o tamanho da incerteza contida na compra de um bilhete de loteria, tal ativo não deveria ser adquirido. A decisão de investimento envolve alocação de recursos para geração de fluxos de caixa positivos. O retorno dos fluxos de caixa decorrentes das apostas em loterias acontece ao acaso, o que inviabiliza sua análise pela ótica de investimentos. Realizar este tipo de investimento é apostar no acaso. 

[Acredito que faltou um aspecto importante da questão: a moeda não possui memória. Ou seja, o sorteio de números no passado não garante o seu "não sorteio" no futuro]

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segunda-feira, maio 09, 2016

Otimismo

Recentemente Adriana Steppan defendeu sua tese sobre o efeito do otimismo na contabilidade. Na banca, o professor Lucas Barros da USP, um dos avaliadores, fez uma observação muito pertinente: a atual doutora (e seu orientador) adotava um viés na análise supondo que o excesso de otimismo significava algo ruim. O professor Lucas observou que isto nem sempre era verdadeiro. Walton em It’s Not Optimism When You Know You’re Right: Optimism, Attribution And Corporate Investment Policy, mostra que os executivos otimistas pode tomar decisões interessantes.

Em Stumbling And Mumbling tem-se uma interessante discussão sobre as vantagens e os custos do otimismo. Obviamente que a tese da Adriana Steppan, quando estiver disponível, também será uma fonte interessante de discussão.

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sexta-feira, março 18, 2016

Xadrez e Emoção

Ao assistir a transmissão de um jogo de xadrez é interessante perceber a emoção dos jogadores. É isto mesmo. Apesar de ser um jogo cerebral, no tabuleiro tem seres humanos mexendo as peças. Ontem aconteceu um fato no torneio de candidatos em Moscou que mostra isto.

Para esclarecer, o torneio de candidatos atualmente está sendo disputado entre oito dos mais fortes jogadores do mundo. São dois russos, dois dos EUA e um da Armênia, Índia, Holanda e Bulgária, jogando todos contra todos e o melhor colocado irá desafiar o atual campeão mundial, o norueguês Carlsen. Das catorze partidas, seis já foram disputadas.

O jogo era entre Nakamura, dos EUA, e Aronian, da Armênia. Enquanto Aronian estava entre os primeiros com uma vitória e quatro empates, Nakamura tinha quatro empates e uma derrota. A partida já estava no seu final e uma pequena vantagem para Aronian, que jogava com as peças brancas. Em outras palavras, a partida deveria terminar em empate ou vitória para Aronian.

Existem duas regras que o leitor precisa conhecer. A primeira é “peça tocava, peça movida” impõe que quando o jogador segura uma das peças ele deve obrigatoriamente fazer a sua jogada com esta peça. Se ele pegou no rei, o rei deve ser movido, não outra peça. A segunda peça é que o jogador pode arrumar suas peças quando estas estiverem mal colocadas no tabuleiro. Para isto deve falar “j´adoube” para deixar claro que não irá mover a peça e sim arrumá-la no tabuleiro.

A jogada estava com as pretas (Nakamura). A fotografia a seguir mostra o jogador tocando no seu rei. Ou seja, deveria ser a peça a ser movida. O problema é que qualquer movimentação do rei traria a derrota quase que imediata de Nakamura.

Assim que tocou no rei, Nakamura parece ter percebido que esta não seria uma jogada boa. E retirou rapidamente a mão da peça, insinuando que estava arrumando a peça:

Mas Aronian reclamou da atitude de Nakamura. Este olha espantado para seu adversário, não compreendendo o que estava se passando. Ou fazendo de conta que não estava entendendo o que Aronian queria dizer.

 A seguir Aronian abre os braços, reclamando da atitude de Nakamura.

 Ao lado dos jogadores o juiz, que observa o que esta ocorrendo. Aronian dirige ao árbitro com sua reclamação, enquanto Nakamura espera. Enquanto o juiz age, Aronian levanta e sai.

O juiz determina que Nakamura deva jogar com o rei, conforme a regra. Ele se abaixa e começa a pensar na posição. A expressão é de frustação. Logo depois faz sua jogada e em menos de dez jogadas reconhece que a partida está perdida.

Com a vitória Aronian passa a dividir a liderança do torneio, com quatro pontos em seis possíveis. Nakamura tem somente dois pontos em seis e está em oitavo. Suas chances são reduzidas de vencer o torneio, já que faltam oito partidas.

Qual deveria ser a atitude de Aronian? Ser cavaleiro e aceitar o engano de Nakamura, fingindo acreditar que o americano estava arrumando as peças? Esta foi a opinião do presidente da Association of Chess Professionals, Emil Sutovsky. Seria elegante, sem dúvida, mas ele está disputando o direito de ser o desafiante ao campeão. Mas Nakamura fingiu que estava arrumando a peças e sua atitude foi questionável. Perder a partida, como ocorreu, praticamente afasta da possibilidade de vencer o torneio.

Um fato depõe contra Nakamura. Numa disputa ocorrida em 2015 contra outro jogador, Ian Nepomniachtchi, exatamente para selecionar os participantes do torneio atual, Nakamura fez um movimento, o roque, com as duas mãos, também proibido nas regras. Naquele momento, a reclamação de Ian não foi levada em consideração e ele perdeu o jogo. (Nota: como era um jogo rápido, mover com as duas mãos economiza o tempo do jogador, dando um vantagem para ele)

Xadrez, emoção, comportamento.

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sexta-feira, janeiro 29, 2016

Resenha: Experimentos

No início da década de sessenta o cientista social Stanley Milgram recrutou diversas pessoas para um experimento: o indivíduo era solicitado punir um falso aluno com choques elétricos a cada resposta errada. E quanto mais errava, maior o tamanho do choque. Milgram criou uma situação onde induzia as pessoas a aplicar um castigo, mesmo sendo uma punição cruel.

Naquele instante, Israel tinha localizado na Argentina o criminoso de guerra Adolf Eichmann, o responsável pela execução dos judeus durante a segunda guerra. Diante da possibilidade de fuga ou proteção por parte do governo argentino, Israel sequestra Eichman para ser julgado. O julgamento foi controverso e gerou um livro de Arendt denominado Um relato sobre a Banalidade do Mal. Arendt teorizou sobre o mal; Milgram mostrou que qualquer ser humano comum seria um Eichman em potencial. Nas suas pesquisas, Milgram demonstrou que sendo “incentivado” por uma autoridade (um cientista, no caso), uma pessoa comum é capaz de dar choques elétricos num desconhecido. Obviamente que Milgram teve o cuidado de não fazer uma tortura real, mas os resultados causaram polêmica e ele foi investigado por comitês de ética e muito criticado.

Milgram foi um dos pioneiros na pesquisa experimental. Trata-se de um ramo da ciência onde tentamos replicar uma situação do mundo real, para comprovar as teorias. Numa rua movimentada de uma cidade, algumas pessoas, contratadas por Milgram, olham para o céu; as outras pessoas que passam também começam a fazer a mesma coisa, mesmo não existindo nada de anormal acontecendo.

Em outra pesquisa muito relevante para os dias de hoje, Milgram deixou correspondências espalhadas por diversos locais com a recomendação de quem achasse tentasse encaminhar para uma pessoa desconhecida, morador de outra cidade. Muitos fizeram a recomendação da pesquisa e Milgram conseguiu rastrear a maneira como as pessoas se esforçaram para entregar a correspondência. Mesmo não conhecendo o destinatário, muitos foram aqueles que atingiram o objetivo. Milgram calculou que em média a correspondência passou entre cinco a seis pessoas antes de chegar ao desconhecido. Este é um número “mágico” que mostra o elo existente entre dois desconhecidos: entre cinco a seis pessoas, independente da distância física existente entre eles. Lembra as redes sociais de hoje.

Vale a pena? O filme é a descrição da vida e obra de Stanley Milgram. É muito didático e destaca os principais feitos do psicólogo. Talvez não seja uma obra de arte (a nota no IMDB é somente 6,6), mas consegue mostrar, sem muita violência, as suas principais realizações. Para quem deseja conhecer um pouco sobre o método experimento ou sobre rede social ou sobre a origem do mal é muito indicado. Com Peter Sarsgaard no papel de Milgram e Winona Ryder como esposa do cientista.

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domingo, dezembro 27, 2015

Metas para 2016

O ano novo geralmente começa com a fixação de metas (resoluções). Mas isto pode fazer mais mal do que bem, segundo Amy Cudddy (fotografia), uma psicóloga social. Cuddy acredita que o ser humano é ruim em estabelecer metas razoáveis e isto termina por gerar um sentimento de ansiedade e reduz a auto-estima.

Como solução Cuddy aconselha (1) Não fixar metas absolutas, como "fazer ginástica três vezes por semana" e sim metas vagas; (2) Metas não devem tentar mudar coisas que as pessoas não gostam em si; em lugar de "parar de comer no McDonald´s" usar "alimentação saudável" (3) Foco no resultado, não no processo (4) Não definir metas que dependem de outras pessoas ou de sorte. Isto inclui "ser promovida no trabalho".

domingo, outubro 04, 2015

O que a Volkswagen deve fazer?

Timothy Gohmann faz recomendações sobre o que a Volkswagen deve fazer. Descobriu-se que a empresa apresentava uma manipulação nos seus automóveis para apresentar uma medida mais positiva de emissão de poluentes. É uma fraude enorme que pode gerar uma multa bilionária para a empresa.

Segundo Gohmann a empresa deve fazer quatro coisas. A primeira é assumir a responsabilidade, sem esperar que os reguladores tomem medidas mais fortes. A empresa deve encontrar os empregados responsáveis, explicar ao público o que ocorreu e deixar claro que este tipo de comportamento não será tolerado. Esta providência isola o problema, demonstra que os agentes que praticaram a fraude não representa a empresa. O segundo passo é pedir desculpas aos proprietários dos automóveis. Ao mesmo tempo, parar de promover a venda de outros veículos. Ninguém está interessado em comprar um automóvel da Volks neste momento; é um gasto desnecessário até que o problema seja resolvido. Finalmente, tome todas as medidas corretivas, que inclui comunicar problemas similares, contratar fiscalização externa e cooperar com os reguladores.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Empurrão no Setor Público

O New York Times relatou uma experiência interessante feita pelo governo federal dos Estados Unidos. Nas solicitações de produtos e serviços, o fornecedor passou a assinar o formulário no início e não no final. O resultado foi uma economia de 1,59 milhões de dólares durante os três meses de experimento.

 Este tipo de mudança foi apresentado por Richard Thaler (e Cass Sunstein) no livro Nudge. A idéia é que pequenas mudanças podem fazer diferença no comportamento das pessoas. O exemplo interessante citado por Thaler é a pintura de uma mosca no mictório dos homens, que reduziu a quantidade de líquido despejada fora do local apropriado. Ainda segundo o jornal, a Casa Branca anunciou a criação do Social and Behavioral Sciences Team para encorajar estes experimentos.

No passado, quando era chefe de Departamento na minha universidade, fiz um experimento deste tipo. Diante da reclamação do funcionário de que as pessoas levavam as canetas Bic para casa, comprei duas ou três canetas da Xuxa, coloridas e chamativas. Meses depois este funcionário deu o depoimento de que a caneta ainda estava sendo usada e que as pessoas lembravam que a caneta não era sua.

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quarta-feira, maio 27, 2015

Ordem das coisas

Há tempos, a revista The Economist notou algo interessante: os líderes mundiais do ocidente tinham nome nas primeiras letras do alfabeto (vide aqui). Uma pesquisa revelou que o nome com as primeiras letras do alfabeto aumenta a chance de sucesso na carreira na área de economia. Isto é confirmado aqui.

Mas aprendemos que a ordem dos fatores não afeta os produtos. Será? Quatro pesquisadores resolveram verificar se a ordem é relevante na vida. Semanalmente o National Bureau of Economic Research (NBER) distribui para mais de vinte mil pessoas a lista de novas pesquisas através de um e-mail. O NBER é extremamente conhecido na área de economia e geralmente os textos divulgados no sítio são posteriormente publicados nos periódicos mais relevantes das ciências sociais. Todos os textos são de altíssima qualidade.
O trabalho dos pesquisadores investigou o “primacy effect”, onde as pessoas selecionam os primeiros itens de uma lista. Existem diversas razões para que isto ocorra, como o cansaço, o efeito na memória ou a força da primeira impressão. O primacy effect foi investigado para verificar se a ordem dos artigos listados no e-mail do NBER teria algum efeito sobre o interesse dos leitores.

Apesar de serem trabalhos técnicos e não existir nenhuma preferência na ordem do e-mail encaminhado, a pesquisa conseguiu comprovar o primacy effect. Assim, os textos que estavam no topo da lista apresentaram maior número de downloads e citações em trabalhos futuros. E este efeito foi considerado significativo.

FEENBERG, Daniel; GANGULI, Ina; GAULE, Patrick; GRUBER, Jonathan. It´s Good to be First: Order bias in Reading and citing NBER Working Paper, maio de 2015.

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sábado, maio 16, 2015

Felicidade: da criança ao adulto

Uma nova pesquisa com 53.000 crianças em 15 países revela que as crianças tendem a ser feliz independentemente do contexto de suas vidas. Do Nepal a Noruega, crianças entre as idades entre 10 e 12, dizem que estão muito satisfeitas com as suas vidas (pdf). 

"As crianças tendem a ser mais otimista sobre a vida", diz Elisabeth Backe-Hansen para Quartz, a pesquisadora líder da norueguesa Pesquisa Mundial para Criança. Apesar de não ser surpreendente, isso é reconfortante. 

Quando perguntado se essas crianças tiveram acesso a nove coisas: roupas boas, computador, acesso à internet, telefone móvel, seu próprio quarto, livros, um carro na família, um som e uma televisão, crianças na Noruega, em média, tiveram acesso a todos eles, mas aquelas na Etiópia tiveram acesso a apenas três. E, no entanto, entre os 15 países, não houve correlação entre a forma como as crianças estavam satisfeitas e quantos bens materiais que estavam faltando. 

Agora, se você comparar os rankings relativos de felicidade declarada infantil com os adultos (pdf), os resultados mudam significativamente. (...)

Adaptado daqui

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terça-feira, março 24, 2015

Conta de Luz

Neste momento que o governo tenta fazer com que as pessoas economizem água e energia, um exemplo de Cingapura.

A conta mostra o consumo nos últimos meses, mas também um comparativo interessante:
O consumo pessoal, dos vizinhos e nacional. Uma solução que lembra os conselhos de Nudge

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terça-feira, março 10, 2015

50 tons de cinza

Emma Pierson comenta que os críticos masculinos foram mais duros com o filme "50 Tons de Cinza", muito embora as mulheres também não gostaram muito. Existe uma diferença de percepção sobre a qualidade de um filme conforme o gênero do crítico. Assim, 78% das mulheres que fazem críticas sobre filme gostaram de Simplesmente Amor, mas somente 58% dos homens gostaram. Mas 80% dos homens gostaram do Lobo de Wall Street e somente 57% das mulheres. Esta diferença tem influencia direta sobre a bilheteria:

Os críticos de cinema não são os únicos especialistas vulneráveis às disparidades do gênero. Investidores profissionais do sexo feminino são financeiramente mais avessas ao risco do que os investidores do sexo masculino. As juízes do sexo feminino são mais propensos a decidir em favor do assédio e discriminação sexual em demandas sexuais. As médicas do sexo feminino passam mais tempo com seus pacientes . (...) Se queremos que as nossas instituições a tomar decisões representativas, precisamos de mais mulheres em posições de poder (...)

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segunda-feira, março 02, 2015

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quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Honestidade: Homem versus Mulher

A discussão sobre a honestidade nos últimos anos tem saído do campo da ética e com a utilização de base de dados com técnicas estatísticas algumas pesquisas criativas estão esclarecendo muito sobre este assunto. Duggan e Levitt em 2002 publicaram um artigo no principal periódico de economia do mundo onde mostraram que mesmo numa cultura considerada moralmente superior existe corrupção. Usando dados da luta de sumô estes pesquisadores mostraram que diversas lutas apresentaram resultados combinados. Este artigo foi extensamente discutido na série Freakonomics. O importante desta pesquisa foi mostrar que o problema com a falta de honestidade ocorre em todo o mundo, não somente nos países pobres. Assim, não acredite quando alguém diz que um comportamento desonesto não ocorre no Japão ou na Suécia.

Mais recentemente o assunto rendeu um tipo diferente de pesquisa, conduzida por Dan Ariely. Ariely mostrou que a honestidade e a sua falta dependem de uma série de circunstâncias, algumas delas que não podem ser explicadas por um modelo econômico de racionalidade. As pessoas são mais desonestas conforme a inexistência de “trancas” nas portas onde o delito ocorre. Numa experiência agora famosa, Ariely aplicou um teste para diversos alunos; para um grupo permitiu que cada individuo corrigisse sua prova, informasse a nota, recebesse um prêmio proporcional a nota, sem nenhum tipo de verificação, já que a prova era picotada antes da entrega da nota. A nota deste grupo era superior aos demais, indicando que existia desonestidade no comportamento. O interessante é que era uma “pequena” desonestidade.

Uma pesquisa recente seguiu a trilha de Duggan e Levitt usando agora dados do tênis. A grande vantagem desta pesquisa é que o tênis é um esporte praticado separadamente por homens e mulheres. Assim, o resultado dos dois grupos pode ser comparado para verificar quem é mais desonesto.

Jetter e Walker analisaram o circuito profissional de tênis em mais de 300 mil partidas. Os jogadores de tênis são classificados conforme o número de pontos conquistados no último ano. Os melhores, como Nadal, Williams ou Federer, conquistam muitos pontos pois participam e possuem bom resultados nos principais torneios. Existem quatro grandes torneios que além de distribuírem uma grande quantidade de pontos para quem participa e tem bom desempenho também remunera muito bem os jogadores. Um jogador de tênis pode ganhar mais de 30% do dinheiro anual num destes quatro torneios, denominados de Grande Slam.

Assim, jogar um Grande Slam é muito importante para um tenista profissional, seja por ganhar pontos e melhorar sua classificação no ranking dos melhores jogadores, seja pela parte financeira, já que ganham muito dinheiro. Em geral para jogar um destes torneios é necessário estar entre os 104 melhores torneios. Assim, antes de começar um Grande Slam os organizadores olham a classificação dos tenistas e chamam estes jogadores. Mas antes de cada um destes torneios ocorre um conjunto de torneios menores. E esta é uma excelente oportunidade para os jogadores que estão próximo da 104ª. posição de ganhar pontos e melhorar seu ranking. Como a distância entre o centésimo colocado e o centésimo vigésimo é pequena, um desempenho razoável nestes torneios pode ser suficiente para colocar o jogador num Grande Slam.

Jetter e Walker olharam o que ocorre nestas partidas antes dos torneios mais relevantes. Quando Belucci joga contra Nadal pelos pontos de cada jogador é possível estimar as chances de cada jogador. Mas a pesquisa mostrou que os torneios anteriores aos Grandes Slams isto não ocorre. Ou seja, existe um comportamento inadequado no tênis profissional. Mas isto só ocorre no tênis masculino. No tênis feminino, por alguma razão, não existe uma combinação para favorecer a jogadora que está buscando obter pontos para participar de um grande torneio.

Os autores também observaram que os sites de aposta, que corresponderia a opinião do mercado, não consegue antecipar a esta situação.

O trabalho faz a constatação que o gênero é uma variável importante na questão da honestidade. Mas não consegue explicar a razão. Afinal, as mulheres são mais honestas que os homens em qualquer situação? Haveriam outras variáveis que influenciam esta questão?

JETTER, Michael; WALKER, Jay. Good Girl, Bad Boy: Corrupt Behavior in Profissional Tennis. IZA DP 8824, jan. 2015.

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segunda-feira, janeiro 26, 2015

O poder do gráfico

As empresas, quando divulgam seus resultados, apresentam uma grande quantidade de informações gráficas e ilustrações. Os alunos, quando estão submetendo seus trabalhos de final de curso, gostam de mostrar suas habilidades numa planilha e transformam os dados em pizzas e barras. Numa apresentação de negócios, o gestor coloca uma linha de tendência para justificar seu ponto de vista. O investidor acha tão relevante a visualização do preço da ação que se construiu uma teoria de decisão de compra e venda baseado nos gráficos. Em todos estes casos temos uma mostra do poder do gráfico no convencimento das pessoas.

Dois pesquisadores da Cornell, uma universidade dos Estados Unidos, fizeram um experimento interessante. Tomaram uma informação e submeteram em dois grupos de pessoas. Num dos grupos, os pesquisadores apresentaram informação sobre um novo medicamento sob a forma de texto. Para outro grupo, além desta informação foi apresentado um gráfico, com duas barras, que não continha nenhuma nova informação além daquela existente no texto. Depois da leitura, perguntou-se para os participantes do grau de efetividade do novo remédio, numa escala de nove pontos. Os respondentes com a informação com o texto deram uma nota de 6,12 em média; já aqueles que receberam o texto e juntamente o gráfico pontuaram a efetividade em 6,83. A diferença de pontuação permite afirmar, estatisticamente, que o gráfico provocou um efeito na resposta.

Segundo os autores, a premissa é que os gráficos sinalizam a existência de uma base científica. Como o gráfico possui uma informação pode-se concluir que a informação teria base científica. Como a ciência é indicaria uma verdade, tem-se que a informação é verdadeira para os participantes.

Mas atenção: o estudo foi conduzido em estudantes, mas que não são necessariamente especialistas na área. Não se sabe se a apresentação gráfica para especialistas teria o mesmo efeito. Não custa tentar, não é? Assim, caso o leitor queira convencer uma plateia, pense, a partir de agora, em usar um gráfico.

TAL, Aner; WANSINK, Brian. Blinded with Science. Public Understanding of Science, 2014

terça-feira, novembro 18, 2014

Maratonista com idade terminada em 9

É muito comum fazermos pausa na nossa vida para pensar sobre o futuro e o que fizemos no passado. Neste momento as pessoas tomam decisões no sentido de fazer algo novo e diferente. Estes momentos são comuns na virada do ano novo ou na data do nosso aniversário.

Uma pesquisa mostrou que mudanças radicais na nossa vida tendem a ocorrer na transição da década de existência. É mais comum que antes de chegarmos aos cinquenta decidirmos firmemente largar de fumar, fazer uma dieta severa ou uma viagem longamente sonhada. Esta fase de mudança de década, que ocorre quando temos 19, 29, 39, 49 ... anos foi comprovada empiricamente. Usando dados de mais de 40 mil pessoas, os pesquisadores descobriram que as pessoas com a idade terminando em “9” afirmam que gastam mais tempo pensando sobre o significado da vida e da existência.

Mas o que pensamos não representa necessariamente ação. Bom, aqui os pesquisadores descobriram que estas pessoas tendem a agir. Eles descobriram isto de uma forma relativamente simples: observando os maratonistas. Usando os dados dos novos corredores de uma maratona, descobriu-se que as pessoas com idades terminadas em nove representam quase metade dos corredores. Parece que a aproximação de mais uma década de existência faz com que a pessoas assumam o compromisso de uma vida saudável. Mas não é somente isto. A opção por participar de uma maratona é firme.

Descobriu-se que os novos corredores com idade terminando em nove tendem a se dedicar mais tempo na preparação da sua primeira maratona. E por isto seu desempenho é melhor que pessoas com idade terminada em 7 ou 8 que iniciaram sua participação no atletismo.

Alter, A.L., ; Hershfield, H.E. (2014). People search for meaning when they approach a new decade in chronological age PNAS

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sábado, novembro 15, 2014

Cegueira

A disputa pelo título de campeão mundial de xadrez está ocorrendo em Sochi, Rússia, entre o atual campeão, o jovem norueguês e atual campeão Carlsen e o indiano e ex-campeão Anand. O jogador que atingir 6,5 pontos primeiro será considerado campeão, num total de 12 partidas, sendo que cada vitória vale um ponto, o empate meio ponto e a derrota zero. Os dois primeiros jogos terminaram em empate, mas no terceiro Carlsen venceu. Parecia que o melhor jogador de todos os tempos seria novamente o vencedor, mas na partida seguinte Anand jogou rapidamente o início do jogo, o que pressionou o tempo que Carlsen tinha. O resultado foi a vitória de Anand, empatando a disputa em dois pontos para cada jogador. Depois, na sexta, empate.

No sábado os jogadores voltaram a enfrentar. Carlsen jogou rapidamente o início do jogo e no 26º. Lance tinha mais de uma hora para fazer mais 14 lances; Anand tinha somente 44 minutos e estava pressionado pelo tempo. Neste momento o jogador norueguês jogou o rei na segunda fileira. Nas anotações do xadrez é normal marcar jogadas boas com uma exclamação (“!”) ou duas; e as jogadas ruins com uma interrogação (“?”) ou duas quando for realmente ruim. A jogada do melhor jogador do mundo levou duas interrogações. O sítio Chessbomb comentou: um terrível erro e marcou de vermelho, indicando jogada ruim.

Assim, de uma situação favorável, o jogo mudava, com boas possibilidades para Anand. E quando um grande jogador comete um erro grave, provavelmente isto deve refletir nas partidas restantes.

Durante a conferência para imprensa após o jogo, Carlsen confessou que logo após ter feito a movida percebeu sua bobagem. E esperou.

Numa disputa do título mundial cada jogador tem duas horas para fazer 40 movimentos. Isto significa 3 minutos para cada movimento. Os primeiros movimentos são jogados rapidamente, já que os jogadores estudam o início e sabem das possibilidades. Neste jogo, por exemplo, Anand gastou 4 minutos para fazer os dez primeiros movimentos. O tempo economizado é gasto no meio do jogo. Assim, neste momento Anand tinha 40 minutos para fazer 14 movimentos ou quase 3 minutos por movimento. Mas o tempo para jogar depende da quantidade de peças ainda existente no tabuleiro (ainda estavam no jogo 22 peças de um total de 32), da posição e do adversário. Carlsen é conhecido por lutar até o fim num jogo e não ajudaria muito. A posição não era muito complicada, já que as damas já tinham saído do jogo, mas não era também simples.

Diante da jogada ruim de Carlsen, Anand resolveu jogar rápido e movimentou um peão da coluna da torre. Incrível, mas outro erro grave. Novamente duas interrogações indicando que foi realmente uma jogada muito ruim. Enquanto Carlsen gastou cerca de um minuto para fazer seu movimento, Anand levou também pouco tempo.

No restante do jogo, Carlsen consolidou sua vantagem e não cometeu mais erros. Anand jogou dois lances abaixo da melhor opção e o seu 37º. Lance foi considerado também um erro, abandonando logo depois.

Um grande jogador atual perguntou para o ex-campeão Krammik: “como se recupera deste erro?”. “Não recupera”, afirmou Krammik. Na conferência, diante de um Carlsen aliviado, Anand revelou que percebeu seu erro logo depois de mexer seu peão. E que isto afetou o restante do jogo. Ele disse que “quando você não está esperando um presente, você recebe”. O vídeo a seguir mostra a reação da transmissão espanhola: um erro brutal, não creio, mãe do céu, coisa de louco, não viu, entre outras. Veja a reação para perceber o tamanho dos erros.

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terça-feira, novembro 11, 2014

Quando uma pessoa aparece escutando aquela música insuportável no mais alto volume, você deve chamá-lo, intimamente, de “idiota”. Tudo leva a crer que você tem razão: existe uma relação entre a música que as pessoas escutam e o nível de inteligência.

Tomando por base os resultados do SAT, um tipo de teste acadêmico existente nos Estados Unidos, um pesquisador comparou com o que as pessoas diziam sobre seu gosto musical no Facebook. Os alunos da Cal Tech, um prestigiosa universidade dos Estados Unidos, possuem um SAT médio de 1520. Eles gostam de Radiohead. As pessoas muito, muito inteligentes geralmente gostam de Beethoven. Aqueles com um nível alto de SAT ouvem Sufjan Stevens, U2, Radiohead, Bob Dylan, Ben Folds e Counting Crows. Você escuta alguns deles? As pessoas que tiraram as piores notas no SAT ouvem Lil Wayne, Soca, Gospel, Beyonce, T.I, Reggae, Jazz, Pop, Justin Timberlake, Hip Hop, Rap, entre outros.

Veja o gráfico a seguir. Quanto mais à direita, maior o nível no SAT.

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Efeito beleza e remuneração

Diversas pesquisas já foram realizadas para verificar a possível relação entre beleza e remuneração. Tomar um aspecto de uma pessoa como uma aproximação do caráter geral do individuo é denominado de efeito halo. Assim, as pessoas bonitas tendem a serem recompensadas por isto, inclusive em termo de salário.

Segundo Markus Mobius existem três possíveis razões para o efeito beleza: 1. As pessoas belas são mais confiança e existe uma relação forte entre a confiança e remuneração; 2. As pessoas belas são consideradas mais capazes pelos empregadores; e 3. As pessoas belas possuem melhores habilidades verbais, que tem reflexo sobre o salário.

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